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Política

19 Abril de 2017 - 19:58

Delator diz que Odebrecht pagou mesada de R$ 547 mil a Cunha por 3 anos

Benedicto Júnior disse que pagamentos foram solicitados pelo deputado cassado e representavam 1,5% do valor da obra de Porto Maravilha; defesa de Cunha diz que delação é 'falsa'
G1
Eduardo Cunha Reprodução Eduardo Cunha

O ex-executivo da Odebrecht Benedicto Júnior afirmou em depoimento ao Ministério Público que o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu, durante três anos, pagamentos mensais de R$ 547 mil. Atualmente, o peemedebista está preso em Curitiba.

Segundo o delator, que foi presidente da Odebrecht Infraestrutura, os pagamentos foram feitos entre setembro de 2011 e agosto de 2014. O valor total que teria sido pago foi, de acordo com ele, de R$ 19,7 milhões.

Por telefone, o advogado Pedro Ivo, que defende o peemedebista, disse que a delação de Benedicto Júnior é "falsa, fluida e desprovida de qualquer prova".

Durante o depoimento, o ex-executivo da Odebrecht afirmou que Cunha solicitou o valor "a pretexto de campanhas políticas do PMDB" e era equivalente a 1,5% do valor da obra do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, liberado para a empreiteira.

Eduardo Cunha já foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por suspeitas de ter recebido propina de três empreiteiras que participaram das obras do Porto Maravilha - Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia. De acordo com a denúncia, o peemedebista recebeu R$ 52 milhões em propina das três empreiteiras.

"Entre agosto e setembro de 2011, eu fui pessoalmente procurado pelo deputado Eduardo Cunha que me pediu uma reunião. Eu me encontrei com ele [...], ele fez um breve relato do que ele conhecia do Porto Maravilha, que estava em andamento, já havia sido constituído (?), tudo andando normalmente. Ele, a título de campanhas futuras, me pediu que eu fizesse pagamento da ordem de 1,5% do valor liberado para o projeto em 36 parcelas", afirmou o ex-executivo.

Ele explicou ainda que decidiu fazer os pagamentos porque Cunha "era uma pessoa relativamente importante no cenário" e porque o então deputado "tinha uma pessoa dentro do conselho" do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) e a Odebrecht "não queria ter problemas nesse assunto".

"Então, concordei, avaliamos dessa forma", explicou Benedicto Júnior.

Benedicto Júnior afirmou que, após ter sido procurado por Cunha, se reuniu com representantes da OAS e da Carioca Engenharia e, depois do encontro, ficou convencionado que cada empreiteira iria tratar diretamente com o peemedebista sobre os pagamentos que ele havia solicitado.

"Convencionamos que cada empresa ia tratar desse assunto independentemente. [...] A partir daí, eu retornei ao doutor Eduardo Cunha e disse que, da parte da Odebrecht, eu faria o planejamento e o pagamento de 36 parcelas de R$ 547 mil", disse o ex-executivo.

"Não acompanhei [quanto as outras empreiteiras pagaram a Cunha], mas cada um saiu da reunião pra resolver independentemente sua parte. Não foi uma coisa conjunta do consórcio, cada um procurou o deputado Eduardo Cunha. [Cada um tinha] Uma cota parte. 36 parcelas de R$ 547 mil é a conta parte da Odebrecht, a sua parte na obra", explicou.

Benedicto Junior diz, então, que acredita que todas as parcelas foram pagas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento de propina. Isso porque, segundo ele, Cunha não voltou a procurá-lo para reclamar que não recebeu os valores.

Ele explica que o pagamento era feito via doleiro e que o apelido de Cunha nas planilhas da Odebrecht era "Caranguejo".

"Se tivesse qualquer problema no curso desses pagamentos, que eram mensais, provavelmente o recebedor teria me procurado de volta e dito 'olha, não estão pagando o que voce combinou comigo'. Então, eu deduzido, por não ter me procurado, todos foram honrados, as 36 parcelas. Mas nunca falei com Álvaro [Muniz, doleiro apontado como responsável por receber os pagamentos] sobre esse assunto específico", diz Júnior.

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