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Educação

19 Abril de 2017 - 11:18

Mostra celebra cultura indígena em escolas da rede pública estadual

Índios da Xukuru-Kariri promovem apresentações, exposição e vendas de artesanato
Lucas França / Tribuna Independente
Índios mostram aos estudantes arte e curiosidades da tribo Xukuru-Kariri (Foto: Valdir Rocha / Ascom - Seduc) Índios mostram aos estudantes arte e curiosidades da tribo Xukuru-Kariri (Foto: Valdir Rocha / Ascom - Seduc)

Como parte da comemoração do Dia do Índio celebrado nesta quarta-feira (19), uma mostra promovida pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) levou  a cultura indígena para estudantes de escolas públicas do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), no bairro do Farol.

Os alunos das Escolas Estaduais Princesa Isabel e Professora Maria José Loureiro tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da cultura através de apresentações artísticas, palestras e exposição e vendas de artesanatos dos índios da tribo Xukuru-Kariri, de Palmeira dos Índios, Agreste de Alagoas.

De acordo com Zezito Araújo, supervisor de diversidade da Seduc, a ideia de levar a cultura indígena para escolas da rede pública faz parte de uma série de atividades que buscam uma reflexão sobre o papel das comunidades indígenas em Alagoas. A iniciativa começou na segunda-feira (17) e segue até esta quarta (19), em diversas escolas do Cepa. O projeto já é realizado há dois anos e faz parte da valorização da educação escolar indígena.

“O objetivo desse projeto, além de valorizar a cultura dos primeiros habitantes do país, é também a reflexão sobre a realidade sociocultural das populações indígenas. E isso não é feito pelo professor. O especialista mais capacitado para fazer essa discussão é a própria comunidade dos indígenas. São eles os mais capacitados para conversar com os estudantes para desconstruir essa ideia cristalizada que se tem do índio”, ressaltou Zezito Araújo.

Segundo o supervisor de diversidades, a ideia principal é conscientizar os alunos e os fazer compreenderem a partir da realidade exposta pelo próprio índio a diferença entre os séculos passados e a realidade nos dias de hoje.

Pajé fala sobre importância de interagir

O representante da tribo Xukuru-Kariri, Purinã Celestino, falou sobre a importância desse diálogo com os alunos.

“Nós viemos de lá para mostrar para os alunos e professores, a importância da temática indígena, dos povos indígenas, da sobrevivência dos povos indígenas desse Brasil, que muitas vezes são descriminados. Eu venho trazendo um pouco da cultura do Xukuru-Kariri”, disse.

CONQUISTA

O pajé Purinã Celestino aproveitou para expressar sua alegria em relação à regularização dos professores indígenas nas tribos. “Através de uma luta das lideranças, a questão dos professores foi resolvida e eles estão sendo oficializados. Foi uma das nossas brigas para que nossos professores fossem funcionários de uma forma legalizada. Agora estamos cobrando a construção de escolas”, expôs.

LUTA

Em janeiro deste ano os índios chegaram a realizar uma manifestação contra a proibição de contratos firmados com professores das comunidades. Na época, o protesto foi realizador porque a Seduc havia cogitado a possibilidade de chamar monitores para substituir os professores das comunidades devido a um parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Atualmente, o Estado tem 17 escolas indígenas com mais de 200 professores. A discussão feita pelo PGE era que a Seduc deveria fazer um concurso para regularização desses educadores. No entanto, o cargo de professor indígena não existia dentro do quadro da secretaria.

DATA

O Dia do Índio foi criado em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540.

Neste dia do ano, ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre o assunto, os museus exposições e algumas cidades, festas para celebrar a data.

Para o Pajé Celestino, a data deve ser também de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.

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