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Saúde

18 Março de 2017 - 07:40

Dieta vegana atrai, mas ainda são poucas as opções em Maceió

Mudança de ‘atitude’ tem ênfase na defesa da natureza e contra a matança animal
Ana Paula Omena

É crescente o número de seguidores do veganismo no mundo e grande parte dos adeptos deste regime alimentar se inicia devido às questões relacionadas ao ambiente, saúde, economia, ética e religião. Um vegano não come nenhum produto de origem animal, faz uso da dieta vegetariana estrita, ou seja, excluem da sua alimentação carnes e embutidos peles, cartilagens, lacticínios, ovos, frutos do mar, entre outros.

A principal influência de ênfase é a ética e consiste em defender os direitos animais, considerando a tortura e matança desnecessárias e responsáveis pela destruição da natureza.

O segmento deste tipo de alimentação ainda é carente em Maceió, mas aos poucos ganha novos adeptos da culinária vegana. A empresária estrangeira Nídia Battaglia é vegetariana e há mais de 30 anos trabalha no ramo com comidas veganas. Ela contou que quando chegou à capital alagoana pouco ou nada se falava sobre a alimentação específica, mas que a realidade atual é outra.

“São poucos os estabelecimentos que oferecem alimentação vegana no Estado, em Maceió, sou a única. Meu restaurante é vegetariano, mas a maioria dos pratos são veganos, posso dizer que mais de 80% deles”, disse. A empresária lembrou que muitos estão optando pela linha de alimentação vegana não somente por problemas de saúde, mas, sobretudo os jovens, estão tendo mais consciência de cuidar do planeta.

“As pessoas tratam os animais como verdadeiras fábricas de carne não se cuidam deles, e isso é muito triste, não respeitam a vida, há também as questões religiosas e filosóficas que acabam por atrair consumidores veganos”, explicou.   

Os entrevistados pela reportagem embora não fossem veganos disseram que sentem atração pela alimentação e afirmam ser saborosas e essenciais também para o organismo. A professora Isabele Rocha não tem uma dieta especifica, ela diz que come de tudo, mas que se alimenta com qualidade por questões de saúde. “Não sou restrita a carne e derivados dela, mas muitas vezes prefiro me alimentar com pratos saudáveis ricos em legumes, verduras e cereais”, frisou. “Não acho radical quem abre mão de alimentos do reino animal, são escolhas de não comer outro ser vivo que antes de morto passa por um sofrimento. Tenho uma sobrinha que adotou essa política e nunca teve problema de saúde por conta da opção”, ressaltou.

A bibliotecária Claudia Gatto diz que comida sem carne é saborosa sim, e contraria a opinião pública que considera alimentação vegana sem gosto. “Isso é mito, mas discordo quando a dieta é radical, o organismo precisa ingerir proteínas não encontradas nos alimentos veganos”, afirmou.

Juliana Carnaúba, professora, também diz que não é vegetariana ou vegana, mas que ama comida saudável e alimentação repleta de vegetais, legumes, frutas e cereais. “A proteína é importante, mas se for suprida por outros não vejo problema”, enfatizou.

Ausência de cardápio vegano fez jovem vender pela internet

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Hewryanne Barreto que é vegana há dez anos teve a ideia de fazer em casa sob encomenda pratos veganos pela carência deste tipo de alimentação em Maceió. Ela começou a divulgar seu menu pelas redes sociais e comemora o crescimento.

A jovem que está no último ano do curso de biologia, já pensa em abrir o próprio negócio, e assim, estimular ainda mais pessoas contra a matança de animais e desmitificar que a comida vegana não tem sabor.

“Trabalhava antes em eventos e fui abrangendo na medida em que o pessoal ia provando e gostando, hoje a demanda é bem maior e com a ajuda das redes sociais até mesmo turistas vão sabendo onde encontrar a alimentação vegana”, disse.

O foco da Hewryanne Barreto é o kit festa bem procurado, segundo ela, sobretudo nos períodos das datas comemorativas. “São muitas as pessoas que não se preocupam com a questão da sustentabilidade, falta informação até mesmo quando se refere a ausência de proteína este tipo de alimento específico, elas podem substituir a carne pelo feijão e o arroz, por exemplo. Sei que a dieta vegana não tem proteína como a vitamina B12, mas pode-se fazer a suplementação manipulada”, defendeu.

Questionada sobre a alimentação ter um valor mais elevado se comparada a outra comum, ela destaca que não é verdade. “Todos podem ser veganos, agora quem quer sofisticação realmente dói no bolso. Não custa caro basta querer fazer porque os legumes, verduras e cereais são acessíveis a qualquer um”, garantiu.

Hewryanne Barreto lembra que vende ainda hambúrguer de caju com grão de bico, carne de jaca verde, falso camarão com ingredientes refolgados, patês e muito mais. Sua página no Facebook ‘Amanita Veg’ tem vários seguidores e ela explica que este é o nome cientifico de um cogumelo, que é alucinógeno e quem provar os pratos por ela elaborados vai ter uma explosão de sabores ao prová-los.

A irmã dela Hammolecheth Barreto disse que até tentou, mas não resiste a uma carne. “Minha mãe foi quem ficou super preocupada com a mudança dela, e tratou de levá-la num nutricionista, que pelo contrário disse que minha irmã estava saudável e que continuasse a comer esta alimentação saudável vegana”, revelou.

Hewryanne Barreto frisou que nunca teve problema de saúde por conta da dieta vegana e comenta que as pessoas conseguem viver sem carne. “Leio bastante e vejo que há muitos artigos neste sentido, tudo é mito, no meu caso é uma questão politica pela causa animal”, mencionou.

Ela garante que quem prova não larga mais e repete as encomendas, e por falar nelas, Hewryanne diz que podem ser feitas três dias antes por meio das redes sociais (Facebook e Whatsapp) ou e-mail.

Dieta vegana é benéfica desde que vitamina B12 seja suprida

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A nutricionista Alessandra Gama alerta que vários estudos indicam que uma dieta equilibrada onívora não se difere tanto em prós e contras de uma estritamente vegetariana, no entanto a dieta vegana pode ser benéfica à saúde desde que a vitamina B12 seja suplementada, porque segundo ela, a mesma é predominantemente encontrada em alimentos de origem animal, principalmente na carne.

A profissional explica que existem três principais formas de dietas vegetarianas, classificadas de acordo com os alimentos presentes no cardápio: ovolactovegetarianismo, vegetarianismo semiestrito e o vegetarianismo estrito.

Ela detalha que o ovolactovegetarianismo, por exemplo, é uma dieta composta por alimentos de origem vegetal, ovos, leite e derivados deles, abstendo-se de todos os tipos de carne.

Já o vegetarianismo semiestrito exclui quase todos os alimentos de origem animal, abrangendo somente o mel, ovos ou leite.

Mas, o vegetarianismo estrito, também conhecido como veganismo, é uma dieta em que se baseiam os hábitos alimentares daqueles que não consomem e nem utilizam nada que advenha da exploração, do padecimento ou da morte de qualquer animal.

Alessandra Gama ressalta ainda que cientificamente muito se discute sobre os benefícios e implicações inerentes ao vegetarianismo, porém a mais controversa das pesquisas encontra-se relacionada ao veganismo, visto que, os hábitos alimentares veganos são considerados, por alguns estudiosos, demasiadamente radicais e privados de nutrientes essenciais ao equilíbrio do organismo.  “Dessa forma muitas dúvidas pairam sobre tipo de dieta vegana e vegetariana, se realmente é adequada e capaz de atender as necessidades nutricionais do ser humano e se é  benéfica a saúde”, ponderou.

Estudos mostram que a dieta vegana, por não conter produtos de origem animal é isenta de colesterol, baixa em gordura (especialmente gordura saturada) e rica em fibras, vitaminas e minerais. Alessandra diz que isto significa uma provável diminuição no risco de doenças como arteriosclerose, infarto, derrame, diabetes, câncer, constipação. E ainda, por eliminar alimentos altamente contaminados por antibióticos, hormônios, pesticidas, além de alimentos alergênicos como o leite, este estilo alimentar também evita o surgimento de diversos tipos de alergias e intolerâncias.

Faltam de vitamina B12 pode causar várias doenças

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A nutricionista declara que existe um componente dos produtos de origem animal que não é encontrado em nenhum outro alimento, a vitamina B-12 ou cobalamina. “A falta desta vitamina, muito recorrente em veganos, é responsável por doenças sanguíneas e nervosas, podendo causar anemias ferropriva, irritação, depressão, amnésia e consequentemente sendo prejudicial à saúde”, avisa.

Gama salienta que a vitamina B12 é uma vitamina hidrossolúvel, que ajuda na formação das hemácias e na manutenção da atividade do sistema nervoso. Sua deficiência é rara, entretanto, pode ocorrer em idosos e em vegetarianos devido à má absorção pelo organismo ou por falta da ingestão de vitamina, ácidos gordos essenciais, ferro, zinco, cálcio, iodo e vitaminas B12 e D, que estão presente em ovos, carnes e leite.

A especialista finaliza elencando a necessidade da suplementação das vitaminas para que a alimentação seja completa, equilibrada e variada. “Alimentos como cereais, hortícolas, fruta, leguminosas, frutos gordos, sementes e os seus derivados deverão estar contemplados no dia alimentar do padrão vegano e vegetariano. Deve ser assegurada uma ingestão energética adequada. A inclusão de alimentos energeticamente densos como leguminosas (feijão, lentilhas, grão de bico, favas, etc.) e seus derivados, frutos gordos (nozes, amêndoas, avelãs, etc.) e cremes de frutos gordos (manteiga de amendoim, creme de avelãs, etc.) poderá ser vantajosa. Para que as necessidades proteicas sejam atingidas é essencial que a ingestão energética seja adequada e exista variedade nos alimentos ingeridos, nomeadamente alimentos ricos em proteína, como as leguminosas, quinoa, amaranto), cereais integrais, laticínios (ou alternativas vegetais)”.

“A combinação de fontes proteicas de diferentes grupos de alimentos como frutos gordos, sementes, cereais e leguminosas deve ser encorajada. É essencial garantir uma ingestão adequada de alimentos bons fornecedores ou fortificados em cálcio, tais como hortícolas de cor verde escura, laticínios ou alternativas vegetais, soja e seus derivados, caso essa ingestão não seja adequada faz-se necessário o uso da suplementação”, concluiu.  

 

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