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Mundo

16 Março de 2017 - 17:49

Morador de Rondônia morre afogado ao tentar entrar ilegalmente nos EUA

Afogamento ocorreu em travessia nas águas do Rio Grande, no México
Jeferson Carlos / G1
Morador de Jaru estava sem mandar notícias desde fevereiro (Foto: Arquivo Pessoal) Morador de Jaru estava sem mandar notícias desde fevereiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Um morador de Rondônia morreu afogado enquanto tentava uma travessia ilegal para os EUA pelas águas do Rio Grande, na cidade de Novo Laredo, no México. Segundo familiares, Júlio Barcellos, de 35 anos, estava sem mandar notícias para casa desde o final de fevereiro e a confirmação da morte foi feita nesta semana pelo Itamaraty, que está acompanhando o caso.

O irmão de Júlio, Ananias Barcellos, relatou ao G1 nesta quinta-feira (16) que o último contato com irmão foi realizado na noite do dia 25 de fevereiro, quando ele se preparava para iniciar a travessia da fronteira.

"Foi tudo muito rápido a nossa conversa, mas ele demonstrava confiança e disse que estava passando por Monterrey e que iria desligar o telefone para em seguida poder iniciar a tentativa de atravessar o rio", comenta o irmão, que mora em Jaru.

A partir daquela noite, Ananias passou a conviver com a angústia de não saber se o irmão conseguiu realizar a travessia e nem sobre como estaria Júlio. Até que a confirmação surgiu na última segunda-feira (13), após ele receber uma ligação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e constatar que o irmão havia morrido.

"Recebi a ligação do Itamaraty por volta das 15h de me disseram que havia um corpo de um homem não identificado em uma funerária na cidade de Monterrey e então enviei algumas fotos a eles, onde posteriormente foi confirmado que se tratava do meu irmão", contou.

Segundo Ananias, o Itamaraty ainda informou que o corpo de Júlio não apresentava nenhuma marca de agressão ou perfurações e que provavelmente a causa da morte seria um afogamento, ocorrido durante a travessia do rio.

Júlio morreu quando atravessava rio no México (Foto: Arquivo Pessoal)

O irmão conta que esta seria a segunda vez que Júlio tentaria a travessia ilegal para os EUA. Na primeira tentativa ele conseguiu passar ao lado americano, viveu no país durante nove anos e retornou para visitar os parentes. A família conta que agora depende de recursos financeiros para poder trazer de volta o corpo de Júlio Barcellos até o município de Jaru, onde será feito o velório e sepultamento.

Procurado, o Itamaraty informou que os consulados do Brasil na Cidade do México e em Houston estão cientes do caso e estão em contato com a família para auxiliar o traslado do corpo. O órgão ainda disse que por respeito à intimidade da família, não é possível divulgar mais informações sobre o caso.

Outros desaparecidos de RO

No início do ano, o Fantástico, da Rede Globo, mostrou a história sobre o desaparecimento de um grupo de brasileiros que embarcaram até Nassau, capital das Bahamas, de onde partiram para a travessia. Entre eles estariam três rondonienses.

A embarcação com dois barqueiros cubanos, 12 brasileiros, cinco dominicanos e dois norte-americanos saiu em direção a Miami, nos Estados Unidos, no dia 6 de novembro e após isso não houve mais informações sobre o paradeiro de todos. Entre os desaparecidos estavam três rondonienses.

Almir Vital, de 34 anos, também morador de Jaru, um amigo que morava em Ouro Preto do Oeste (RO) e um jovem de 20 anos que morava em Ji-Paraná (RO) estavam na embarcação que tentava chegar ao lado americano. Dois irmãos de Almir tentariam realizar a travessia ilegal para os Estados Unidos juntos, mas devido ao sistema de divisão de passageiros em cada embarcação, Almir acabou indo primeiro do que eles, que retornaram ao Brasil após não terem mais contato com o irmão.

José Humberto Vital, contou ao G1 que após dois meses ainda não recebeu nenhuma informação sobre o paradeiro do irmão por parte do Itamaraty e que conhecia Júlio Barcellos da tentativa de travessia pelo mar das Bahamas.

"Ele estava conosco nas Bahamas para tentar passar pela fronteira, mas como ocorreram os problemas para embarcar acabamos não indo naquela oportunidade em que meu irmão desapareceu. Depois disto resolvi retornar para o Brasil e ele decidiu tentar novamente a travessia, mas desta vez pelo território mexicano ao atravessar o rio", comenta.

Operação Pirata do Caribe

A Polícia Federal (PF) prendeu no dia 13 de janeiro em Ji-Paraná RO, durante a Operação Piratas do Caribe, uma pessoa suspeita de participar de uma organização criminosa de 'coiotes' responsável por levar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos (EUA). Os policiais também cumpriram um mandado de busca e apreensão em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari.

A Operação foi deflagrada nos estados de Rondônia, Santa Catarina e Minas Gerais. Segundo o delegado da PF, Raphael Baggio de Luca, a ação tem o objetivo de desarticular uma ramificação brasileira de uma organização criminosa que transporta brasileiros de forma ilegal ao exterior, principalmente aos Estados Unidos, via Bahamas.

PF fez Operação Piratas do Caribe no início do ano(Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Cerca de 30 policiais participaram da operação no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva nos três estados. De acordo com a PF, a operação é resultado de investigações que começaram a partir do desaparecimento de um brasileiro que teria tentado entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

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