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Cidades

10 Janeiro de 2017 - 09:21

Casos de zika cresceram quase 3.000% no ano passado em Alagoas

Infectologista diz que medo da doença é justificável e que mulheres devem estar atentas
Ana Paula Omena
Para mulheres que desejam engravidar, a recomendação é de que se aguarde pelo menos seis meses Ilustração Para mulheres que desejam engravidar, a recomendação é de que se aguarde pelo menos seis meses

Os números divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) Alagoas são assustadores envolvendo o zika vírus no Estado. Dados surpreendem indicando um crescimento de quase 3.000%, enquanto em 2015 foram registrados 272 casos da doença, no ano passado o quantitativo desconcertou para 8.026.    

Fernando Andrade, médico infectologista, percebeu que a preocupação das mulheres aumentou, e elas têm chegado ao consultório com o receio de engravidar. As dúvidas são semelhantes, segundo ele, na maioria das vezes elas querem saber se quem teve zika pode engravidar.

“O medo é justificável”, lembrou. “A gente sabe que o zika é um vírus que pode transmitir microcefalia, entre outras alterações, enfim sabemos que na prática a pessoa que é infectada fica em alguns meses com o vírus circulando no organismo, então é preciso tomar esse cuidado de não engravidar quando exista a possibilidade da mulher ter tido zika há pouco tempo”, observou.

O infectologista disse também é não se deve deixar de engravidar por causa do receio, mas é necessário tomar cuidado, se for o caso até adiar um pouco para não correr risco. “Até onde se sabe quem teve zika não corre o risco de ter novamente. Se a mulher estiver grávida e tiver o zika vírus na gestação afeta diretamente o bebê, o que pode provocar o abortamento, microcefalia, retardamento mental da criança, entre outros que podem acontecer”, explicou.

Conforme Fernando Andrade, não se sabe ao certo depois de quanto tempo que a mulher teve zika é possível tentar uma gravidez, a recomendação atual é de que a mulher aguarde pelo menos seis meses. “Embora não se tenha uma certeza disso, porque o vírus é uma doença nova que não é conhecida na sua totalidade ainda. Na prática, já que a doença não apresenta tantos sintomas é que a mulher caso suspeite, faça o exame que detecta se ela teve zika ou não”.

“A mulher que comprovadamente nunca teve zika é queira engravidar que se tente, mas deve-se ter extremo cuidado para que não seja picada pelo mosquito durante a gestação. A que teve zika tem que observar o período para não engravidar”, completou.       

De acordo com a Secretaria, a ação mais efetiva para combater o mosquito é, sem sombra de dúvidas, a eliminação dos focos. Por isso, é importante descartar corretamente todo e qualquer recipiente que possa acumular água parada. Pratinhos com vasos de planta, ralos, baldes, garrafas, calhas, pneus e até brinquedos podem ser os vilões e servir de criadouros para as larvas do mosquito.

Como também, devem monitorados periodicamente e/ou eliminados, no caso dos pneus, por exemplo. É importante verificar se a caixa d’água está vedada, a calha totalmente limpa, pneus sem água e, em lugares cobertos, garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo, entre outras pequenas ações que podem evitar o nascimento de larvas do mosquito Aedes aegypti.

Estratégia

Sesau vem atuando na capacitação de agentes de saúde pelos municípios  

Além destas medidas que todos devem colocar em prática em suas residências, nos locais de trabalho e repassar para os vizinhos, a Sesau tem atuado na capacitação sistemática dos agentes de endemias municipais, prestando assistência técnica as 102 Secretarias Municipais de Saúde. Também tem investido em mecanismos para combater os focos do mosquito, como o aplicativo Juntos pela Saúde, onde é possível denunciar locais onde há proliferação do Aedes aegypti.

Outra estratégia adotada é a utilização de drones que começaram a ser utilizados há poucos dias. A tecnologia tem sido uma grande aliada no combate ao mosquito Aedes aegypti em Maceió. Nos locais de difícil acesso como coberturas de prédios, casas fechadas e terrenos abandonados, as equipes de agentes de combate a endemias contam com a ajuda desses equipamentos com uma câmera para monitorar os locais de difícil acesso.

A principal orientação é combater o Aedes aegypti, que é transmissor do zika vírus, que pode provocar a microcefalia. Para isso, é necessário eliminar os focos do mosquito. Paralelo a essa medida primordial, as gestantes devem utilizar repelentes para evitar picadas do mosquito vetor e também é recomendado utilizar roupas que protejam todo o corpo.

Os riscos de se contrair uma das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti é igual para todos, sejam gestantes ou não, dependendo da exposição ao vetor. Estudos têm demonstrado que o zika só afeta os humanos uma vez. Informações sobre a forma de como o zika vírus afeta os bebês estão ocorrendo desde a vinculação com a microcefalia, mas já existe uma tese que mostra que o vírus afeta os bebês quando contrai a doença durante a gravidez. É importante ressaltar que a microcefalia também pode estar associada a outros problemas durante a gravidez, como o uso de drogas pela gestante e a sua exposição a agrotóxicos, por exemplo. (Com assessoria)

 

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