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Economia

10 Janeiro de 2017 - 08:11

Verão abre alta temporada de turismo estrangeiro no Brasil

Estimativa da Embratur prevê mais de 2,4 milhões de visitantes do exterior até o final da estação
Cash Milhas
Litoral norte: Maragogi reserva uma das águas mais cristalinas do Estado de Alagoas Divulgação Litoral norte: Maragogi reserva uma das águas mais cristalinas do Estado de Alagoas

Com cerca de 7 mil quilômetros de costa e clima tropical, o Brasil atrai admiradores do mundo todo durante o ano, mas é no verão que mais pessoas se rendem as belezas naturais e ao caloroso charme do país, fazendo da estação a época mais aguardada pelo setor de turismo, desde as grandes companhias até os pequenos comércios regionais, especialmente os que se encontram a beira-mar. O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) espera, para os próximos meses, um aumento de cerca de 11% no número de estrangeiros que visitam o Brasil em relação ao verão passado. Notícia animadora em um período difícil: mesmo com as Olimpíadas e as Paraolimpíadas Rio 2016, o quadro econômico não foi dos melhores devido à crise que o país enfrenta nos últimos anos.

Aquecimento econômico

Diante das previsões positivas diversos setores já se preparam para atender a demanda turística, tanto estrangeira quanto nacional. Dados divulgados pelo Ministério do Turismo (MTur) apontam que até outubro de 2016 os gastos de turistas estrangeiros no Brasil acumularam o valor de mais de 5 bilhões de dólares – 6,57% a mais em comparação com o mesmo período de 2015. A expectativa é que o saldo da receita se mantenha positivo neste ano. Estima-se que entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017 os gastos acumulem um total de mais de 6,5 milhões de reais.

Em vista disso, o setor aéreo, um dos segmentos mais afetados pelo encolhimento do mercado, se mantém otimista e já reforça sua malha para atender a alta demanda impulsionada pela estação e as férias coletivas e escolares, visando recuperar os baixos rendimentos obtidos em 2016. Outros setores apostam suas fichas na alta temporada, especialmente o comércio. Com a desvalorização do real diante da crise econômica e da instabilidade do dólar, o mercado brasileiro se torna um atrativo a mais para os que vem de fora.

Principais destinos nacionais

O litoral é sem dúvidas o destino mais atraente do Brasil, o estudo do MTur revela que na escolha dos estrangeiros o Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC) lideram a preferência entre os lugares mais cobiçados pelos visitantes que, na maioria, vem de países como Argentina, Estados Unidos e Chile. A capital carioca, que está em primeiro lugar no ranking, atrai milhões de pessoas para a comemoração do Réveillon na praia de Copa Cabana e a visita ao Cristo Redentor, além de suas famosas praias, mas Florianópolis também domina a preferência dos nossos vizinhos, especialmente dos argentinos.

Maior fluxo no Sul do Brasil

Dos 6,3 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2015, mais da metade veio da América do Sul e, entre eles, a liderança é Argentina, que se concentra, em maior parte, na orla de Santa Catarina que, além de possuir belas praias, ainda atrai pela proximidade. Segundo previsão do MTur o fluxo de argentinos na capital catarinense deve ser por volta de 1,4 milhão – 25% maior do que no último verão. O estado espera receber quase 9 milhões de turistas brasileiros e estrangeiros nessa temporada.

Entraves do turismo nacional

O Brasil já é considerado um dos principais destinos de turistas do mundo todo. Várias praias nacionais figuram entre as melhores e o país venceu recentemente a categoria de atrativos naturais em um estudo realizado pelo Instituto Internacional de Pesquisas e Inteligência de Mercado, o Ipsos, sobre as principais qualidades da região, com líderes de opinião e jornalistas de 15 países latino-americanos. No entanto, apesar do cenário paradisíaco e das previsões otimistas, os números do segmento turístico não são muito expressivos quando comparado em escala global.

Além do corte em investimentos e a falta de propaganda no exterior, o especialista no setor de milhas aéreas, Francisco Lobo, aponta outros fatores que impedem que o país avance atualmente: “O Brasil concorre com países caribenhos por suas paisagens naturais, porém não tem condições de oferecer a mesma qualidade em infraestrutura e competitividade nos preços. Com a crise, por exemplo, vários voos foram suprimidos e isso se reflete no valor das passagens repassadas ao consumidor”.

Com relação a outros países como o Chile, por exemplo, os indicadores brasileiros ainda estão muito baixos. Para se ter uma ideia, os americanos estão entre os turistas que mais viajam pelo mundo, mas o Brasil ocupa apenas o 25º lugar no ranking dos destinos mais procurado por eles, para o diretor da empresa Cash Milhas essa posição deve-se sobretudo aos preços elevados da ponte aérea, que além da distância ser maior em relação aos países do Caribe, ainda são agravados pela crise e retração no setor.

Cenário conturbado

O setor aéreo tem amargado os efeitos negativos da crise econômica que o país enfrenta atualmente e, até dezembro, já acumulava mais de um ano de retração, nos quais o número de passageiros em busca de voos domésticos e internacionais nas companhias aéreas brasileiras decrescia continuamente, o que, segundo Lobo, diminui a oferta de assentos e eleva as tarifas consequentemente. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) prevê uma queda de 8% em comparação com o período anterior. Mas, apesar desse recuo, a alta temporada de verão e as previsões otimistas reforçam as expectativas das empresas brasileiras, que abriram novas rotas e voos extras para atender a demanda esperada durante a estação.

Turismo doméstico ainda é principal pilar do segmento

As paisagens naturais são dignas de qualquer cartão postal e colocam algumas praias do litoral brasileiro entre as melhores do mundo. Apesar disso o Brasil ainda está em 45ª posição no ranking de países que mais recebem visitantes estrangeiros, e não é apenas pela distância dos maiores emissores de turistas, mas também por falta de infraestrutura adequada e investimentos no setor. Segundo especialistas, países distantes como a África do Sul tem um índice mais elevado que o Brasil.

Por isso, o segmento turístico brasileiro depende muito do turismo nacional que, diferente do comércio, tem conseguido manter a receita positiva mesmo diante dos percalços da economia do país. O fluxo de viagens nacionais pelos próprios brasileiros cresce e aquece o setor – O MTur prevê mais de 73 milhões de viagens internas nessa temporada, que promete movimentar cerca de R$ 100 bilhões na economia. 

Segundo um levantamento feito pelo Ministério do Turismo (MTur), 80% dos brasileiros que irão viajar nesse verão não pretendem deixar o país. Motivados pela crise e a necessidade de economizar nessas férias, 8 em cada 10 pessoas optam por destinos nacionais para aproveitar o calor intenso da estação sem apertar o orçamento. A escolha não é muito diferente dos estrangeiros, o clima quente pede sol e mar, e nessa categoria o país não deixa a desejar.

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