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Cidades

09 Janeiro de 2017 - 11:39

Sindapen diz que filho de Braga Neto é advogado de chefes do PCC em Alagoas

Filho do juiz de execuções penais, Hugo Braga visitaria membros de facção há dois anos
Bruno Martins
Coletiva ocorreu na sede do Sindapen (Foto: Sandro Lima) Coletiva ocorreu na sede do Sindapen (Foto: Sandro Lima)

Na manhã desta segunda-feira (9), o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas (Sindapen/AL) convocou entrevista coletiva em sua sede no bairro da Serraria para denunciar uma situação que ocorre há cerca de dois anos. De acordo com o sindicato, o advogado Hugo Soares Braga, filho do juiz de execuções penais José Braga Neto, realiza visitas frequentes a membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) detidos no sistema prisional do estado. Além das visitas, o Sindapen relata que vários envolvidos com a facção estariam conseguindo regalias, como transferências do Presídio do Agreste para a capital, onde a segurança é menos reforçada e não existe bloqueio de sinal de celular. O sindicato citou 15 casos constatados.

Segundo o presidente do sindicato, Kleyton Anderson, as visitas a membros da facção pelo advogado ocorrem desde antes dele ser formado, na época de estagiário. “Ele é o advogado dos principais chefes do PCC no estado”, afirmou. Kleyton disse que o livro de entrada do sistema mostra as requisições do advogado para realizar visitas aos reeducandos do grupo criminoso. O levantamento feito pelo sindicato foi feito do meio até o final de 2016.

O presidente do Sindapen relatou que, no entanto, Hugo Soares não assina os processos. “Isso seria um descaramento, está vedada totalmente em lei a atuação dele com o pai como juiz de execuções penais”, pontuou.

As visitas ocorreriam frequentemente a muitos reeducandos que terminam conseguindo facilitação de situações benéficas, como transferências e outras regalias, como uma melhor alimentação.

(Foto: Sandro Lima)

Livro de controle mostra visita do advogado a José Luciano que seria do PCC

O sindicato vai entrar com requerimento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na corregedoria do Tribunal de Justiça de Alagoas denunciando a situação. Kleyton acredita que a ação no CNJ deve ser realizada antes por causa da maior autonomia do órgão federal.

Kleyton Anderson citou um exemplo que pode acarretar um problema ético, caso o filho pedisse a soltura de um reeducando e o pai fosse o juiz do caso. “Fica complicado a gente entender que não pode acontecer um caso de corrupção lá na frente. O filho dele atuando para os maiores traficantes do PCC, isso é comprovado. E o pai dele julgando se vai ter alvará ou não”, frisou.

O Sindapen afirmou que o sistema prisional alagoano conta com 4 mil reeducandos e 90% deles integrariam facções criminosas. 60 a 70% seriam do PCC, o que daria mais de 2 mil pessoas, e fariam parte do grupo que coopta a maioria dos detidos. E os líderes dentro do sistema seriam de 8 a 10 envolvidos com a facção

“O juiz de execuções penais vai pra mídia dizer que o agente penitenciário é corrupto, que os celulares entram através dos agentes. Corrupção há e em todo lugar, porém apenas um caso de corrupção foi comprovado. A maioria entra através de visita. A tecnologia é muito fraca pra pegar certo tipo de material. Vemos esse tipo de situação em que há esse favorecimento do filho. A corrupção pode estar do outro lado”, declarou o presidente do Sindapen.

Quatro reeducandos visitados foram citados pelo Sindapen: José Luciano, Paulo Gordo, Jaconias (que seria um dos líderes do PCC e já teria ficado em vários presídios do estado de São Paulo) e Francisco o ‘químico’.

Motins

Com os acontecimentos no Amazonas e em Roraima, o Sindapen disse que é possível controlar pequenos motins, porém se houver uma rebelião geral, os agentes só conseguem resolver a situação com apoio de guarnições militares, como o Bope ou o BPGd.

“Foram apreendidas 200 facas artesanais, celulares. Estavam se armando para acontecer o que ocorreu no Amazonas, o pessoal lá comenta. O PCC manda acontecer, não tem como garantir com o efetivo que há hoje a segurança do sistema prisional. O efetivo médio das unidades é de 5 a 10 agentes par um número muito elevado de reeducandos”, encerrou Kleyton Anderson.

A reportagem do Tribuna Hoje tentou entrar em contato com o juiz Braga Neto, porém as ligações não foram atendidas.

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