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  • Alagoas, de 2013
Blog/ Daniel Nunes

18/06/2013 09:44

Já participei de muitos movimentos estudantis, pela minhas contas foram mais de 18 anos, começando com a fundação do Centro Cívico da Escola Senador Rui Palmeira(PREMEM) em Arapiraca, pela UESA, pelo Diretório Acadêmico da atual UNEAL, terminando no DCE da UFAL, em minha segunda graduação. Gostava, sentia que podia mudar alguma coisa.

Confesso de fiquei surpreso com a mobilização destes jovens de hoje, mas logo me lembrei dos tempos velhos tempos e pensei: “nada mais normal”.

O movimento não tem contornos políticos definidos, vai de anarquistas até a turma da festa, mais uma vez: “nada mais normal”. Cada geração tem seu apogeu juvenil.

A juventude é a grande alheia às decisões, precisa participar. Onde estão as quadras esportivas nos núcleos do “minha casa minha vida”, onde está o apoio mais decisivo à cultura, e a aceleração dos investimentos em transporte público? “Abaixo o possível, queremos o impossível”

Nós que antes estávamos lá na frente da marcha precisamos aceitar a necessidade de mudança e aperfeiçoamento das instituições.

 

Aqui cabe uma nota sobre a nossa polícia militar do Estado de Alagoas, conversando com o chefe do CGCDHPC, Oficial Givaldo, este me informou que o tratamento da polícia alagoana aos protestos seria dentro da doutrina nova e já tradicional da PM/AL com movimentos sociais: não uso de aparatos ostensivamente repressivos e diálogo, parabéns para a PM alagoana. A tranquilidade com os protestos estão acontecendo em Maceió são um testemunho do trabalho da PM/AL.

12/06/2013 10:02

É engraçado, ninguém se lembra de cobrar deveres das pessoas, quando fazemos todos protestam. Sim, todos pensam apenas nos “meus direitos”.  Todos querem ser empresários, profissionais, servidores públicos: políticos, policiais, delegados, fiscais, promotores, juízes, bancários, embaixadores...  Nossos filhos querem iphones, tablets, laptops, mesada, dirigir aos 16 anos.

Entretanto, ninguém quer pagar o preço de todas as responsabilidades que os direitos impõem. Parece que vivemos em uma “utopia” adolescente, imaginada na geração que viveu sob a ditadura: muita liberdade e pouca responsabilidade.

Estamos agora na fase em que caímos na real. Tudo parece estar dando errado em nossos relacionamentos afetivos e coletivos, então, muitos pensam que fomos longe demais ao gozo das liberdades.

Acredito que esta visão é equivocada, penso que nos falta uma clara visualização de nossos deveres. Despojamos-nos da culpa católica sufocante e em seu lugar, no nível da temperança, nada está sendo reposto.

Debate estranho para muitas pessoas da geração que viveu sobre a égide de uma cultura autoritária, um medo guardado no fundo da alma. Medo que precisamos exorcizar.

Em 1988, com a Constituição, criamos um estado democrático de direito, com direitos e deveres, está na hora de exercitamos os deveres.

28/12/2012 11:18

Quando era menino em Arapiraca meu pai falava da seca de 1970, na época tinha apenas 4 anos, e do costume arapiraquense de colocar um saco de farinha na porta com uma cuia de zinco e assim atender aos necessitados da terra que, minha mãe chamava de "flagelados da seca" e o povo da rua de "mago e nú". Arapiraca nem ficava no sertão alagoano, mas sentia o peso da cruel seca.

Em outra seca, 1982 acho, o mercado de farinha de Arapiraca foi saqueado pelos pobres, com o claro objetivo de saciar a fome e fazer aquele mingau de farinha - tão famoso entre os famintos nordestinos da época". Depois vieram as frentes de trabalho, onde estes infelizes capinavam pedra. 

Estamos sem dúvida na maior seca dos últimos quarenta anos, e dela sabemos pelos serviços de meteorologia e pelas lamentações dos pecuaristas, mas não temos notícia de saques e levantes populares. Isto é estranho. Muito estranho. Acho até engraçado que este pensamento seja tão escasso nas páginas dos jornais.

Então, qual é a diferença política ou econômica entre a seca de setenta e a atual? Observando tudo acredito que a explicação é simples: Bolsa Família e o novo papel do Exercito Brasileiro na coordenação dos carros pipas. É claro que o Brasil evoluiu bastante, mas as raízes da mitigação da fome endêmica são os dois fatores acima indicados.

Aos pregoeiros da desigualdade nacional e dos privilégios de castas oligarcas e seu silêncio obsequioso, ansioso da volta do desamparo social e das muitas oportunidades que a servidão indiferente propicia, pergunto: “e eles se julgam cristãos”. É tempo de natal, pense nisto.

10/12/2012 10:44

A empresa alienígena Wal-Mart (Bompreço), com sede nos Estados Unidos da América, resolveu inovar e instituiu que quem estacionar no grande parque de estacionamento de sua loja na Buarque de Macedo terá que pagar (caro). O impacto de tal medida foi massivo na oferta de vagas naquela parte do centro de Maceió: estas sumiram rapidamente.

                Hoje, com alguma surpresa, fui privado de meu habitual estacionamento na Rua Roberto Ferreira e o culpado desta façanha foi a empresa sem nenhuma responsabilidade social, digo o Bompreço.

                Várias empresas americanas e europeias se salvaram de parte da última crise do subprime se fartando no sobre lucro gerado no Brasil, nesta relação vampiresca nós pagamos para que estas empresas sobrevivam. Os dirigentes destas empresas ao contrário de expressar gratidão, esmeram-se em inventar novas formas e chicanas para nos espoliar e tentar salvar seu declínio. O Banco Santander, outra empresa alienígena, com sede na Espanha, valeu-se do sobre lucro brasileiro para fugir da bancarrota e a paga é um número recorde de demissões, esta semana foram 11 em Maceió.

                O estacionamento no centro de Maceió já era um caos, como se fosse possível, esta situação piorou – muito! Algumas perguntas deveriam ser feitas: qual é a responsabilidade social das empresas com os brasileiros? Alguém está atento ao que está acontecendo?

 

21/06/2012 11:23

Os grupos e quadrilhas organizadas estão cada vez mais estruturados, trata-se de bandos numerosos, bem armados e com logística aprimorada. Alagoas tem um território pequeno e de fácil acesso por terra, mar e rios. São os dois mais marcantes fatos que fazem multiplicar a quantidade de assaltos, isto, logicamente aliado com a multiplicação da bancarização em curso no Brasil, centenas de promotoras de vendas de serviços financeiros e o Banco Postal.

A expansão do crédito é responsável pela nova geografia do ramo financeiro do Estado de Alagoas, onde, em praticamente todas as cidades e até em grandes povoados existem instituições financeiras, a maioria sem muita segurança. Este quadro encontra uma polícia ainda em fase de adaptação, sem o necessário planejamento para enfrentar a nova situação.

Existe um mau corporativismo policial assim como existe um mau corporativismo em todas as profissões. No meio policial este corporativismo se expressa negando colaboração entre as polícias, na inação por negação de responsabilidade (“este não é um problema meu”), entre outras manifestações.

A primeira medida é a existência de um banco de dados on line e moderno para balizar qualquer decisão. O banco de dados rompe com o corporativismo.

Para dar um basta da ação desmedida das quadrilhas e bandos armados é necessário constituir um grupo especial, bem informado e ágil, capaz de responder rapidamente e em qualquer parte do território á ações hostis. Ora, tudo isto existem em potência, basta ser efetivo. Regionalização de estruturas especializadas, inclusive aérea, é outra solução. 

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