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Cadu Amaral
22/05/2013 09:24
O Brasil é hoje uma dos países mais influentes do mundo. Estamos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – sigla em inglês). Temos uma das maiores economias, com forte mercado interno e com cada vez mais peso internacionalmente.
Dentro dos marcos do capitalismo, estamos com pleno emprego e, também diante dessa ótica, nossa democracia é tida como sólida e exemplar. (apesar de esse debate ser mais complexo do que isso!)
Somos exemplo para o restante do mundo em redução das desigualdades, sob todos os aspectos. Em suma, somos os que muitos gostariam de ser – mesmo países centrais na geopolítica mundial.
Mas então por que estamos tão atrasados em nossos valores? No Brasil, ainda debatemos se pessoas podem ou não ter os mesmos direitos civis se se relacionarem com o mesmo sexo, ou mesmo as empregadas domésticas que, apesar da recente PEC, ainda se discutem como “viabilizar” sua implementação. Sempre sob a ótica do patrão.
Como se alguém tivesse que se submeter a condições de trabalho que não queira. Não há ninguém que reclame da PEC das domésticas que aceitaria trabalhar nas condições em que elas trabalhavam antes da emenda constitucional.
Mesmo com todos esses avanços ainda há pessoas que reproduzem preconceitos de toda ordem. Seja contra nordestinos ou contra negros ou contra mulheres ou seja lá o que for que esteja fora do padrão branco, hetero, masculino e “nobre” das elites brasileiras.
Se o tema são as cotas, fala-se em meritocracia. Como se meritocracia não fosse uma ilusão. Como cobrar o mesmo rendimento escolar – no caso – entre duas pessoas com condições de vida totalmente distintas.
Um vai à escola de carro; o outro, de ônibus – não incomum se pega duas ou mais conduções, pelo menos nas grandes cidades. Um mora em um bairro onde se pode dormir sossegadamente; o outro precisa chegar em casa cedo por causa do toque de recolher. Um dorme de oito a dez horas por dia; o outro quando dorme cinco é por causa do feriado.
Um não trabalha, seus pais pagam seus estudos; o outro trabalha o dia todo e estuda a noite ou estuda pela manhã e trabalha o restante do dia. Um se alimenta corretamente. Faz pelo menos três refeições; o outro mal come um pão seco na correria para pegar o transporte público que se ele perder, não chega ao trabalho.
Como utilizar a meritocracia para escolher entre um e outro? Em um exame onde um está descansado, bem alimentado e tranquilo e o outro está cansado, faminto e tenso.
Ainda estamos tão atrasados que debater o gozo alheio é tema polêmico e pode decidir até eleições. Se não fosse assim, relações homo afetivas não seriam nem pauta. Em lugar algum, em mídia alguma.
Ainda somos tão atrasados que os negros à marginalidade. A maioria dos negros no Brasil é pobres, fruto da barbárie cometida por anos a fio no país. Essa linha de pensamento é resquício dos tempos da escravatura. “negro é subgente”. Tem muita família branca das coberturas de orla marítima que não permite que seus filhos de olhos azuis se relacionem com pessoas negras. Não é à toa o ódio ao Programa Bolsa Família.
No fundo, no fundo o pensamento é assim: eles que se virem ou dar dinheiro a essa gente preguiçosa. E isso com uma negra lhe servindo o café da manhã.
Sem contar que as pessoas não podem ter conquistas, lutar por direitas ou melhores condições de vida se não comerem, vestirem ou morarem. Sem essas condições básicas, a exploração se torna ainda mais fácil. Ainda somos atrasados em diversas questões por que nossa classe dominante é atrasada. Cada sociedade reproduz os valores da classe dominante e a classe dominada segue na mesma lógica. O velho Marx tinha razão.
21/05/2013 09:01
Não para de sair faísca dos bicos tucanos de alta plumagem. Na convenção que “elegeu” Aécio Neves Presidente nacional do PSDB, José Serra, seu mais íntimo adversário falou, falou , falou e não citou seu nome. Assim como Aécio em seu primeiro discurso no Senado como nome do partido para enfrentar Dilma em 2014 não usou as palavras povo, gente, emprego, desigualdade em 30 minutos de blá, blá, blá.
Se o tucanato tivesse alguém com a rapidez de pensamento do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) indagaria Serra mais ou menos da seguinte forma: O senhor falou por não sei quanto tempo. Falou em unidade da oposição, mas não citou o pré-candidato do partido e, ao fim dessa convenção, nosso presidente nacional, Aécio Neves?
Diversos são os tucanos que não aceitam a dieta de pão de queijo. Entre eles o senador por São Paulo Aloysio Nunes. A “grande imprensa” paulista segue na mesma toada. Sempre vale o “Só São Paulo salva”.
Aécio quer ser presidente do Brasil, mas não consegue ser aceito em seu ninho. O tucano do bico velho, FHC, diz que está com o senador mineiro-carioca (ou será carioca-mineiro?) para o que der e vier. Mas já afirmou que não aparecerá diretamente na campanha em 2014. A prática é o critério da verdade e comparação entre os legados dos governos FHC e Lula / Dilma é algo que deve dar muita dor de cabeça ou no bico dos tucanos.
Cabeça que serve para pensar muitas maldades. O melhor exemplo foi a campanha suja de boataria contra Dilma em 2010. Boataria igual a essa sobre o Bolsa Família. Não dá pra acusar o alto ninho tucano de responsabilidade pelos boatos que ocasionaram tanta confusão, mas que o estilo é parecido, isso é! Viva a pregação do medo.
Agora é esperar o resultado da rinha de tucano e os desdobramentos, dentro e fora do PSDB, que ela vai provocar no cenário eleitoral do ano que vem.
17/05/2013 08:52
O clima eleitoral do ano que vem está a cada dia mais quente. Em âmbito nacional, mesmo com algumas peças ainda procurando seu lugar, o tabuleiro já começa a ter uma forma e com ela, o calor da disputa aumenta. PSDB insiste, pelo menos oficialmente, em Aécio Neves. O PSB tenta se valorizar e, se possível, lançar Eduardo Campos, Marina Silva, defende Feliciano e tenta organizar seu partido a tempo da disputa e por aí vai.
Em Alagoas algumas peças já se colocaram no tabuleiro eleitoral de 2014. Mas sem definir seu lugar no quadro. Teotônio Vilela (PSDB) deve ser candidato ao Senado, mas não se pronuncia oficialmente, nem o tucanato alagoano o faz. O senadores Benedito de Lira (PP) e Fernando Collor (PTB), exalam por todos os poros a vontade de participar do pleito no ano que vem, mesmo o ex-presidente sem ainda expressar abertamente a quê. Se governo ou senado. No caso de Benedito de Lira se for candidato em 2014 será ao governo de Alagoas. E ainda tem o Nonô (DEM), atual vice-governador e Renan Calheiros (PMDB) nessa caixa de peças.
Da esquerda nenhum nome se colocou até agora. E aqui afirmo que o deputado estadual Judson Cabral (PT) é o melhor nome para essa disputa em 2014. Sua atuação como parlamentar, desde quando vereador em Maceió, é notadamente reconhecida por amplos setores da sociedade alagoana. Além disso, seu nome na disputa seria a antítese do que temos no Palácio República dos Palmares (sede do governo de Alagoas) e uma opção progressista diante dos nomes que se colocam para suceder Vilela.
Alagoas tem os piores índices sociais do país. Nossa economia é monopolizada pelo setor sucroalcooleiro, além de sermos totalmente dependentes das políticas de distribuição de renda do governo federal. Aqui se mata mais gente do que em guerras por todo o planeta. As escolas públicas alagoanas não funcionam a contento – ainda temos escolas no ano letivo de 2012 e que sequer nem começaram as aulas, também de 2012! –, e a candidatura do petista poderia ser o fator aglutinador dos setores progressistas do estado. Alagoas precisa.
Além dos fatores já citados, Judson tem plenas condições de abrir um diálogo real com a sociedade civil organizada, do campo e da cidade, na busca por resoluções dos problemas sociais – nada pequenos – de Alagoas. Ele tem compromisso ideológico com esses segmentos. E são esses segmentos que podem promover as mudanças que a terra dos Caetés tanto precisa.
Ao tempo que diversos nomes se colocam, mesmo que na melindragem e/ou malandragem não assumam nada expressamente, a esquerda e, em especial o PT (por ser o maior partido da esquerda), precisam se colocar como alternativa de poder político em Alagoas colocando o estado nos mesmos trilhos de desenvolvimento com distribuição de renda que o Brasil se encontra desde 2003 com o primeiro governo Lula.
14/05/2013 11:29
O recalque é algo que não se pode medir. Pelo menos não existe máquina ou quantificação ou equação que o faça. Mas é muito evidente que tal sentimento aflora pelos poros dos barões da mídia. Foi lançado em São Paulo, no último dia 13 de maio, o livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma. De organização do sociólogo Emir Sader e editado pela Boitempo Editorial. A obra reúne análises de vinte e um teóricos sobre o período, entre eles, Marilena Chauí.
“Não sou lobista, não sou conferencista, não sou consultor. Sou um divulgador das coisas que fiz neste governo”, declarou Lula em sua participação no evento. E completou. “As pessoas talvez fiquem preocupadas porque cobro caro e não falo quanto cobro. Mas se as pessoas pagam para ouvir um governante fracassado, imaginem um bem sucedido. Se quiserem saber quanto eu cobro, me contratem. Quando assinar o contrato, fica sabendo quanto eu cobro”.
Para o alimento do ódio de classe ao ex-presidente, FHC – farol de sabedoria das elites brasileiras – recebe, segundo especulações, a metade do que recebe Lula. Sem falar que há muito tempo não se tem notícia de uma palestra do “príncipe dos sociólogos”. Entrevista da “grande imprensa” tem aos montes, mas todo mundo sabe qual o interesse de classe que ela atende.
O recalque mais estapafúrdio, que mais materializou a dor de cotovelo foi na rádio CBN (Globo). Após a sonora com a fala de Lula, colocaram no ar o refrão da música “Ex Mai Love” de Gaby Amarantos. Diz o refrão dessa “pérola” musical brasileira: Ex my love, ex my love, se botar teu amor na vitrine, ele nem vai valer 1,99.
FHC assumiu o governo com a relação dívida/PIB em 30%. Saiu em 2003 com 55%. Hoje essa relação em de 35%;
O saldo da criação de empregos, nos governos tucanos de FHC, foi de 700 mil vagas. Nos oitos anos de Lula foram 11 milhões de empregos;
A inflação nos governos de FHC variou em torno dos 9,25%. Nos governos Lula 5,79%. A balança comercial teve saldo negativo em 1,07 bilhões de dólares. Nos governos Lula o saldo foi positivo em 32, 56 bilhões de dólares;
O salário mínimo no Brasil nunca se valorizou tanto como nos governo Lula. Hoje seu ganho real (descontado a inflação) em relação aos governos de FHC é de 70%. Estamos em situação de pleno emprego. Não é à toa que os defensores da volta dos tucanos à Presidência da República defendem a geração de DESemprego no país para manter o lucro do patronato a níveis que só existem no Brasil.
Dados não faltam para mostrar que Lula vale muito mais do que R$ 1,99 da CBN (Globo). Talvez nem isso valha o FHC. Mas não tem preço ver o recalque na “grande mídia” com o sucesso do retirante nordestino e ex-torneiro mecânico que se tornou presidente do Brasil com mais respaldo internacional.
11/05/2013 10:17
O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra dirigiu o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército em São Paulo (DOI-Codi/SP) – órgão de repressão da ditadura civil-militar de 1964, entre os anos de 1970 e 1974. Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) negou que tivesse cometido ou ordenado torturas e assassinatos. E o fez diante de advogados de presos políticos torturados por ele e de Gilberto Natalini (PV-SP), vereador e presidente da Comissão da Verdade da cidade de São Paulo.
O que dizer diante de tamanha cara de pau?
Essa é a versão da direita sobre o golpe de 1964. suas palavras à CNV são quase as mesmas que foram escritas por Roberto Marinho em editorial de O Globo em 1984. Ustra e Marinho afirmaram que o golpe foi dado em nome da democracia e da defesa da moralidade.
Se fosse vivo, não seria surpresa se Roberto Marinho publicasse um novo editorial defendendo Ustra e sua versão fantasiosa sobre aquele terrível momento. Talvez com um título que lembrasse a chamada de capa de 02 de abril de 1964 de O Globo. Nessa a chamada era “Ressurge a democracia”, hoje poderia ser “em defesa da democracia”. Quem sabe o filho do Roberto chamado João, não tenha pensado nisso.
O pior disso tudo é que como o coronel reformado existem um sem número de pessoas, que não viveram aquele período, inclusive, defendendo o golpe de 1964. É comum ouvir que “no tempo dos militares é que era bom”. Uma lástima.
Ustra também afirmou que se lutava contra “terroristas que queriam o comunismo no Brasil. Queriam transformar o país em uma nova Cuba”. A ignorância nem sempre é uma benção. O Brasil nunca poderia ser tornar uma “nova Cuba”. Os países são diferentes em tamanho, cultura, história e potencial econômico. Mas há coisa lá que seria bom que tivesse por aqui como o analfabetismo zero,ou nenhuma criança dormindo na rua. Mas o debate não é Cuba, é o Brasil.
O país sempre se construiu para beneficiar as elites. De aristocratas às financeiras. Quando começou a se discutir reformas como a agrária e a questionar o papel estadunidense no Brasil, veio o golpe. Sobre as duas balelas encruadas nas cabeças de muita gente: defesa da democracia e combate ao comunismo.
A CNV tem que ir a fundo nas suas investigações. Toda a podridão que está embaixo do tapete tem que vir à tona. Inclusive a participação da “grande imprensa” no golpe de 1964. Dos setores privados também. Não se trata de revanchismo e sim de revelação dos fatos. Revanchismo seria se estivesse sendo defendido que figuras como Ustra fossem postos em um pau de arara e sofresse o mesmo sofrimento que causou a – ainda – não se sabe quantos.
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