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Ailton Villanova
22/05/2013 01:53
Quando nasceu, num leito de maternidade pública, o Sindulfo já veio com o seu destino desenhado e definido: seria defensor dos carentes, dos fracos e dos oprimidos. Mais tarde, ele próprio aperfeiçoou o espírito de solidariedade e a caridade - modelos de sua personalidade. Sua avó, dona Alexandrina, até que deu uma força para ele ser frade franciscano, em razão dos traços de desprendimento, de bondade e de religiosidade que começou a desenvolver a partir dos cinco anos de idade. Quase conseguiu.
Sindulfo aprecia bastante de emitir conceitos filosóficos, baseado na compreensão e no amor ao próximo. E, como não é de ferro, adora uma lourinha suada, sempre aos domingos, depois da missa, na companhia de amigos mais chegados, principalmente do Corifeu - que considera "um injustiçado"! Linhas abaixo, explico porquê.
Numa mesa de bar, cerveja rolando numa boa, Sindulfo e a turma de sempre discutindo assuntos diversos, incluindo aí o futebol. De repente, ninguém sabe explicar por qual razão, salta um dos caras da patota e puxa o assunto da cornice do Corifeu. Naturalmente que o Sindulfo não gostou da ideia e tratou de defender o amigo (que não se fazia presente) com uma das suas pérolas de raciocínio:
- Gostaria que vocês prestassem atenção no que vou dizer e depois me respondessem o que em seguida eu perguntasse, pode ser?
Todo mundo concordou e ele mandou lá:
- Uma pessoa que, de vez em quando, toma lá sua cervejinha, ou um cálice de um bom vinho do porto, pode ser considerada alcoólatra?
- Não, claro que não! - respondeu um dos amigos, com a concordância dos demais.
O Sindulfo prosseguiu:
- E uma pessoa que numa festa, dá um tapinha num cigarro de maconha, para não ficar "por fora", pode ser chamada de viciada?
Todos respondem que não, e o Sindulfo continuou:
- Alguém que goste de um carteado com a família, nos fins de semana, pode ser considerado um jogador inveterado?
- Lógico que não, Sindulfo! Onde diabo você quer chegar com esse papo? - impacientou-se um dos caras, com a aprovação do resto do pessoal.
Sindulfo, o bom, concluiu o seu raciocínio:
- Pois então! Da mesma forma, não se pode chamar o Corifeu de corno só porque a mulher dele gosta um bocadinho de transar com a rapaziada da vizinhança!
Radicalizou total
Satanás não estava mais aturando Karl Marx no inferno. Era o tempo todo naquela lenga-lenga de diabos exploradores contra diabos explorados. E tome greve! E haja manifestação pública, com queima de pneus nas ruas, o escambáu. O demônio já estava pelo gogó, com o cara.
E o que fez Satanás, então? Resolveu ligar pro céu e pedir pra Deus ficar com Marx por lá. Deus topou. Passou-se algum tempo, Satanás ligou novamente para saber como estavam indo as coisas. Quem atendeu foi São Benedito.
- Alô São Benedito? Aqui é Satanás. Me chama o Pedro aí pra me informar como é que Deus tá se virando com o Marx no céu.
- Em primeiro lugar, caro Satanás, me chame de camarada Benedito. Em segundo, o camarada Pedro está em greve. E em terceiro, Deus não tá com nada. Simplesmente não existe!
E o cara virou anjo!
Dona Baltiméria encontrou a amiga Antonésia no supermercado e foi pro abraço. Em seguida, fez a seguinte observação:
- Puxa, mulher, quanto tempo a gente não se vê, hein? E nós morando na mesma cidade!...
- Pois é. A gente precisa se ver mais, como os velhos tempos, né?
- É isso aí. Mas, me conta, como vai a família? E o seu marido, o Abelardo, como está?
- Bom, o Béo agora é um anjo!
- Ah, quer dizer que ele agora tomou jeito, hein?
- Definitivamente. Ele foi procurar um vazamento de gás com um fósforo aceso.
Meio surda, meio cega
Como não quer nada, mas querendo, a velhinha de passos lentos e trôpegos, entra no posto de atendimento do SUS. Sai driblando aquele monte de gente e, finalmente, entra uma na sala de espera do consultório médico e senta lá. A recepcionista a adverte:
- Hoje não é dia de consultas.
Sorridente, a velhinha permanece sentada. A recepcionista entende que ela deve ser surda e lhe mostra a mesma frase escrita num pedaço de papel.
E a velhinha:
- Por favor, leia pra mim, querida. Estou sem óculos.
Infidelidade ao máximo
Um casal morre num desastre. Chega ao céu e São Pedro faz o questionário de praxe. No tópico "infidelidade conjugal", para cada falta cometida, há uma agulhada, como castigo.
O computador celeste acusa três infidelidades da mulher e ela é espetada três vezes. Aí, ela pergunta:
- E o meu marido?
- Ah! - responde São Pedro. - Esse nós colocamos numa máquina de costura.
O que ele diria
Faculdade de Medicina. Mais de uma dezena de jovens reunidos na sala de aula, prestavam a maior atenção ao professor Duda Calado, de saudosa memória. De repente ele se dirige a um dos alunos e pergunta
- Suponhamos que, ao fazer a necropsia de um cidadão, você descobre que o indigitado não tem coração. O que você diria?
E o aluno:
- Eu diria... "Putaquipariu! Cadê o coração do cara?"
20/05/2013 23:29
Pense num sujeito boçal, gomeiro. Você esquenta o juízo e conclui que é tarefa difícil, quase impossível, encontrar alguém com todos esses "atributos" reunidos em torno de si. Ou sobre si. Pois, parafraseando o próprio Cristo, "data vênia", em verdade, em verdade, vos digo: aqui na praça temos um tipo que representa tudo isso. É o tal de Joelmo Raposo, o popular Raposão, nascido no bairro do Pontal da Barra, em noite chuvosa e de cantorias de sapo cururu. Feio que nem desastre de trem, só queria namorar menina, bonita e virgem, pensamento igualzinho ao daquelas garotas idiotas que vão ao programa "Vai dar Namoro", apresentado pelo Rodrigo Faro, na TV Record.
Raposão batia no peito e bradava:
- Mulher "furada" não é comigo! Só me caso com mulher intacta, bonita e, se possível, cheia da grana.
Raposão é analfabeto de pai e mãe. No seu raciocínio simplista e imbeciloide, definiu, ao ser indagado por um amigo como era que ia descobrir uma "mulher intacta" :
- Bom, se ela não souber o que é um pau, é porque é virgem mesmo!
Cabelo brilhantinado, roupa engomada e sapatos lustrosos, Raposão começou a procurar a sua virgem em tudo quanto foi de festa religiosa, principalmente no interior, onde dá muita matutinha ingênua e bonitinha. Quando engatava um namoro, acabava sempre mostrando o biláu, para testar a garota.
- Sabe o que é isto? - perguntava.
Normalmente as meninas gozavam da cara dele:
- Ôxi, tá falando dessa besteirinha?
Esse tipo de namorada logo era descartado pelo boçal.
Mas Raposão, já entrando para a casa dos 50 janeiros, não se dava por vencido.
Até que, finalmente, uma garota passou no teste. Era uma evangélica, que ele conheceu numa cerimônia de batismo de um amigo, em Palmeira dos Indios.
A "irmã" era (era, não. É!) a criatura mais linda do mundo, arzinho angelical e perfumada que nem uma flor. Quando Raposão mostrou o "negócio" pra ela, a garota fez a maior cara de espanto, demonstrando total ignorância sobre a matéria.
- É essa! - pensou Raposão, todo contente -, finalmente encontrei a virgem com quem irei me casar. Deus é bom! Ele tarda mas não falha!
Na semana seguinte o cara estava levando a jovem ao altar, numa cerimônia religiosa ecumênica, celebrada por um padre e por um pastor protestante. A festa foi linda!
Mais tarde, na noite de núpcias, os dois peladinhos na cama, prontos para o "vira-e-mexe", ele reiterou a pergunta:
- Você tem mesmo ideia do que é isto?
- Não.
- Não sabe o seu nome?
- Não.
- É pinto! Pau, cacete, rola...
- Ah, sim! Mas eu só conhecia daqueles bem maiores e pretos...
Olho vivo, meu!
E nasceu outro filho daquele cara, o Correinha. Daí duas semanas ele levou o bebê ao médico e se queixou:
- Doutor, tem algum problema com esse menino! Já faz umas semanas que ele nasceu e ainda não abriu o olho!
Assim que o médico bateu o olho na criança, viu que se tratava de um bebezinho mestiço, filho de japonês, e perguntou pro cara:
- Tem algum japonês morando na sua rua, ou perto de você?
- Tem o meu vizinho Tanaka, por quê?
E o médico:
- Quem devia ter o olho aberto era você!...
O assunto era outro, mas...
Boêmio, cantor de boates, botecos e afins, Rosbevildo Carlos, imitador do rei Roberto, ficou disfônico, quer dizer, rouco, de tanto cantar na festa de aniversário do Manuel Miranda. E o pior é que ele tinha compromisso para o dia seguinte, em Coruripe. No meio da noite, na maior aflição, ele resolveu ir à casa de um médico, conhecido. Ao chegar ao sobrado onde mora o esculápio, encontrou tudo escuro. Atirou uma pedrinha na janela do quarto, que fica no andar superior, e sussurrou o mais alto que conseguiu, já que sua garganta não estava permitindo tom de voz mais acima:
- O doutor está?
A mulher do médico abriu a janela:
- Não! Não está! Pode subir!
Socorro! A mãe está morrendo!
O garotinho Sidclay viu pela primeira vez uma foto de mulher com os seios de fora, ficou bastante curioso e perguntou pro pai que negócio era aquele. Pouco afeito a pedagogias modernas, o pai deu uma explicação estapafúrdia pro menino:
- Ah, são bexigas, iguais às que tinham de enfeite no seu aniversário!
- E pra que serve, pai?
- Bom... se a mulher estiver murchando... quer dizer, morrendo... é só soprar ali no bico que ela enche de novo e volta a viver.
E o papo morreu aí. Dias depois, Sidclay ligou para o celular do pai, apavorado:
- Painho! Painho! A mãinha tá morrendo!
- Quêisso, meu filho? Por que você está dizendo isso?
- É, painho. Ela tá lá na garagem, deitada dentro do carro, gemendo! E o vizinho tá soprando no bico de uma bexiga dela, tentando salvá-la! E ele até tampou o buraco que ela tem embaixo, pro ar não escapar!
... Mas que foi madeira, foi!
Todo fortão e cheio de macheza, um tal de Nivaldo foi ao médico, com um enorme machucado no rabo. O médico olhou e disse categórico:
- Foi pinto!
- Quêisso, doutor?! Não foi pinto de jeito nenhum! Eu caí em cima de um pedaço de madeira .
- Muito bem. Eu tenho duas pomadas aqui: uma para lesão provocada por pinto e outra para ferimentos ocasionados por madeira. Você escolhe a que quer usar. Porém já vou logo avisando: se foi pinto e você usar a de madeira, você morre.
- Tá bom, eu vou usar a do pinto... Mas que foi madeira, foi!
Testemunhas e testemunhas
Malandro folgadíssimo, o tal de José Osplizio, vulgo Boca de Garrafa, tem mais entradas em delegacias do que os próprios delegados. O meliante não escolhe infração para se envolver. Topa todas. Bandidagem é com ele mesmo.
Dia desses estava diante de um delegado de polícia durão, que o interrogava:
- Além desse último banco que você assaltou, quantos outros mais você roubou?
- Qualé, chefia? Tô limpo nesse barato...
- Limpo coisa nehuma! Posso trazer aqui mais de uma dúzia de testemunhas que viram você entrar no banco e assaltá-lo!
- Grande coisa, doutor! Eu posso trazer bilhões de pessoas que não viram nada!
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18/05/2013 23:20
Excepcional criatura humana, o ex-prefeito e ex-deputado Jota Duarte legará às gerações mais novas modelares histórias que vivenciou ao longo de sua vitoriosa carreira política. De sua vida pessoal, deixará à posteridade exemplos de grandeza de espírito e de como se conduzir na política sem deixar nódoas.
É um dos homens mais íntegros que conheço e isso certamente tem orgulhado familiares e amigos.
Tanto como prefeito de Palmeira dos Indios, quanto como deputado representando sua terra na Assembléia Legislativa, sempre dispensou a melhor das atenções aos seus conterrâneos palmeirenses, principalmente aos mais carentes. Esse, foi um dos motivos pelos quais nunca perdeu uma eleição em Palmeira dos Indios. Afastou-se da vida pública por livre arbítrio, mas deixou seu filho, o médico Fernando Duarte, fazendo as suas vezes. E este tem seguido os bons exemplos do pai.
Jota Duarte sempre foi um político criativo. Lembra o jornalista Bernardino Souto Maior, um dos seus grandes amigos, que o velho Jota certa feita inventou de promover excursões turísticas à Maceió, excursões estas destinadas aos matutos que nunca assentaram os solados dos pés na Capital. Periodicamente, mandava encher ônibus e mais ônibus de caipiras, que só faltavam morrer de felicidade quando avistavam as coisas bonitas que Maceió tem, principalmente o mar, ponto culminante da excursão. Todo sonho do matuto é conhecer o mar.
Numa dessas últimas viagens de recreio à Maceió, Jota Duarte incluiu o agricultor Severino Xavier (seu Biu) que, como seus amigos das viagens anteriores, nunca tinha visto o mar na vida dele. Quando ele bateu os olhos naquela boniteza de água azul quebrando na praia, ficou mudo de espanto, a baba escorrendo pelo canto da boca!
Em todas essas incursões, o deputado Jota Duarte se fazia presente. Era uma felicidade pra ele, também, ir junto com a turma.
Saindo do espanto, seu Biu correu para junto do parlamentar, mal podendo falar:
- Doutor Jota, qui coiza mais linda é essa, meu Deus do céu?! Qui açudão!
E o parlamentar, muito didático, ensinando ao palmeirense:
- Essa, seu Biu, é realmente, uma das coisas mais belas que a natureza já fez. E quando esse mar cresce, que lindo espetáculo!
O queixo do matuto caiu:
- E esse mar cresce, dotô Jota?
- Cresce de acordo com a variação do tempo, posição do vento, movimento da terra, etc, etc...
O matuto arregalou os olhos, esfregou uma mão na outra e propôs:
- Entonce, dotô Jota, bóra fazê um negóço.
- Vamos!
- O sinhô manda pegá um marzinho bem pixototinho, bota dentro de uma lata, leva pra Parmêra e dá munto pêxe pra ele, pra móde ele crecê, inté ficá grandão cuma esse açudão daí. Agaranto qui nunca mais vai fartá água nem no Agreste e nem no Sertão!
O quépi do Zé Luiz
O policial civil aposentado José Luiz, mais conhecido como "Du", sempre foi um mulherengo incorrigível. Desde quando era molecote no distrito do Mutange. Morava quase em frente ao campo do CSA, onde tentou ser goleiro, mas não deu. Era "frangueiro" demais! Hoje em dia, garante o velho Du que, "apesar de um pouco gasto, ainda dou os meus pinotes!"
Zé Luiz ingressou na Polícia Civil assim que foi extinta a Guarda Civil estadual, que era uma corporação de respeito. Apesar de não ter as mordomias e as modernidades que as polícias de hoje em dia possuem, a GC cumpria o seu dever constitucional sem os arroubos e as frescuras que a gente vê hoje em dia. Mas essa é outra história.
Certa feita, quando ainda vestia a farda da GC, Zé Luiz perdeu o quépi e quase foi à loucura, porque ai do guarda que perdesse uma peça de sua vestimenta! Era punição na certa.
Para esfriar a cabeça, Zé Luiz resolveu entrar na igreja de São Benedito, já que era o encarregado de controlar o tráfego de veículos na esquina da rua do Alecrim com a rua Augusta.
O guarda Du sentou no banco da frente e ficou de cabeça baixa, sem prestar atenção na missa que o padre Luiz Sarmento celebrava. Na hora em o reverendo subiu no púlpito para pronunciar o sermão, ele reparou na figura tristonha do guarda Du. Terminada a cerimônia religiosa, padre Sarmento chamou o Du e perguntou:
- O que está acontecendo com você, meu filho? Nunca o vi triste desse jeito!
E o Du, com a cara mais descontraída:
- Tô mais triste não, padre. Já passou!
- Graças à São Benedito! Mas por que você estava tão acabrunhado?
- Pelo seguinte, padre... eu havia perdido o meu quépi, não sabia onde, e estava com medo de ser punido. Era detenção, na certa! De repente, me lembrei onde tinha deixado quando o senhor chegou naquela parte do adultério!
Dada a explicação, Zé Luiz deu meia-volta e saiu disparado da igreja. Foi bater na Levada, onde o quépi encontrava-se bem guardado na residência de um certo funcionário do Serviço Nacional de Malária. A mulher do referido, que era muito cuidadosa, costumava receber, com frequência, a visita do guarda Du. Sempre de madrugada.
Dieta forçada
Certa manhã de sexta-feira, o escritor e deputado Temóteo Correia saía da Assembléia meio apressado, e aí trombou com o servidor público Aristófeles Jatuba. No que botou o olho no cara, Temóteo deu um pulo para trás e falou com certo ar de espanto:
- Mas o que é isso, rapaz?! Você está magro demais! Quase não o reconheci!
- É, excelência...
- Que dioabo você anda fazendo pra perder tanto peso desse jeito? Dieta? Macrobiótica?
- Nem uma coisa e nem outra, deputado. É fome mesmo! O senhor tá esquecido que eu sou funcionário público estadual?
18/05/2013 00:49
Batalhador incansável pela melhoria de vida do povo das Alagoas, político de lingua afiada, administrador público respeitado, Albérico Cordeiro está tentando voltar ao parlamento, depois de uma breve pausa como legislador, para dedicar-se à prefeitura de Palmeira dos Indios. Durante oito anos enfrentou uma oposição nem sempre ética. Mas, em compensação, recebeu os aplausos de agrestinos profundamente agradecidos pelos benefícios que, por seu intermédio, obtiveram, direta ou indiramente, do poder público municipal palmeirense.
Em Brasília, Cordeiro continua sendo uma pessoa conhecidíssima de poderosos e de gente simples, também. Afinal, durante mais de quarenta anos ali residiu e frequentou, tanto como jornalista, ou exercendo seguidos mandatos de deputado federal, gabinetes de ministros e de dirigentes de órgãos públicos do governo federal, batalhando em favor de sua gente, que não se resume apenas a conterrâneos pilarenses e antigos governados palmeirenses. Cordeiro é de Alagoas e isso ele leva muito a sério.
"Cordeiro Trabalha!" - esse era o seu slogan, a sua bandeira de luta.
Enquanto outros parlamentares permaneciam distante do povo, dele só se aproximando nas épocas eleitoreiras, Cordeiro percorria as mais distantes bibocas alagoanas, ouvindo pessoas, escutando os seus lamentos, as suas reinvindicações. Por isso sempre foi um vitorioso.
Um dia, necessitando descansar as canelas, ele resolveu estacionar sua pessoa na terra que um dia também fora adotada por Graciliano Ramos, a encantadora e histórica Palmeira dos Indios.
Voltando aos tempos anteriores àqueles em que cumpriu o mandato de prefeito de Palmeira dos Indios, encontramos Albérico Cordeiro percorrendo o Sertão alagoano, em campanha para reeleger-se, mais uma vez, à Câmara dos Deputados.
Enfrentando um sol causticante, Cordeiro caminhava por umas quebradas da distante Delmiro Gouveia, suando mais do que tampa de chaleira. Um aperto de mão aqui, outro alí, um abraço acolá...
E lá ia ele aplicando tapinhas nas costas dos mais velhos e passando a mão nas cabeças dos mais novinhos. De repente, ele parou na porta de uma casinha humilde, abarrotada de menininhos sambudinhos. Com aquele vozeirão de locutor dos antigos jornais-falados de emissoras de rádio, ele cumprimentou a dona da casa:
- Bom dia, minha irmã! Eu sou o deputado federal Albérico Cordeiro...
- É? - fez a mulher, com indiferença.
- Sou. Estou em campanha aqui pelo Sertão, sentindo o drama da gente humilde e sofrida deste torrão...
- Torrão? Ah, bom.
Sol quente, tinindo, e o ilustre parlamentar matraqueando no ouvido da mulher. Daí a pouco, começou a sentir fome. Já passava do meio-dia. Então, Cordeiro propôs à distinta senhora almoçar ali mesmo, comprometendo-se pagar a comida.
Madame preparou uma galinha de capoeira ao molho pardo, rango, aliás, da preferência do deputado. Cordeiro estraçalhou a penosa em questão de segundos. Em seguida, tomou um caneco de água, estalou a lingua no céu da boca, soltou um arroto caprichado e finalmente falou:
- Quanto foi a despesa, dona Maria?
- Déis mirréis, dotô! Tá bom?
Conhecido como tremendo "figa de aço", Cordeiro espantou-se:
- É difícil encontrar galinha por aqui, minha irmã?
E ela:
- Inté qui num é, dotô! É meio facizinho. Puraqui, difíci mêrmo é deputado!
Imagem e prosa
Excepcional criatura humana, crânio privilegiado, Raymundo Tadeu permanece como insubstituível no quadro técnico das rádios Gazeta (AM e FM). Deus achou de levá-lo mais cedo, certamente para manter nos trinques as emissoras celestiais.
Tadeu era que nem o professor Pardal: pintava as canecas na eletrônica. Se não tivesse ido embora pro céu, hoje estaria concorrendo com os candidatos mais fortes ao Nobel.
Em razão da fama de gênio que ganhou no Nordeste, Raymundo Tadeu andou prestando assessoria a diversas entidades, públicas e privadas.
Seu nome chegou aos ouvidos de determinado prefeito interiorano, que que queria por todos os meios instalar uma emissora de TV na sua cidade. Tadeu foi lá e, com a sua competência e humildade, expôs ao alcáide as condições mínimas para a implantação da repetidora.
- Me dê aí a relação dos materiá, dotô! - pediu o prefeito.
Ali mesmo, na hora, Raymundo Tadeu preparou a relação solicitada e o prefeito perguntou:
- Adonde qui eu vô comprá esse materiá todo?
- Em São Paulo! - respondeu o técnico. - O endereço está aí!
Semana e meia depois, Tadeu recebeu um telefonema do prefeito:
- Comprei, dotô! Chegue pra cá pra mode a gente cumeçá logo o selviço.
Nosso bom Tadeu bateu lá num instante. Assim que botou os olhos no equipamento adquirido pelo chefe da edilidade ineriorana, ele reclamou:
- Esse material é fajuto! Não foi esse o que eu recomendei! Presta não!
Onde o senhor comprou...?
- Eu comprei na Bahia, pela metade do preço... Quando o sinhô vai cumeçá a "estalá" a ripitidora?
- Com esse material eu não instalo. Não vai funcionar. A imagem vai ficar cheia de chuvisco...
O prefeito insistiu:
- Óia, dotô, num é mais milhó a gente tê uma imáge chuviscada, do qui nada?
O alcáide tanto pediu, tanto apelou, que o Tadeu, coração imenso, topou a parada, tendo antes solicitado ao mandatário que firmasse um documento se responsabilizando por qualquer contratempo ocorresse. O cara garatujou uns hieroglifos num papel e Tadeu meteu mãos à obra.
Uma semana depois caiu o maior toró na cidade e a repetidora apresentou o maior "galho". Apavorado, o prefeito ligou pro Tadeu:
- Dotô, pelamordedeus! A ripitidora tá toda invocada!
- Como, invocada? - perguntou o técnico.
- Discontrolô! Indoidodô! Quando ela imagêia, num prosêia... E quando prosêia, num imagêia!
Mais patá, pra quê?
O jornalista Jurandyr Tobias também era servidor dos Correios. Chefiava o setor de expedição de telegramas e correspondências especiais. Bendito dia, encontrava-se cumprindo o seu expediente tranquilo, quando chegou lá um sujeito com a cara de maluco.
- Quero passar um telegrama, urgente! - disse ele, debruçando-se sobre o balcão de atendimento.
Tobias estendeu-lhe o formulário respectivo, e orientou:
- Pode preenche-lo nos locais indicados.
O cara sapecou a caneta pra frente - risk, risk, zic, zic - Prencheu o papel e o devolveu pro velho Tuba. Estava lá escrito:
"Patá, patá, patá, patá, patá, patá!"
Apesar daquela sua cara de frade franciscano, Jurandyr Tobias sempre apreciou uma gozação. Naquilo que ele pegou no papel, segurou o riso. Contou as palavras escritas no aludido e falou pro sujeito com cara bem séria:
- O senhor tem direito a mais uma palavra pelo mesmo preço.
- Precisa não. Bastam essas.
- Por que o senhor não acrescenta mais um "patá"?
- Tá maluco? Aí, ninguém ia entender nada!
Quem não tem champanhe...
Madrugada de Ano Novo. O Bar e Restaurante do Duda, filial da Mangabeiras, estava entupido de gente. Todo mundo comemorando a chegada de 2007. Maior curtição. Aí, pinta no pedaço o popularíssimo pinguço intitulado Zé Orestes, que se dirige ao gerente Júnior:
- Tem cachaça aí, chefia?
- Tem.
- Então me vê aí uma "meiota".
- No copo ou na garrafa?
- No copo!
Júnior atendeu ao freguês, que aduziu:
- Agora me vê também um sal de fruta...
- Tem não. Só tem Sonrisal.
- Serve. Bota dois aí dentro da cachaça!
O freguês não mandou? Júnior não se fez de rogado. Jogou o Sonrisal na bebida do malandro e ficou espiando a espuma velha subir.
- Tem açucar? - era o cara de novo.
- Tem.
- Então sapeca na bebida!
Nesse ponto, o Júnior já invocado com o inusitado freguês, não se conteve:
- Ô cara, que diabo você quer fazer com essa misturada?
- Champanhe!
- Champanhe???!!!
- Claro! Como eu não tenho grana pra comprar uma garrafa do verdadeiro, eu invento o meu. Experimenta pra ver se não é quase igual
16/05/2013 23:36
Sujeito bom, trabalhador, o Astrogélio Pereira esteve completando no último mês de dezembro, 30 anos de casamento com dona Amaralina com a qual, infelizmente, jamais teve um único filho. Essa, é a sua grande frustração. Talvez por esse motivo, ou porque a esposa seja devagar quase parando, o seu casamento possa ser descrito como mais gelado do que pé de defunto. Apesar disso, os dois tocam a vida naquela conformação.
Dia desses, depois de um expediente puxado na repartição pública onde trabalha, Astrogélio foi jantar na residência do seu chefe Oderbaldo, por insistência deste. Chegando lá, ficou abismado como esse seu superior hierárquico tratava bem a sua consorte: era amorzinho pra lá, meu bem pra cá, mil beijos e abraços... maior bajulação.
Depois de presenciar tanta demonstração de amor e carinho, Astrogélio não se cansou de elogiar:
- Que coisa mais linda esse seu relacionamento com sua esposa, Oderbaldo! Vocês devem ser infinitamente felizes, tô certo?
- Certíssimo, meu chapa. Mulher igual a minha não existe, pode crer!
- Tá se vendo. Mas de onde vem tanto amor?
- Da convivência, ora! Cada dia que se passa eu adoro ainda mais a Tercila. Então, nesses últimos meses é que o negócio dobrou de encanto. Você tem que olhar o lado bom das coisas, meu amigo...
- É... tá certo. E minha mulher também é uma boa gente, mas um tanto ou quanto apagada...
- E então? Valorize o seu relacionamento com ela. Aproveite, cara!
Impressionado com o que vira no lar do seu chefe, Astrogélio voltou pra casa disposto a dar uma "esquentada" no seu casamento. Mal assentou o solado dos pés dentro de casa, correu para a mulher de braços abertos:
- Ooohhh, meu amor... quanta saudade!
Dona Amaralina arregalou os olhos, espantada. Enquanto isso, o marido a abraçava e repetia o quanto a amava.
De repente, a madame começou a chorar.
- O que há de errado, meu amor? - indagou o marido, já preocupado.
E ela, soluçando:
- O dia foi horroroso! De manhã, minha mãe caiu no quintal e quebrou a perna. Depois, a lavadoura de roupa quebrou, o cano da pia entupiu e a água ficou vazando a tarde inteira...
- Que pena, meu amor. Mas os problemas acabaram! Pode deixar que eu conserto tudo!
- Pra completar, chega você em casa bêbado desse jeito!
Bom marido
O servidor público Josafá Morais tem aproveitado bem os finais de semana. Quando encerra o expediente, na sexta-feira, ele sai com um monte de colegas para biritar na orla marítima. Só vai pra casa quando o galo está anunciando a manhãzinha do sábado.
Numa dessas farras, ele se achava no Bar do Duda, na praia de Mangabeiras, ocasião em que confidenciava pro seu amigo Zé Tobias:
- Sabe, Tuba, andei pensando direitinho e cheguei à conclusão de que devo dar mais um pouco de liberdade à minha mulher...
- E como é que vai ser esse barato?
- Vou ampliar a cozinha lá de casa!
Uma boa solução
Os amigos Elibaldo e Coriolano batiam um descontraído papo, num barzinho da orla pajuçarense.
Dizia o primeiro:
- Cara, eu detesto ir à festas de casamento, pode crer!
- Mas por que, rapaz?
- É que sempre tenho de levar as duas tias que moram comigo e elas ficam o tempo todo falando: "O próximo vai ser você!" Que saco!
- Realmente é chato. Mas eu conheco um jeito de você fazer elas pararem...
- É mesmo? Como?
- Comece a fazer a mesma coisa com elas nos funerais.
O complicado
Está para nascer a criatura que deverá entender o Coriolano Caruso. O cara é complicado desde nascença. De tudo ele faz um drama. Por exemplo, lá no Tabuleiro do Martins, onde mora, existe uma morena sensacional intitulada Gorete, por quem ele gamou. Tanto azucrinou o juízo da garota, que ela terminou lhe dando uma colher-de-chá, para ver se teria, ao menos um minuto de descanso:
- Tá bom, Caruso... eu vou pra cama com você. Mas, na minha ou na sua casa?
E ele:
- Ih, já começou a discutir! Quero mais saber de você, não!
Achou!
Bebíssimo, mal se pondo em pé, o Valclerinaldo parou na entrada de certa boate, acompanhado de um colega mais biritado ainda. Aproximou-se do porteiro e perguntou:
- Ô meu chapa, será que você poderia me dar uma informação?
Cheio de má vontade, o porteiro respondeu:
- Fala logo o que tu quer!
- Seguinte... eu fiz uma aposta com o meu amigo aqui do lado, e queria confirmar com você. Fala pra ele: é verdade ou não é verdade que a privada daqui é de ouro?
O porteiro se virou e gritou para alguém que se achava lá dentro:
- Ô Biuzão! Tá aqui o sujeito que cagou no seu trombone!
Uma atrapalhada ação
Chefe de um grupo de escoteiros, o tenente-coronel PM Fidélis todas as semanas reune a garotada para uma checagem nas ações praticadas pela turma. Numa dessas ocasiões, ele se dirigiu a um dos líderes de subgrupo dos mirins e perguntou:
- Paulinho, vamos ver que boa ação a sua turma praticou esta semana...
- Ajudamos uma velhinha atravessar a rua, chefe!
- Muito bem. Foi realmente uma bela ação. Mas cinco meninos só para levar uma anciã?!
- É que a droga da velhota não queria atravessar e resistiu durante mais de meia hora!
Na média
Algum tempo atrás o inteligente Jotajó (revelou-se agora que ele é chegado a uma macumbazinha) e o seu dileto primo Bejota sairam de Maceió para resolver "uns negócios" em Garanhus. Quando o ônibus em que viajavam estava se aproximando daquela cidade pernambucana, o motorista avisou, através do serviço de som do coletivo:
- Atenção, senhores passageiros! Estamos entrando na cidade de Garanhus. O tempo está nublado e a temperatura é de zero grau!
- Ôpa! Zero grau! - vibrou o primo Bejota.
E o grande Jotajó:
- É que nem a gente gosta. Bem na média: nem frio e nem calor!
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