geronimovicente

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6 de agosto de 2017

A classe média e o legado deprimente das “Micaretas Verde-Amarelas”

O Brasil é, efetivamente, o país onde tudo vira moda e se transforma em samba, carnaval, folclore ou corrupção. As manifestações ocorridas país afora em 2015 e 2016 são as mais evidentes provas. Eram atos públicos que mais pareciam micaretas (aqueles carnavais fora de época) que ocorrem nas principais cidades e que são puxados por trios-elétricos. O coro era o Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT, um meio encontrado para impedir ou extinguir de vez a sequência de governos petistas que já durava 13 anos. E, de fato, o número de pessoas que foi às ruas era de impressionar. Confesso que na condição de cidadão que participou de atos públicos no passado e de jornalista que cobriu alguns desses movimentos, somente nas campanhas pelas Diretas Já ou nas manifestações de 2013 vi algo igual. Em uma roda de conversas com colegas jornalistas ao comparar aquele momento (2015-2016) com o desfecho político que nós assistimos, na atualidade, inclusive com absolvição parlamentar de um presidente acusado de corrupção, na minha opinião, as “festas-protestos dominicais” são comparadas à passarela de um sambódromo com uma larga diferença: os sambistas com suas alegorias mostram, anualmente para o mundo inteiro, a riqueza de nossas manifestações culturais. Já os aqueles “micaretistas” políticos agiram como se fossem separados por alas com interesses diversos e próprios, menos o de livrar o país da corrupção. E daí a minha vem a comparação com uma avenida do samba.

E assim, vamos as divisões das alas.

1. Comissão de frente – Formada por líderes da coligação política derrotada em 2014 entre eles, o senadores Aécio Neves, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, José Serra, Aloysio Nunes, deputados federais do PSDB / PMN / SD / DEM / PEN / PTN / PTB / PTC / PT do B, a chamada coligação Muda Brasil, além de partidos que engrossaram a comissão, como o PPS e outras legendas intolerantes ao PT, inclusive alguns militantes de esquerda que, no início da onda anti-Dilma tentaram se aproveitar da fragilidade do governo para firmar posição como foi o caso da ex-senadora Marina Silva.

2. Sub-comissão de frente – integrantes de movimentos criados com o intento de impedir um segundo mandato de Dilma e o quarto seguido do PT, a exemplo dos movimentos Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e outros agregados que resolveram rezar pela cartilha empresarial e pedir o fim do assistencialismo do estado (bolsa-família, Fies e ProUni),reivindicar a livre iniciativa do mercado. Deste modo tiveram apoio financeiro de políticos e empresários.

3. Ala médica – composta pela primeira categoria a se rebelar contra o governo de Dilma Rousseff cujas causas principais foram a proliferação dos cursos de medicina e ocupação das vagas ociosas de médicos no interior do país por profissionais cubanos, os quais foram vítimas de xenofobia e chamados de escravos ao desembarcarem no país. O ódio se proliferou tanto, ao ponto de os médicos recusarem consultas a quem eram petistas ou parentes deles ou até mesmo quem defendia o governo na ocasião. Maceió, também deu seu mau exemplo, quando uma equipe de plantonista de um hospital desejou em cartaz morte à presidente, no momento em ela que ele precisou de atendimento durante visita ao estado. Os médicos, no governo atual são acusados de fazer de conta que trabalham pelo ministro da saúde, o engenheiro Ricardo Barros. 4.Ala jurídica – Essa patrocinou, diretamente, o momento com aspecto de fim de mundo que vivemos hoje. O embate veio de cima para baixo, ou seja, começou pela falta de repasses orçamentários para reajustes dos magistrados dos tribunais superiores e de seus servidores. Foi a deixa para surgir, o clima odioso que gerou o Mensalão petista, mas arquivou o tucano e que se espraiou aos judiciários estaduais. E, daí passaram a ocorrer fatos que se fossem levados a sério inundariam o CNJ de processos por falta de conduta ética. Magistrados xingando o governo e se comportando como filiados partidários. Foi a senhora justiça tivesse arrancado a venda do rosto.Hoje, os políticos corruptos sambam em frente aos magistrados e do MPF que atônitos só assistem ao deboche.

5.Ala empresarial – Ao tempo em que patrocinava os desfiles verde-amarelos, essa categoria não se deu conta de que seria alvo da operação Lava Jato que, no início, se direcionou apenas ao PT. Políticos manifestantes comemoram cada prisão de empreiteiros que, na combinação dos representantes do mercado, encrencariam, ainda mais, Lula e Dilma. A ala fora representada por banqueiros, industriais e pelo mercado atacadista e até pequenos comerciantes que se acharam no direito de também se elite. Ao contrário do que se pensava, a história de se reverteu e vimos aqueles que cobravam ética e moral na política serem envolvidos em escândalos de corrupção. Quer exemplo? Aécio Neves, um ídolo de estimação dos manifestantes. O resto a gente já sabe por Joesley Batista, o corrupto que tenta se converter em bonzinho. Ou seja revelou o que sabíamos: o empresariado que protestava contra a corrupção também foi o mentor dos maus-feitos.

6. Ala evangélica – Essa misturou religião com política e seu deu mal.Seus representantes entraram na eleição de 2014 com o objetivo de vender espaço eleitoral ao candidato Aécio Neves e ajudá-lo a chegar à presidência. Esses religiosos ludibriaram a opinião pública com a velha história de comunismo no Brasil como se este sistema político tivesse sido aplicado alguma vez no Mundo.Seus seguidores mentais acreditaram e levaram “famílias inteiras” às manifestações. Hoje, esses seguidores sofrem as mesmas consequências maléficas da economia como qualquer brasileiro (independente de ser petista ou não), enquanto seus líderes enriquecem.

7.Celebridades – Artistas e jogadores de futebol que também deram a contribuição para o caos agora instalado no país.Eram eles os puxadores, em cima de trio elétricos, do coro por mais liberdade no país como se estivéssemos em uma Coreia do Norte. Hoje, alguns fizeram mea-culpa por acreditarem no projeto verde-amarelo no qual mergulharam de cabeça. Outros se envergonham de fazer o mesmo gesto.Nenhum deles pediu desculpa ao povo brasileiro por tê-lo enganado.

8. Ala militarista – composta por representante da bancada da bala na Câmara dos Deputados e militares da reserva, todos saudosistas do regime militar que pediram intervenção das forças armadas no país, morte aos “comunistas” e outras palavras de ordem sem sentido e usadas há quatro décadas passadas.

9- Ala dos servidores públicos: Essa não se deu conta de que seriam os primeiros ao ser atingidos e por se sentir estável e bem-remunerados foram às ruas para se comportar com mais um grupo de elite. Hoje, os servidores estão com aposentadoria, estabilidade, benefícios ameaçados, além de antes amargarem atrasos e congelamento salarial.

10. Ala dos Sem-Noção – Essa formada pela maioria da multidão massageada por todas as outras alas. Constituído pela classe média alta e baixa, esse grupo exibiu nas avenidas seus chutes intelectuais ao oferecer opiniões desconexas da realidade e faixas e cartazes que, de tão bizarros, viraram temas de vídeos humorísticos no Youtube A classe média entrou de gaiata na onda verde-amarela e, hoje, paga o pato que chegou a idolatrar a porta da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). Como presente por ter contribuído com a festa democrática, a mudança de governo lhe deu aumento de impostos, congelamento de salários e um risco próximo e voltar à pobreza.

A realidade mostra outro enredo que já não é tocado em panelas e frigideiras durante o Jornal Nacional. A máscara caiu, o picadeiro foi desmontado e sob silêncio, os Sem-noção assistem à imagem do retrocesso passar.

Abaixo, alguns vídeos coletados para ilustrar a cidadania da ilusão.

Skatistas

A direitista

Argumento intelectual

Dança  do impeachment

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