A PALAVRA EM PALAVRAS. Por Alisson Francisco

A PALAVRA EM PALAVRAS. Por Alisson Francisco

20 de novembro de 2017

O INVESTIGADOR E O ESPELHO MÍSTICO

Por Alisson Francisco[1]

Para onde se dirigem teus olhos? O que te atrai?

Em um lugar qualquer, uma jovem estava em meio a muitos, quando, de repente, viu um brilho no deserto e se esqueceu de todos os que a cercavam. Sua mente logo a encaminhou para ir ao encontro daquela luz, que – com som ou sem som – a encantara.

Aquela luz a fazia mergulhar em realidades óbvias ocultas. Aquele encanto a levava a superar suas vergonhas e saber das vergonhas de muitos.

Aquela jovem mergulhou numa realidade contraditória, de um real virtual, de um distante perto… Uma realidade onde se conhecia, intimamente, outras jovens; independentemente de as conhecer, pessoalmente.

Então, ela foi prosseguindo naquele túnel misterioso que a fazia esquecer do tempo e ser consumida por ele. Ela se esquecia dos lugares e se isolava neles. Naquele túnel luminoso, com os amigos se encontrava e de amigos se afastava. Uma nova realidade se descortinava diante de seus olhos e o tempo… O tempo, pouco a pouco, a consumia.

Pessoas próximas também percebiam que aquele túnel misterioso pelo qual ela olhava e se olhava, via, se via e se deixava ver, aos poucos a consumia. Quanto mais ela consumia aquele espelho do deserto, mais a areia movediça daquele espelho místico a consumia. Ela era consumida pelo que consumia. E o que dizer das pessoas físicas ao seu redor?

Algumas tentavam ajudar e se deixavam ser pegas pelo túnel. Outras também ficavam curiosas e se deixavam encantar por aqueles espelhos com suas lentes de almas e toques de interações. Aquele espelho do deserto tinha como que tentáculos que instigavam os corações e os pensamentos. Mas como não percebiam e não escapavam disso os moradores daquela cidade?

Um investigador que ficou de fora do túnel, num dado momento, acabara não sendo sugado por seu túnel, começou a fazer observações. Ainda que, ao observar acabara se sentindo atraído por aqueles tentáculos e quase cedia às suas seduções.

Ele chamou aqueles tentáculos de redes sociais e percebeu que, à sombra do suposto sigilo, as pessoas se expunham umas às outras. Aquela jovem era uma pessoa qualquer que, simplesmente, na situação de partilhas de pensamentos sigilosos mergulhava em relações nas quais expressava suas inclinações inconscientes nas entrelinhas dos diálogos conscientes.

E assim, aquela jovem, símbolo de suas pesquisas, deixou-se levar pelas brincadeiras, pelas piadas, debates, críticas e outras tantas coisas que, num ambiente de tantas exposições, lhe quebrara as barreiras do expor-se.

O investigador, porém, viu um caso curioso. Algumas pessoas estavam pegando lanternas e colocando naqueles túneis. Percebeu, então, que eram holofotes que faziam o céu ser espelhado nas paredes daquele túnel.

Notou, a partir dali, que as luzes daqueles holofotes estavam ajudando muitas pessoas a se perceberem e saírem de buracos; que aqueles tentáculos perdiam a força de amarrar aqueles que aceitavam que a luz dos santos holofotes os acompanhassem. A ele, cada vez ficava mais evidente que mais importante do que a existência dos túneis luminosos era o que se utilizava para caminhar, se a pessoa iria desatenta e sob os impulsos do túnel ou se iria prevenida, carregando consigo, no peito, o holofote e nos olhos aquelas lentes especiais que ficavam recordando que há uma realidade extra túnel.

Conversando com um monge, o investigador compreendeu que aquele holofote levava a clareza da fé e da razão àquele túnel cujas paredes eram de sentimentos, muitos dos quais reprimidos. O monge também lhe mostrou que as lentes especiais eram a atenção aos detalhes e o alerta que desenvolve a habilidade de separar o perceptível do real. Pois nem tudo é como se interpreta. E, naquele túnel sensitivo, muitas vezes as emoções criam uma realidade paralela à real.

Logo o investigador passou a perceber que aquele monge tinha um algo especial que o fazia distinguir realidades, um algo mais que o fazia enxergar além do que seus olhos captaram. Começou a observar que mesmo fora daquele objeto luminoso e interativo havia uma realidade com a qual ele ainda não se dera conta. Pouco a pouco, o que lhe era impensável foi tomando conta de seus pensamentos… Havia algo além do túnel e além de seu laboratório de investigações. Chegou à conclusão que há uma realidade além dos olhos!

A busca pela verdade que motivara o investigador levou-o a enxergar além do emocional instintivo que ele percebera levar tantos a enveredar pelos prazeres e mitos. A crença na busca pela verdade o levara a escapar do mítico, por meio da ciência.

 

A sinceridade de sua busca o levou a dar um novo passo e ser humilde para perceber que sua busca estava além dos limites científicos, conhecendo a filosofia, ainda que de uma forma nem sempre visível. A perseverança por sua busca o encaminhara, como se percebe, por um caminho de virtudes, no qual ele já trazia na bagagem a fortaleza, na solidez da persistência; a perseverança, na continuidade da busca pela verdade; na coerência por sua busca, conheceu a justiça; procurando ser justo conheceu a humildade e a humildade lhe apresentou o amor. O amor lhe abriu os olhos para uma nova realidade: a que vai além dos olhos físicos, que toma conta do ser e o realiza como ser, que o leva a transcender e abrir-se à revelação. O amor à verdade levou o curioso a crer. No fim, o investigador percebeu que, enquanto a grande maioria se deixava prender-se pela falsa luz, o amor lhe lançara raios pelos quais ele pudera andar acima daquelas luzes. A força do Espírito da Verdade tocou o seu coração despertando, nele, o amor à verdade, ou seja, a semente que o conduziu do olhar o acontecimento ao escutar os ensinamentos e lhe propiciou o abrir-se à plenitude.

E foi assim que o investigador conheceu a mística de um espelho invisível, pelo qual ele pode olhar para dentro de sua própria alma, fazer a faxina em seu espírito e, finalmente, contemplar o Céu.

Maceió, 20 de novembro de 2017.

Alisson Francisco Rodrigues Barreto

[1] Alisson Francisco Rodrigues Barreto é poeta, filósofo; bacharel em Direito; pós-graduado em Direito Processual. Seminarista de Teologia. Autor do livro Pensando com Poesia e do blog A Palavra em palavras, o qual é disponibilizado por TribunaHoje.com, desde 2011.

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