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Blog | Ailton Villanova

      Solteiríssima dentro dos seus 85 anos de idade (segundo dizia ela que por opção própria), dona Mariolina Epifânio ainda dava as suas cacetadas. Lembrava que na época de mocinha chegou a namorar 22 rapazes de uma vez só. Já na idade da balzaquianice continuava mantendo a fama de danada. Desde os tempos de colégio ela tinha uma amigona, dona Babilônia Freitas, a quem chamava de Babi, que também não ficava atrás nas paqueras e conquistas amorosas. Mas, um dia, Babi se apaixonou por um certo Anthimônio Botelho, casou-se com o indigitado e distanciou-se de Mariolina.

      Passaram-se anos e, belo dia, Mariolina e Babilônia voltaram-se a se encontrar num dos shoppings da cidade. Sentaram-se num canto e tome papo. A certa altura, dona Babi revelou:

      - Depois que o meu Anthimônio morreu eu fiquei muito só. Meu filho Adalardo, que tem uma vida muito agitada, me propôs que eu vá para um asilo, onde certamente terei muitos amigos. O que você acha, Mariolina?

      - Eu acho ótimo, minha amiga. E você quer saber de uma coisa? Também vou pra lá!

      - Vai mesmo? Que felicidade, meu Deus! Será como nos velhos tempos, hein?

      Não demorou muito as duas velhinhas estavam instaladas no mesmo asilo para idosos, mas em áreas distintas. Dias mais tarde, uma foi visitar a outra. Babilônia recebeu a amiga de braços abertos:

       - Já estava com saudade de você, mulher! O que anda fazendo de bom?

       - Arrumei um namorado! – revelou Mariolina. – Ele é lindo e tem 95 anos!

       - Não diga! Eu também arrumei um paquera!

      - O que vocês fazem?

      - Bom, depois do almoço, a gente vai pro quarto e ele se senta numa ponta da cama... e eu na outra. Aí, ele segura a minha mão...

      - E o que mais?

      - A gente passa a tarde cantando hinos de igreja. É maravilhoso! E você e seu namorado, o que fazem?

      - Aaaah... como a gente não sabe cantar, a gente transa a tarde e a noite inteiras!  

 

E ela ficou de fora!

      Foi como uma sentença de morte pro Audenólio. Após interpretar os exames laboratoriais que havia requisitado, seu médico José Dias fez uma cara feia danada, coçou a careca e falou constrangido:

      - Seu problema é irreversível, meu velho. Mulherengo do jeito que é, só podia esgotar toda a capacidade do seu pênis. Ele está irremediavelmente gasto!

      Audenólio desesperou-se:

      - Danou-se, doutor! Não tem mais jeito meeesmo?

      - Bem, pelas minhas contas, você só tem um saldo de aproximadamente trinta ereções. Isso, no máximo!

      Audenólio voltou pra casa, horas mais tarde, com a venta praticamente arrastando no chão. Chamou a mulher, dona Cacilonilda e contou pra ela a terrível sentença que havia recebido.

       Dessa vez foi a madame quem apavorou-se:

       - Ai, meu padrinho Ciço Romão! Só trinta?

       - Só.

       - Se é assim, não vamos desperdiçar nenhuma! Temos que fazer logo uma programação!

       E ele:

        - A programação eu já fiz, no caminho de volta pra casa. Infelizmente  não deu pra incluir você!

 

A música foi a desgraça!

      Quem imaginaria que, um dia, dona Silicônia, aquela madame tão fina, carinha de santa, arzinho romântico, seria capaz de promover um escândalo de proporções assustadoras. O culpado por esse episódio constrangedor foi o marido dela, o Elesbaldo que, no entender da própria Silicônia, “teve a paga merecida”.

      No princípio do relacionamento dos dois, tudo eram flores. O casal vivia bem dizer no céu. Elesbão só via terra onde Silicônia pisava. E as juras de amor eterno? Cada uma mais caprichada que a outra.

      Os anos foram passando e o Elesbão esfriando. Até que gelou de vez. A partir daí, ele achou de só voltar pra casa depois da meia-noite, britado e cheirando a puta. E dona Silicônia aguentando firme, porque alimentava a esperança de que o safado voltaria a ser o que era. Até que chegou a data consagrada ao 30° aniversário de casório. Merecia uma comemoração, não merecia? Silicônia sugeriu, o marido chiou mas concordou.

       Então, foram jantar fora. Ingressaram num restaurante fino da zona litorânea, por exigência de madame, e ocuparam uma mesa de pista. Música romântica ao vivo, tudo muito a propósito.

       De repente, dona Silicônia assumiu aquele ar de adolescente apaixonada e, toda lânguida, escorou-se no marido:

       - Está ouvindo, amor?

       E ele, ausente:

      - O quê? Você falou o quê?

      - Eu perguntei se você estava ouvindo a música...

      - O quê?

      - A música que estão tocando...! É a nossa música! Lembra?

      - Hein?

      Silicônia aumentou o volume da voz:

      - A múúúsica! Estão tocando a música do nosso noivado! Ouviu agora?

      - Fala mais alto, mulher! Eu não consigo ouvir nada com essa porcaria de música!

      Ah, foi demais para a romântica Silicônia. Ao ouvir o depreciativo à sua canção de amor, a gentil senhora perdeu a elegância e promoveu o escândalo referido no início. Levantou-se na base do grito:

      - Porcaria de música?! Você chama o nosso tema de amor de porcaria, seu cretino? Pois fique sabendo que porcaria é você, canalha!

      Elesbão olhava para a mulher espantando, e ela continuava esbravejando. De repente, deu garra de um litro de champanhe que repousava num balde de gelo sobre a mesa, e estourou na cabeça do marido. Em seguida, deixou o restaurante chutando mesas e cadeiras.

      Enquanto isso, o infeliz do Elesbão era levado às pressas pro hospital, com a banda da cabeça rachada.  

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