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Blog | Maternidade Colaborativa, por Joelma Leite

18/04/2017 09:48

Criança gordinha, nem sempre, é criança saudável

55,4% da população de Maceió tem obesidade, 17,6% das crianças alagoanas com até cinco anos de idade estão sob risco de sobrepeso.

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (17), mostrou que mais da metade da população de Maceió, 55,4%, tem obesidade. O crescimento da obesidade colabora com o aumento de doenças como diabetes, hipertensão e doenças crônicas. De acordo com estudos realizados pela Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em 2011 a obesidade e a desnutrição já são proporcionais entre crianças de 5 anos. De acordo com o artigo do professor da Ufal, Haroldo Ferreira, a desnutrição infantil vem sendo reduzida e paralelo a isso os números relativos a obesidade vem aumentando. Essas informações refletem diretamente o perfil da população. De acordo com uma pesquisa da Secretaria de Estado de Estado e Saúde de Alagoas (Sesau) 17,6% das crianças alagoanas com até cinco anos de idade estão sob risco de sobrepeso e 11,1% estão obesas. Desse total, 70% têm chances de se tornarem adolescentes obesos.

É importante salientar que as crianças aprendem a comer os alimentos que a família, professores e amigos oferecem. Então está sob responsabilidades do pai, mãe ou responsável cuidar para que a criança tenha uma alimentação a mais rica em nutrientes possíveis. Crianças pequenas não devem ter contato com açúcar especialmente nos primeiros 2 anos de vida. Isso porque já está mais que comprovado cientificamente que os primeiros mil dias de vida (da gestação aos 2 anos) são cruciais para a saúde do indivíduo com repercussões por toda a vida. Algumas razões para não acostumar nossos pequenos ao açúcar são as seguintes:

Açúcar branco é caloria vazia, não tem nenhum nutriente importante para o organismo. Quando consumido em excesso, aumenta muito a chance de obesidade, diabetes, câncer e várias outras doenças.

Entre 1 ano e meio e 3 anos o apetite dos pequenos diminui e eles entram numa fase chamada “mini-adolescência”. Muitos “param de comer” ou tornam-se seletivos. Aqueles acostumados a comer açúcar, certamente, enfrentarão muito mais dificuldades nessa fase e a família sofrerá mais. Quanto mais oferecermos os alimentos adoçados artificialmente, mais o bebê vai preferir esse tipo de alimento e mais difícil será introduzir outros sabores.

O açúcar mascara o sabor original do alimento e o bebê tende a recusá-lo quando oferecido da forma natural.

Lembre-se: o bebê está conhecendo tudo. Ele vai aprender o que você ensinar! A necessidade de comer alimentos doces é do adulto. Ele não sabe que um suco tem que ter açúcar, não sabe que uma fruta pode parecer "melhor" com achocolatado.

O carboidrato que ele precisa para ter energia já está presente nas frutas e na comidinha em quantidades suficientes. Se adicionamos açúcar, começamos a vida dele com excessos, e, no futuro, poderemos nos arrepender. Seu bebê é uma página em branco! Cuidado com o que você escreverá nos primeiros capítulos dessa história.

São vários os fatores que corroboram para esse quadro, que começa com a correria diária, aliada a falta de tempo e de orientação nutricional adequada aos futuros pais, desde antes da gravidez, alterando a expressão dos genes, passa pelo desmame precoce, seguido pela fórmula que custa os olhos da cara, então logo após vem o leite integral com açúcar e farináceos nos primeiros 6 meses de vida. A introdução alimentar com petit suisse, primeiro um, depois dois, depois o maxi, uma bolachinha de hora em hora para um bebê insaciável, gordinho, então "forte e saudável" e feliz. A comida de verdade passa longe, onde não tem problema de experimentar o refrigerante. O suco de caixinha é regra, de manhã, de tarde e às vezes de noite. É tão lindo o bebê chupando o pirulito e o mesverssário de 9 meses já tem coxinha e com 1 ano o smash the cake. Já entra na escola com o refrigerante caçulinha na lancheira, o bolinho recheado e de novo a coxinha. Mas agora já está grandinho e pode o catchup. Final de semana é para relaxar, então é pizza dormida no café, miojo no almoço e pastel no jantar. E assim segue a família sem notar que o bebê fortinho, torna-se um menino "cheinho".

Então muitas mamães, papais e responsáveis dirão: "Desde que o mundo é mundo crianças comem doce, não tinha essa frescura, se comia de tudo e ninguém morreu!” Mas não contaram que uma grande porcentagem das que não morreram tiveram diabetes, que mata mais que HIV, tuberculose e malária, somados. E a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo de doces a partir dos 2 anos. A justificativa de que a criança tomou, toma ou fez qualquer coisa e não morreu, não se aplica, tendo em vista que o objetivo de cuidar e alimentar, nem é matar, e se antes tínhamos uma alta mortalidade infantil por desnutrição e fome, hoje temos uma epidemia de obesidade e doenças correlatas pela excessiva e inadequada alimentação. E a doença só aparece muito depois. O mundo da maternidade é cheio de assuntos polêmicos, e cada um cria o filho da forma que achar melhor, cada um tem uma concepção do que é bom, a informação está aí, informação é poder, use-a da melhor forma possível, e compartilhe para ajudar uma mãe, pai ou responsável. Que nunca sejamos "bons o suficiente" para não reconhecer nossos erros e acertos nos altos e baixos na criação dos nossos filhos. Você não precisa tocar na tragédia para sentir de verdade.

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