Um tira da pesada - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas

Blog | Ailton Villanova

 Desde pequeno, Aglipérides Bento, o Ximbica, sonhava ser um tira. Quando garotão, não perdia um filme policial. Mas, acontece, que o seu entendimento das coisas deixava por demais a desejar. Na escola, sempre recebeu nota zero na maioria das matérias. De modo que, por conta disso, jamais passou do segundo ano do finado curso primário. Em resumo, era analfabeto.

       Alimentando o sonho de ingressar na Polícia Civil, Ximbica - segundo as contas de sua saudosa mãe, dona Perácia -, inscreveu-se em mais de cem concursos, sem, jamais, lograr êxito algum. Mas continuou insistindo.

       Certa manhã, ele passava pela porta de uma delegacia de polícia e aí viu uma tabuleta pregada na parede. Com muito sacrifício, conseguiu o ler o que estava escritado nela: “Precisa-se de auxiliar de limpeza”.

        Aglipérides viu aí a grande oportunidade de ingressar no ambiente policial. E começou a imaginar que aquele seria o primeiro degrau para galgar o cume da carreira de agente da lei. Mais que depressa entrou na repartição e, num abrir e fechar de olhos, estava diante do delegado.

         - Quer mesmo trabalhar de xeleléu, rapaz? – indagou-lhe a autoridade.

         E ele, todo contente, esfregando as mãos, sem saber o diabo era “xeleléu”:

         - É tudo o que eu quero, excelência!

         - Sabe ler e escrever?

         - “Seio”.

         - Quanto é 1 e 1? – sapecou o delegado.

         - Onze! – ele respondeu, sem trastejar.

         Aquela não era a resposta que o delegado exatamente queria, mas ele reconheceu que o cara tinha razão. E seguiu adiante, na arguição:

         - Quais são os dois meses que começam com a letra “M”?

         - Mês que vem e mês passado!

         Ainda sem saber se o Aglipérides estava tirando uma onda com a sua cara, ou se era burro mesmo, o delegado resolveu lançar-lhe um desafio:

         - Quem matou Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes?

         O candidato se mostrou surpreso e admitiu:

          - Sei não, excelência.

          - Bom, vá pra casa e tente descobrir. – recomendou o delegado, satisfeito por ter frustrado o Aglipérides.

          Minutos depois, ele chegou em casa orgulhosíssimo.

          - Mãe! – gritou ele. – Acabei de fazer uma entrevista pra entrar na polícia!

          - Não me diga, meu filho! E como é que foi?

          - Foi ótima, mãe! Primeiro dia de trabalho e já estou investigando um crime de morte!

 

Uma questão de sobrevivência

      Depois de mil investigações, a polícia logrou prender um facínora da pior espécie chamado Tibórnio Bicalho, pistoleiro conhecidíssimo em todo o Nordeste. A prisão se deu no estado de Pernambuco, mais precisamente na cidade de Arco Verde. Levado à presença do delegado Agatenor Bezerra, este o inquiriu, na base do sarcasmo:

       - Então o senhor é o famoso Bicalho, hein?

       E o bandido, muito educado:

       - Sou sim. Aqui tem um criado às suas ordens, doutor...

       - Além do mais, você é um cabra muito cínico! Não se envergonha de ser um matador profissional?

       - Ora, doutor, todo mundo precisa sobreviver, não é?

 

Herodes imundo!  

      No tribunal do júri um infeliz cristão estava sendo julgado, sob a acusação de haver cometido um crime de morte. A certa altura do debate, o advogado de defesa encarou os jurados, em seguida olhou para o juiz, e sapecou:

       - Meritíssimo, lavo as minhas mãos como Herodes!

       Depois dessa afirmação, o promotor de justiça pediu a palavra e consertou:

       - Excelência! Quem lavou as mãos não foi Herodes. Foi Pilatos!

       Então, o advogado de defesa treplicou: 

       - Será que Herodes era tão imundo a ponto de, nem uma vez na vida, tenha lavado suas mãos?

 

Negociante muito ousado

      Ele nasceu numa manhã chuvosa, entre cantar de grilos e coaxar de sapos cururus, na região brejalina do Vergel. Foi batizado na igreja católica sob o nome de Jupinambá da Conceição, mais tarde apelidado de Camarão. Ainda garoto, abraçou o ofício de pescador, nas águas da lagoa Mundaú. Quando ficou rapazinho, adquiriu o vício da birita e, no contrapeso, habituais puxadas na tal de maconha.

      Mais tarde, Camarão passou a alternar o comércio de pescado com a venda da erva, que hoje em dia não é mais “maldita”. Tinha ocasiões que misturava as duas coisas nas transações com a freguesia sempre crescente.

      Quando não estava biritado, Camarão era encontrado aloprado com mil vapores de THC no juízo. Um dia, numa batida policial, ali pelas bandas da Coréia, ele foi preso passando caranguejo com contrapeso de maconha. Imediatamente, foi levado à presença do delegado titular da 3ª. Delegacia Distrital, doutor Carlomano de Gusmão Miranda.

       - Quer dizer que o amigo aí se vira nas duas, não é? – indagou a autoridade policial.

       E o Camarão:

       - A gente faz o que pode, né doutor?

       - Bom, vou autuá-lo em flagrante e, em seguida, encaminhá-lo a penitenciária...

       - Quer dizer que eu tô perdido, não é, doutor?

       - Perdido e meio!

       - E como é que eu vou fazer com esses caranguejos todos? Vou deixar os coitadinhos abandonados?

       O delegado Carlomano, cuja fama era a de caceteiro, teve piedade dos caranguejos, e então sugeriu:

       - Eu posso fazer uma coisa pelos bichinhos, que não têm culpa das suas safadezas... 

       - Que coisa, doutor?

       - Compro todos! Quanto quer pela corda dos caranguejos?

       Camarão não titubeou:

       - Sete mirréis!

       - O que é isso, rapaz? Sete mil réis tá caro demais! Pago cinco! É pegar ou largar!

       Camarão coçou a cabeça, puxou a ponta da orelha e contrapropôs:

        - Tá legal. Eu vendo a corda dos caranguejos pelos cinco mirréis, mas o senhor me dá um tiquinho dessa maconha, certo? É só pra eu não ter um prejuízo maior...

        Preciso falar do tremendo pau que ele levou?

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