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Blog | Gerônimo Vicente

Jornalismo imersivo Jornalismo imersivo

Em 1988, surgiram os primeiros terminais de computadores em uma redação de  um jornal em Alagoas.  Para a categoria, além de uma ameaça ao  emprego, a  geringonça que se parecia com uma TV de 14 polegadas não era adequada aos profissionais acostumados com barulho das máquinas de datilografia. E quando surgia, a tela preta com um traço branco exigindo algum código para iniciar os trabalhos era um Deus nos Acuda entre os jornalistas. Recordo que, diante da perplexidade da chegada do computador às redações e da apreensão de todos, o Sindicato dos Jornalistas, às pressas resolveu firmar um convênio com o Senac para ofertar um curso de MS-DOS aos seus filiados para que passassem a ter intimidade com a modernidade. O curso falava de algoritmos, logaritmos e outras linguagens de informática sem nenhuma familiaridade com o jornalismo naquela ocasião. A maioria concluiu o curso, sem entender nada da era cibernética.

O primeiro jornal a introduzir os computadores na redação foi a Gazeta de Alagoas que naquela ocasião renovara a maior parte da equipe de jornalistas devido a uma greve da categoria por equiparação salarial. A função “control e alguma coisa” (CRTL +) era o terror dos mais antigos na casa. Porém com o passar do tempo e a chegada do Windows com todas as plataformas prontas, os temerários foram se acostumando com a tecnologia da informação.

Na atualidade, a função de jornalista considerada generalista, ganhou ainda mais essa caraca terística com a associação de novos estilos de jornalismo associados à internet. Em Alagoas, ainda estamos engatinhando neste aspecto, mais nos grandes jornais do sul do país e dos países ocidentais mais avançados, a interatividade do público-leitor passou a ser mais intensa graças a essas novas ferramentais digitais. E o jornalista que odiava matemática, geografia, estatística, física passou a conviver com essas multidisciplinas no dia a dia.

O jornalismo eletrônico a cada ano se reinventa. Primeiro, surgiu a reportagem a partir de dados do computador com ensinamentos sobre como associar os sites de busca e a partir deles chegar a uma grande reportagem. Depois surgiu o Jornalismo de Dados que insere o profissional a raspagem de informações estatísticas, modalidade que já rendeu vários prêmios a colegas pelo aís afora. Posteriormente, surgiu a Visualização de Dados que associar números, arte, mapas, vídeos e imagens em um só serviço. O modelo caracteriza reportagens de TV , internet e jornal sobre acidentes, casos de corrupção e outras matérias que exijam essa dinâmica. Mais tarde, apareceu o Jornalismo Móvel, onde o tablets, o celular, ou uma câmeras fotográficas associadas a uma rede social emitem informações ao vivo de qualquer ponto do mundo. Antes fiz um texto falando sobre essa modalidade que foi fundamental para desvendar um atentado na Maratona de Boston.

E quem pensa que a tecnologia da informação deu uma folga se enganou. Está chegando ao Brasil o Jornalismo Imersivo, o que significa que você, leitor, telespectador ou ouvintes (já que o rádio aderiu à internet) dentro da notícia. O que vem a ser esse novo perfil?.

O sistema consiste de filmagens e fotografias em 360 graus para dar uma visão tridimensional do fato, com direito a aproximação e distanciamento das imagens. Com esse tipo de jornalismo, o usuário terá grandes caminhos para ver a reportagem, aproveitando a experiência por meio do You Tube. Utilizando o mouse do computador ou girando o dispositivo no caso de fazê-lo através do aplicativo do You Tube Celular é possível acessar os 360 graus de visão.

Segundo a entidade norte-americana, Knigth Center Journalism, o vídeo 360 e a realidade virtual são baseados no mesmo conceito: as imagens, gravadas de forma omnidirecional, permitem ao usuário contemplar uma cena como se estivesse no centro dela. Assim, ele pode ver o que acontece em todas as direções: para a frente, para trás, para a direita, para a esquerda, para cima ou para baixo.

Os vídeos 360, podem ser vistos como qualquer outro audiovisual, de um dispositivo móvel ou PC.  A diferença para um vídeo normal é que o usuário pode 'mover-se' através do vídeo - com o cursor ou simplesmente movendo o celular - para ver a cena em todas as direções possíveis. Esses vídeos imersivos, também chamados esféricos, podem ser vistos por meio de visualizadores ou de capacetes especiais que bloqueiam a visão toda do usuário. As opções vão desde óculos simples feitos de papelão do Google (os cardboards) até equipamentos mais sofisticados como o Oculus Rift ou o PlayStation VR.

Com a rapidez da tecnologia, não acredito que nós alagoanos estejamos tão distante dessa nova realidade virtual.













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