Grandes obras, antigos projetos - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas

Blog | Gerônimo Vicente

Projeto de Frente para a Lagoa, da Prefeitura de  Maceió Projeto de Frente para a Lagoa, da Prefeitura de Maceió

 

            Não resta dúvida de que a cidade de Maceió teve um significativo avanço nos últimos 15 anos se comparada há quatro décadas. Novas ruas, viadutos e outros logradouros públicos deram uma nova cara a capital dos alagoanos. O perfil turístico pode ter contribuído para essa nova paisagem, afinal de contas, houve, nos 40 anos  a duplicação da população maceioense, boa parte dela formada por migrantes, principalmente do sul do país e que aqui se instalaram e fizeram nascer outros alagoanos.

            A mudança de conduta urbanística foi compulsória. A cidade já não poderia ter o aspecto de miserabilidade tão característica dos anos de 1970, por falta de serviços básicos (água, energia elétrica e saneamento) e necessitava de se firmar como capital de estado. Assim, surgiram vias litorâneas e, consequentemente, a expansão imobiliária na orla marítima e na parte alta. O trânsito caótico e tão retratado em prosa, versos e até em filmes como Bye, Bye Brasil, 1979 de Cacá Diegues, provocou o surgimento de pontes e viadutos que hoje interligam trechos até pouco tempo desconhecidos pelos maceioenses. Contudo, algumas dessas obras, não só em Maceió como em outros municípios do Estado, integram o corpo de projetos antigos alguns com quase meio século de tramitação burocrática e, por esse ângulo, mostra-nos o quanto estamos atrasados do ponto de vista da mobilidade urbana, apesar da feição atual de modernismo.

            Tenho o hábito de colecionar livros que têm como autores políticos alagoanos. A mania já dura muito tempo e a minha finalidade é saber o que eles dizem hoje sobre o que disseram no passado. Os livros foram impressos em gráficas oficiais, ou seja, não representavam custos para seus idealizadores e o conteúdo se recheava de um misto de tentativa de demonstração intelectual, com citação de filósofos greco-romanos, como Cícero, Aristóteles e Platão a projetos apresentados em plenários como, reivindicação de pontes, instalação de orelhões telefônicos, contratação de carros-pipas, homenagens ao compadrio político e outras futilidades chamadas de “romance ou ficção literária”. Para o eleitor carente de consciência crítica, ganhar um livro de um político era sinônimo de demonstração de carinho e respeito.

            Pois bem, foram em alguns desses livros onde encontrei referências a projetos de obras, hoje, mostrados na TV com modernos recursos audiovisuais. Por exemplo, em um dos livros de autoria do governador Divaldo Suruagy, “Sua Excelência, o Governador” é citado um projeto urbanístico que margeia a Lagoa Mundaú de Santa Luzia do Norte à praia do Sobral. A proposta foi idealizada em 1969, conforme o texto contido no livro e previa o escoamento da produção de cana-de-açúcar por trens de carga até o Porto de Maceió, excluindo a linha férrea da área urbana de Maceió. O sistema ferroviário, na década de 1970, tinha 385 km e era o principal transporte de toda produção açucareira. A avenida do Dique-Estrada que corta os bairros do Vergel do lago, Ponta Grossa e Trapiche, inclusive surgiu com esse propósito. Contudo, o caos administrativo em que meteram o Estado de Alagoas nos anos seguintes impediu a sequência do projeto. Atualmente, a Prefeitura de Maceió anuncia o projeto De Frente para a Lagoa com aspectos bem semelhantes à proposta do século 20, evidentemente sem o trem, mas dotado de toda estrutura prevista no Estatuto das Cidades.

            Outra obra identificada nesses livros políticos é a da ponte que liga Penedo e Neópolis. O mesmo Suruagy se refere a um encontro, em Brasília, em 1975, com o ministro dos Transportes Mário Andreazza para apresentação do projeto. Quarenta e dois anos depois a obra para construção da ponte Penedo/Neópolis está orçada em R$ 320 milhões e deve-se iniciar em breve.

            O projeto de tornar-se o município de Mar Vermelho como ponto turístico é da época da existência da Ematur (Empresa Alagoana de Turismo) na década de 1980. A ideia era aproveitar as características climáticas da região e transformá-la em uma Garanhuns-PE. Aliás, o jornalista Aldo Ivo que morreu, recentemente, era um dos entusiastas do projeto. Somente no ano passado, o Ministério do Turismo inseriu a cidade como um dos pólo turístico alagoano na região chamada Quilombo. 

            Em Maceió ligações como a passagem de nível da Rua Barão de Atalaia e o viaduto da avenida Antônio Brandão construídos no início da década passada, eram projetos do então secretário de Planejamento do Estado do governo Lamenha Filho, Ib Gatto Falcão. Além desses equipamentos urbanos Ib Gatto projetou outra passagem de nível na ligando o bairro do Pinheiro a Avenida Rotary que ainda não saiu do papel.

Já a chamada Eco Via que liga o litoral norte à parte alta da cidade foi citada em 1988 como uma das propostas da chapa para a candidatura a prefeito por Maceió Renan Calheiros (PSDB à época) e Sabino Romariz (PDT).

           Portanto, é evidente que todas as obras que representem o desenvolvimento econômico e sustentável de Alagoas são bem-vindas para a população alagoana, porém não se pode esquecer os atrasos e os transtornos de décadas causados a população ocorridos  entre o projeto e a concretização delas.

          O que se espera é que esses jovens gestores possam ser mais céleres em suas promessas quanto são as projeções visuais apresentadas para a população como aquelas sobre  duplicação da AL- 101 Norte, a construção do Hospital Metropolitano e outras obras que seus antecedentes esqueceram nas prateleiras dos órgãos públicos.

 

Facebook