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Blog | Ailton Villanova

O nome dele jamais alguém soube. Era conhecido apenas pelo apelido: “Charuto”. Negro, grandalhão, era do tipo caladão. Todos os dias ele entrava no bar do galego Ezíquio (o Quiquiu), com o seu gatinho debaixo do braço. Ocupava sempre a mesma mesa e o dono da birosca, já habituado com a dupla, servia uma dose de cachaça para cada um, a do bichano num pires. Eles bebiam, Charuto pagava a conta e saiam dignamente.

      Certa noite, porém, o gatinho apareceu sem o dono e ficou com as patinhas apoiadas no balcão, soltando miados pidões. Galego Quiquiu não hesitou: passou-lhe o pires com a cachacinha de sempre. “Hoje, o dono deve ter tido um compromisso muito sério, ou está doente”, pensou o barista.

      O animal bebeu tranquilo a sua dose, soltou um miado educado e foi embora, de rabo levantado. Na noite seguinte, ele reapareceu, dessa vez acompanhado do dono, que fez questão de agradecer ao Ezíquio pela maneira gentil como atendeu o seu bichano. Este respondeu:

      - Ora, não foi nada, amigão.

      Aí, Charuto pegou uma caixa semelhante a uma daquelas de sapatos e pôs em cima do balcão:

         - Olha, nós gostaríamos que você aceitasse este pequeno presente...

         O dono do bar encabulou-se:

         - Mas não precisa isso, rapaz!

         - É uma lagosta. E está viva! – explicou Charuto.

         - Ah, muito obrigado! Vou guardá-la para o jantar.

         E o Charuto:

           - Ela já jantou, mas ficaria muito feliz se você a levasse ao cinema!

 

Que sequestro?!

      Algo preocupada, a madame procurou o gabinete do delegado de polícia de plantão e avisou ao agente que atendia na portaria:

      - Quero falar com o doutor!

      - Pois não, senhora...

      Dito isto, o funcionário deu garra do interfone, fez ciência da visita à autoridade, que autorizou:

      - Mande-a entrar!

      Madame entrou, e disse ao delgado, antes que ele perguntasse qualquer coisa:

       - Está com mais de 24 horas que o meu marido sumiu! Ele é baixinho, meio barrigudo, cabelinho lisinho caído na testa e tem um bigodinho de escova.

       - A senhora desconfia de sequestro... ou algo parecido? – inquiriu o delegado.

       - Não senhor, doutor.  Ontem, pela primeira vez, o fujão saiu para o seu cooper matinal carregando quatro malas.

 

Gastou  a pintinha todinha!

      Na manhã seguinte a da noite de núpcias, a noivinha Tercilinha, ingenuazinha de dar gosto, pulou da cama chorando.

       - Quê que houve, meu amor? – perguntou, assustado, o maridinho Ednaldo.

       - É que ontem à noite... – ela começou a responder.

       - Ontem à noite? – interrompeu Ednaldo. – Eu lhe machuquei? Você não gostou?

       - Não, não! Nada disso! Gostei! Foi maravilhoso! – ela se explicou, apontando para o pintinho dele, aquela porcariazinha murcha. – Mas, veja, numa única noite nós já gastamos ela todinha!

 

Grande ajuda para o jardim  

      Um velhinho, que vivia sozinho, queria plantar flores no jardim de casa. Mas cavar era um trabalho muito pesado pra ele. O único filho que tinha, o qual normalmente o ajudava, estava na prisão. O velho, então, escreveu uma carta para o tal filho, na qual falou sobre o problema. Pouco depois, o velhinho recebeu o seguinte telegrama:

      “Pelo amor de Deus, papai, não escave o jardim! Foi lá que escondi os corpos!”  

      Às quatro da manhã do dia seguinte, apareceram policiais que cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo. Confuso, o velho escreveu outra carta para o filho, contando o que acontecera, O rapaz respondeu:

        “Pode plantar o seu jardim agora, pai. Isso é o máximo que eu posso fazer no  momento”.

 

Um namorado muito suspeito

      Duas velhas amigas se encontraram na rua. Aí, uma delas, muito da curiosa, foi logo querendo saber:

      - E aí, Anita? Me conta como foi o encontro de ontem à noite!

      E a Anita:

      - Horrivel! Não sei o que aconteceu...!

      - Como não sabe? Ele não te deu ao menos um beijo?

      - Beijar, ele me beijou, sim! Mas foi tão forte que meu dente postiço da frente caiu e as lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos...!

      - Não me diga que terminou aí! – especulou a amiga.

      - Não, claro que não! Depois, ele pegou o meu rosto entre as mãos, até que tive de pedir que não o fizesse mais, porque estava achatando o botox! E ele me mordia o lábio como se fosse de plástico. Quase explodiu o meu implante de colágeno e o mega hair quase sai!

      - Ave Maria! E ele não tentou mais nada?

      - Sim. Ele passou a acariciar as minhas pernas e aí eu o detive, porque me lembrei que não tive tempo de me depilar. Pensa que ele parou? Parou o quê! Ele me arrebatou com luxúria e me abraçou tão forte, que quase ficou com as minhas próteses dos glúteos nas mãos... Nesse momento, estourou o meu silicone do peito...

       - E depois, que aconteceu?

       - Aí, ele começou a tomar champanhe no meu sapato!

       - Oh! Que romântico!

       - Que romântico, que nada, mulher! O infeliz quase morreu!!! Engoliu o meu corretor de joanete com a palmilha do salto...

       - Nossa! E ele ainda fez mais alguma coisa?

       - Foi embora!

       - Anita, vou te contar... acho que ele é gay!

       - Também acho! 

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