Pernambuco celebra nesta segunda-feira, 200 anos da revolução de 1817 que provocou a emancipação de Alagoas - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas

Blog | Gerônimo Vicente

Ilustração da benção da bandeira Ilustração da benção da bandeira

Duzentos anos se passam, exatamente às 10horas desta segunda-feira (6). A morte do brigadeiro Manual Joaquim Barbosa de Castro foi o estopim para o início da revolução pernambucana que visou tirar o poder do território das mãos dos portugueses, comandados, no Rio de Janeiro, pelo príncipe regente Dom João VI. Em 6 de março de 1817, a insatisfação dos pernambucanos com a coroa portuguesa atingiu o grau mais intenso. Foram anos de exploração, cobranças de impostos que se revestiam diretamente em benefícios para o Rio de Janeiro, desleixo da corte com a estiagem de 1816 que matou vários nordestinos de fome e prejudicou a produção de cana-de-açúcar. Todas essas mazelas foram resolvidas por um golpe de espada e os gritos de “Viva a Pátria!” e “Mata Marinheiro!” como se referiam os brasileiros aos portugueses. Dessa revolução, surgiu meses adiante, o Estado de Alagoas como presente àqueles brasileiros que se mantiveram leais a Dom João VI.

Liderada por senhores de engenho, padres e profissionais liberais, a revolução pernambucana instalou um governo provisório sem confronto, pois os revoltosos resolveram dar uma chance ao governador Caetano Pinto, apontado como bom administrador. Pernambuco ainda guarda documentos históricos sobre essa insurreição e um deles é o depoimento do comerciante de um francês Louis Francois Tonellare que viveu em Recife de 1816 a 1818. Porém o episódio não aparece com destaque nos livros de História do Brasil, embora os ideais tenham sido uma alavanca para outras revoltas que tiveram como consequência a Independência do Brasil.

Há dois séculos passados, a insatisfação dos nativos com decisões arbitrárias do Brasil Colônia se tornou um caldeirão em plena fervura. A chegada da família real com todas as suas esquisitices causou mais indignação aos brasileiros que, a partir dessa etapa, passaram a manter uma imensa comitiva real fugida das garras de Napoleão Bonaparte, imperador francês, cujas tropas invadiram Portugal. Isso gerou uma tremenda discrepância social entre a Corte, no Rio de Janeiro e as províncias, principalmente aqueles do Nordeste como Pernambuco, Paraíba Ceará e Rio Grande do Norte.

Os brasileiros nordestinos pagavam altas taxas de impostos sobre iluminação para deixar bem iluminada a capital do país, enquanto Recife vivia às escuras, segundo contou o inglês Henry Zoster que viveu na região naquela época.

O padre João Ribeiro, do Seminário de Olinda, deu início ao processo revolucionário ao abrir uma biblioteca particular para melhor instruir os revoltosos. A onda dos contrários estava prevista para acontecer na Semana Santa daquele ano, mas foi antecipada devido a um decreto do governador Caetano Pinto Montenegro que pedia a prisão dos revoltosos.

No governo provisório se estabeleceram as liberdades individuais, de imprensa e dos direitos de cidadania. O Preciso, foi o panfleto propagador das ideias revolucionárias e a bandeira de Pernambuco, válida até hoje, foi produto desse momento turbulento com os detalhes que representam a união das províncias Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, simbolizadas por três estrelas, além do sol nascente.Atualmente, só há uma estrela que representa o Estado de Pernambuco.

No entanto, a revolução durou apenas 75 dias, por falta de apoio das demais províncias na organização militar. Os portugueses reagiram com uma rigidez que provocou a morte dos líderes e prisão dos demais. Os documentos propagadores da revolta foram queimados.

No dia 19 de maio, oito mil homens cercaram Pernambuco e executaram os envolvidos. Dom João IV resolveu emancipar a comarca de Alagoas que se tornou Estado por lealdade aos portugueses.





 

 



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