CSA x CRB sem público! Mas já houve o clássico sem transmissão de rádio. Sabia? - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas

Blog | Gerônimo Vicente

Técnico Laerte Dória (destaque) com o time do CSA de 1975 Arquivo Técnico Laerte Dória (destaque) com o time do CSA de 1975

CSA x CRB jogam neste domingo (19) no estádio Gerson Amaral, em Coruripe de portões fechados, ou seja, sem a presença do torcedor em decorrência da barbárie dentro do campo provocada por torcedores das duas agremiações no último clássico, por ocasião da final do Campeonato Alagoano de 2016. A história aponta que é a primeira vez que os dois maiores times de Alagoas jogam sem suas torcidas. Mas, o leitor já imaginou CSA x CRB sem transmissão esportiva de nenhuma emissora de rádio ? Pois é, esse fato ocorreu, se não me falha a memória, entre o final da década de 1970 e início de 1980 e talvez o maior enciclopedista do futebol alagoano, Lauthenay Perdigão ou cronista como, Costa Cabral, podem relatar melhor o assunto, pois no meu caso ainda não era sequer estudante de jornalismo na época.

O que me vem a lembrança é que a greve dos cronistas esportivos de rádio foi em decorrência de uma agressão do então técnico do CSA, Laerte Dória contra um radialista (João Malta, se não me engano). O ato revoltou os profissionais esportivos do rádio alagoano e a Associação dos Cronistas Esportivos de Alagoas (ACDA) deliberou por um boicote ao CSA que acabou prejudicando também os torcedores do CRB. Televisão ainda não transmitia futebol e houve envolvimento de todas emissoras (Gazeta, Difusora e Progresso, a exceção da Palmares que era católica). Laerte Dória é um treinador gaúcho, trazido pelo presidente Haroldo Dionisio, do CSA e  desembarcou em Maceió com um time de jogadores conterrâneos como o goleiro Rafael, o volante Maurício, o meia Djar, o ponteiro Ênio e o lateral Espinosa. Um senhor time que mudou o conceito do futebol alagoano naquele período, aplicando um futebol-arte.Neste período, o CSA teve um luxo de ter Ney Conceição, um craquaço de bola, mas indisciplinado fora das quatro linhas. Dória deve estar com 85 anos e a última passagem como treinador foi no juvenil do Aymoré-RS.

O interessante do apagão da transmissão do clássico é que grande parte dos torcedores ficou em pânico por não ouvir a transmissão de seu narrador favorito. É que o rádio era, naquela ocasião, o principal meio de comunicação ao vivo e atingia quase 100% dos lares alagoanos. Vivi essa agonia na minha casa, pois o desespero atingiu meu pai, Vicente Cândido, um azulino doente e fã  incondicional Rádio Difusora e, principalmente da narração clássica de Reinaldo Cavalcante. Ele nunca me explicou a razão de não gostar de outras emissoras como a Rádio Gazeta, mas presumo que o motivo era político. Vicente Cândido não gostava do político Arnon de Mello, pois fazia-me sempre referência a Muniz Falcão, ex-governador e adversário de Arnon.

A adesão ao boicote nas emissoras de rádio foi geral e uma das lideranças do ato era o jovem jornalista Márcio Canuto, hoje na TV Globo (não tenho certeza se ele era o presidente da ACDA).os radialistas da Rádio Gazeta, de Márcio, também aderiu ao movimento. No entanto, por ordem do empresário Pedro Collor, insatisfeito com a decisão dos comunicadores, foi acionada a TV Gazeta que fez sua primeira transmissão ao vivo do clássico, no estádio Rei Pelé, porém sem narrador. O televisionamento do clássico encharcou as janelas das poucas casas cujos proprietários possuíam aparelho de TV. Contudo, a transmissão era muda e os torcedores tiveram dificuldade de identificar os jogadores. O CSA venceu por 1 x 0, gol do atacante Freitas, hoje técnico de futebol. Esse foi um dos clássicos mais comentados da história, apesar da maioria dos alagoanos não ter ouvido os detalhes no rádio.

Apesar de prejudicados, os torcedores ausentes do estádio foram solidários aos cronistas  esportivos.O fato atesta o nível de organização da categoria de radialistas em plena ditadura militar  que perseguia, duramente quem se atrevesse a ingressar em movimento paredista, mas, com certeza, mudou a relação dos técnicos e dirigentes para com os profissionais de comunicação que fazem esporte em Alagoas.

P.S: Prometi dá sequência ao caso do navio Hope em Maceió, porém optei em priorizar esse fato inédito no futebol alagoano.

Quanto ao Hope, novidades surgiram depois da postagem. Conto na próxima.

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