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Blog | Ailton Villanova

     Vianey Aragão sempre foi um cara pirado. Desde pequeno.

      Depois que se divorciou de madame Antuérpia, uma sertaneja invocadíssima, foi aí que sua piração triplicou. Em face disso, a família decidiu que o melhor para ele seria uma internação numa clínica de repouso, o que foi feito, e onde ele permaneceu durante cinco anos. Ao cabo desse tempão, seu psiquiatra entendeu de lhe dar e ele voltou a morar com os pais, no interior do estado.

       Bela manhã, passeando pelo sítio do tio Ernande, ele se deparou com uma galinha e começou a correr que nem um desesperado, feito uma barata tonta, pra tudo quanto era lado.

        - Socorro! Socorro! – gritava a plenos pulmões.

        A família ficou sem entender aquela reação do Vianey. Como podia o cara ter tanto medo de uma inofensiva galinha!

        - Vamos ter que leva-lo de volta à clínica! – decidiu seu Juvêncio, o pai.

        Pegaram o infeliz e o conduziram de volta à presença do psiquiatra, que não era outro senão o competentíssimo e saudoso doutor José Lopes de Mendonça.

         - O que foi que houve agora, meu amigo? – indagou o especialista.

         E Vianey, de olhos arregalados:

         - Doutor, eu sou uma ervilha e, se não me cuido, posso ser comido por uma galinha! – respondeu o paciente.

         - Ah, sim, é claro! Mas, veja bem, você tem duas mãos, não é verdade?

          - É, sim, e daí, doutor?

          - Você já viu ervilha com braços?

          - Não!

          - Com duas pernas, como essas que você usou para fugir da galinha?

          - Nunca pensei nisso, doutor!

          - Veja outra coisa... uma ervilha nunca estaria aqui falando comigo!

          - Puxa, doutor, eu nunca tinha pensando nisso antes! Agora eu sei que não posso ser uma ervilha. É uma coisa absurda!

          E Vianey saiu da clínica tranquilo e feliz. Perto de casa ele viu outra galinha e apavorou-se de novo. Dessa vez foi atropelado por um automóvel e trazido para o Pronto Socorro de Maceió, de onde chamaram o seu psiquiatra que, com muito boa vontade, foi vê-lo:

           - O que deu em você, rapaz? Você não me disse que agora sabe que não é mais uma ervilha?

          - Saber eu sei, doutor. Mas será que a galinha já está sabendo?

 

Apenas um recém-chegado

     Outro piradão, o Athaydes Carneiro, tinha mania de suicídio. Seus familiares e amigos perderam a conta de quantas vezes tentou matar-se.

      A última vez que voltou a insistir em acabar com a vida, está com pouco tempo.

      Burlando a vigilância dos seguranças e de operários de um edifício em  construção, Athaydes  subiu até o quinto andar e se jogou lá de cima. Um monte de curiosos correu para ver o corpo do cara todo escatembado no chão. Aí, um dos populares chegou mais pra perto e constatou que ele ainda vivia.

       - O que foi que aconteceu, rapaz? – perguntou o curioso.

       E o Athaydes, mais pra lá do que pra cá:

       - Tô por fora. Cheguei agora!

 

Mercenária demais!  

      A patota de sempre se encontrava reunida na birosca do negão Nestor, e aí pinta na parada o motorista Cabriolânio Lourenço, o proverbial Bidé. Pela cara, observava-se que ele não estava pra brincadeira. Aí, o Hélio Boca de Caçapa, seu amigo mais chegado, manifestou sua estranheza:

       - Que que há com você, parêia?

       - Tô puto! – respondeu, lacônico.

       - Mas puto por quê?

       - É a Mirinha, minha namorada... Sabe qual a última dela?

       - Sei não. Diz aí!

       - Ela agora inventou de cobrar pra transar comigo! Pode?

       - E quanto ela tá te cobrando, meu?

       - Cinquenta reais, é mole?

       - Tu devia era achar bom. Com a gente ela não faz por menos de 100 paus!

 

“Será que tô fraco, doutor?”

      Misaquiel passou o fim de semana inteirinho biritando nos barzinhos da orla lagunar. Quando não aguentou mais, emborcou no asfalto e ficou lá se lamentando. Daí a pouco levantou-se com dificuldade, pegou um taxi, foi pra casa e dormiu. Acordou às cinco da manhã e a primeira coisa que fez foi ligar pro médico José Carvalho, que atendeu ainda sonolento:

       - Alôa!

       - Doutor, aqui é o Misa... o Misaquiel, tá por dentro?

       - Porra! A esta hora, rapaz?!

       - É que eu estou apavorado, doutor!

       - O que foi que houve?

       - É o seguinte: se eu estou com os dois pés no chão, tudo bem; se eu estou somente com um pé no chão, também está tudo bem... Mas, se eu levanto os dois pés, eu caio! Será que é fraqueza?

 

O mesmo de sempre!

       O português Manuel Pereira veio pro Brasil ainda moço. Aqui, casou-se com uma morena muito bonita e caridosa, chamada Maria Israelita. Enquanto ele dava um duro danado na padaria, a madame ficava em casa fazendo o que não devia (ou devia?).

        Certo fim de tarde, Manuel se achava atendendo a freguesia de sempre quando chegou lá um camarada com ar cínico e disse:

         - Ô portuga, você precisa se ligar, rapaz!   

         - Mas, me ligaire no quê, ó gajo?

         - Sua mulher está lhe traindo com outro. É isso aí!

         - O quê? Não mo digas! Guenta aí que eu já vou lá em casa mataire esse sujeito!

         Dito isto, Manuel deu garra de um facão de vinte polegadas e partiu resoluto pra casa. Voltou cinco minutos depois, sem o facão e com um sorriso na cara.

         - Você matou o cara, Manuel? – perguntou o dedo duro.

         E o português:

         - Tu te enganaste, ó gajo! Não era outro. Era o mesmo de sempre!

       

 

 

 

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