Mas que obra prima! - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas

Blog | Ailton Villanova

      A inteligente e sempre elegante professora Glayde Lucidi, residindo atualmente em Salvador, onde atua com reconhecida competência, no Tribunal Regional Eleitoral, continua mantendo a sua banca de Português, para a alegria dos soteropolitanos. Tive o prazer e a honra de ser seu colega de trabalho, em determinado matutino da cidade – ela como chefe da revisão e eu como repórter e redator. Um amor de criatura, a Glayde.

      Um dia, quando lecionava em prestigiado estabelecimento de ensino de Maceió, justo a véspera da abertura do período de férias de meio de ano, Glayde chegou para uma de suas classes e avisou:

       - Meninos, na volta do mês de férias que inicia amanhã, eu gostaria que vocês me trouxessem um trabalho de redação, tá combinado? O melhor de todos terá algo mais, além da nota, ouviram?

       - Obáááá! – vibrou a garotada.

       Foram-se as férias, os meninos voltaram às aulas, cada um com o trabalho pronto. Todos entregaram uma folhinha escritada, no máximo duas. Somente o garoto Carlos Roberto, o Cacá, apareceu com um calhamaço de papel encadernado parecendo mais um livro. A professora espantou-se:

        - Isso tudo é o seu trabalho de redação, Cacá?

        - É, professora! A senhora não imagina o trabalho que eu tive!

        - Pelo volume, posso imaginar. Certamente é um romance.

        - Mais ou menos, professora.                  

        Cheia de curiosidade, Glayde Lucidi tomou aquele autêntico livro nas mãos, abriu na primeira página e leu: “A Grande Arrancada”. Era o título da obra.

        - Que emocionante, Cacá! – suspirou a mestra, algo emocionada.

        E virou a segunda folha. Estava lá escrito: “Vrrruuummm, vrruumm, vrruumm...” Na terceira folha: “vrrruuummm, vrrruuummm, vruuummm...” Na quarta, mais vvvrrruuuummm...” Na quinta, idem. A sexta a mesmíssima coisa.

         E assim sucessivamente.

         Na medida em que virava as páginas, professora Glayde só lia “Vrruuummm.” Seiscentas e cinquenta paginas de “Vrruuummm”. É mole? Até que chegou a última:         

         - “Vruuummm, Vruuummm, Vruuummm... Rrrruuuuuuu... Vabei!”

 

Mil gentes

      Ele já nasceu com o olhar trocado, quer dizer, estrábico. Seus pais  fizeram o possível e o impossível para consertar o defeito ocular do menino. Nenhum oftalmologista de fama neste Brasil conseguiu desentortar o olhar da criança. Mais uma tentativa: dessa vez, com a ajuda de um generoso senador, o garoto foi levado aos Estados Unidos. Ele voltou mais zarolho do que o antes. Seu nome, afinal: Nabucodonozor Neto, o Neto Nabuco.

        Depois dessa viagem à América do Norte, Neto Nabuco desencantou de vez.  Uma vez zarolho, sempre zarolho.

        Outro dia, caminhando na orla marítima ele teve a certeza de que não era o único zarolho complicado na face da terra. Foi quando cruzou com o sujeito chamado Pluraldo, e o cumprimentou, pensando que eram quatro:

        - Oi turma!

        E Pluraldo, respondendo na batata:     

        - Oi, pessoal! Tudo bem com vocês?

        Neto Nabuco foi em frente, sorrindo de satisfação.

 

A porta do armário, também?

      Cansada de lidar com empregadas domésticas citadinas, a jornalista Ana Márcia, caríssima esposa do nosso editor-geral Ricardo Castro, resolveu buscar uma criada no interior do Estado. Viajou com o marido à Quebrangulo e apanhou Delzuíta, uma baixinha do olhinho vivinho. Assim que chegaram em casa, Ana Márcia foi logo dando as coordenadas:

        - Olha Delzuíta, antes de abrir qualquer porta, você bate, ouviu?

        E ela:

        - Inté as porta do armaro, patroa?

 

Só no peito

      Estimulada pelos Jogos Olímpicos, a lourinha Valdetrudes inventou de participar de uma competição de natação em determinado clube social da cidade, e se inscreveu na modalidade peito.

       No dia da prova, lá estava ela acompanhada da mãe, dona Eudábia.  Todas as garotas caíram na água e mandaram o peito pra frente. No fim  da competição, Val não se conformava com a sua desclassificação:

        - Não é que eu queira reclamar, mas eu acho que as outras meninas usaram os braços!

 

Queria beber até o dono!

       O tal de Lourinaldo Bezerra é o tipo do cara que só abre a boca pra dizer besteira. Ainda por cima, é boçal. Aos 45 aos de idade continua solteiro. Mulher nenhuma sai com ele mais de uma vez. 

        Noite dessas, arrumou uma loura e a levou pra jantar num restaurante bacana. Para impressioná-la, pegou o cardápio e ficou reparando nele por alguns minutos até que, finalmente decidiu, e chamou o maitre:

         - Primeiro, vamos tomar um bom vinho...

         - Perfeitamente, doutor. Qual vai querer? 

         O boçal apontou para o cardápio e falou, cheio de empáfia:

          - Me veja aí esse “Giuseppe Spondalucci”.

          E o maitre, todo encabulado:  

          -  Desculpe, doutor, mas esse é o dono do restaurante!

 

Receita bem guardada

       Gordinha simpática, mas bastante atrapalhada, dona Gorgelina entrou apressada na clínica do médico Ptolomeu Arruda, espalhando gordura pra todo lado.

        - Olhe eu aqui de novo, meu santo! – anunciou, toda contente. – Eu não prometi que voltava? Voltei!

        O médico olhou pra ela, desconfiado:

        - A senhora em certeza de que guardou rigorosamente a dieta que lhe prescrevi?

        E ela, bem convicta:

        - Mas é claro, doutor! Tá pensando que eu sou alguma irresponsável?

        - Bem... eu só queria saber...

        - Sou nenhuma irresponspavel, não, doutor! Ela está muito bem guardadinha na gaveta da cômoda!  

Facebook