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Blog | Ailton Villanova

      Dona Estriquinina era uma velhota de cabelo na venta. Autoritária, boçal, chata pra cacete!

      Baixinha, gordota, peitões que lembravam um par de melancias adubadas, Estriquinina tratava o genro Urbaldo como se ele fosse um escravo. Viver sob o mesmo teto com essa criatura infernal, era desgraça demais para o infeliz. Por várias vezes ele chegou a pensar em matá-la. Mas, cadê coragem?

       O jeito era ir vivendo conforme Deus permitia. Um dia, Ele, Deus, na  sua infinita misericórdia, haveria de lhe conceder a alforria. Não custava nada esperar.

        Certa manhã de um ensolarado domingo, a megera berrou de lá do quintal, pro infeliz do genro:

        - Urrrbaaallldo!  Ô Urrrbaaallldo!

        Num piscar de olhos ele esbarrou nos pés da gorducha:

        - Pronto, dona Nina!

        - Arrume o carro e as coisas, que eu quero ir à praia! – determinou.

        - Que praia, dona Nina?

        - Não interessa! Faça o que estou mandando. Vá!

        O infeliz reuniu todos os apetrechos praieiros que tinha em casa, arrumou direitinho na mala do carro e voltou à presença da mandona:

        - Pronto, dona Nina! Mais alguma coisa?

        - Sim. Pegue a sua mulher, bote também no carro e vamos todos à praia

        - Mas que praia?

        Dessa vez ela respondeu correto:

        - A do Francês!

        Contrariado, Urbaldo dirigiu o carro até a praia. Metida num antigão maiô florido, Estriquinina espalhava banha pra todo lado. Não vê um monte de jacas dentro de um saco? Pois Estriquinina era igual.

         Resignado com a sua situação, Urbaldo espichou-se na areia, fechou os olhos e ficou pensando na vida. De repente, foi despertado pelo berreiro da esposa:

         - Socorro! Acudam!

         O que foi? – indagou meio azoado.

         E a mulher, aos prantos:

         - É a mamãe! Tem um tubarão estraçalhando a mamãe!

         Urbaldo segurou-se para não gargalhar de felicidade e respondeu, sem disfarçar a sua alegria:

         - Fique calma, meu amor. Tubarão não é venenoso!

 

Ah, tomara Deus!

         Casado com uma mulher sensacional, o motorista Vincentino Parísio entrou muito contrariado na igreja, à procura do padre Brito:

          - Cadê o padre? Eu quero falar com o padre!

          O sacristão levou-o à presença do reverendo, na sacristia:

          - O que está havendo com você, meu filho? – indagou o sacerdote.

          E ele, ingressando no desespero:

          - Padre Brito, descobri que minha mulher está dando pra todo mundo!

           E o reverendo, cerrando os olhos:

           - Louvado seja Deus! Espero que ela se lembre dos irmãos aqui da paróquia!

 

Presidente piadista

      Nos fins de semana a galera abarrota o filial mangabeirense do Bar e Restaurante do Duda. Enquanto ranga e bebe, a negrada se liga na Tv. Numa noite de sexta-feira, todo mundo aguardando o jornal televisivo quando, repentinamente, o noticioso saiu do ar. Imediatamente, apareceu na telinha o brasão da República e o locutor anunciou solenemente:

        - Senhoras e senhores telespectadores! Interrompemos a nossa programação normal para, em cadeia nacional, ouvirmos a palavra do excelentíssimo senhor presidente da República!

        A turma de biriteiros reagiu putíssima:

        - Ooooohhhh...

        - Porra meu louro!

        - Que sacanagem!

        Entra o presidente Inácio Lula:

        - “Cumpanhêro, o meu gunverno continua combatendo o desemprego, a fome e a miséria!”

        Nesse momento, uma gargalhada estrepitosa ecoou nos quatro cantos do restaurante:

        - Ráráráááááá... Quááááááá...

        Todo mundo se ligou na figura de um tal de Obliteraldo, mais conhecido como Jacaré, que não parava de rir:

        - Quáááá...  Esse Lula é um tremendo piadista!

 

Sem exagero, reverendo!

      Padre João Firmino era um tremendo orador. E muito vaidoso, por sinal. Belo dia, surgiu diante dos seus fiéis com a maior cara de preocupação. É que a frequência nos ofícios religiosos de sua paróquia estava caindo consideravelmente. Ele, então, chamou o sacristão José Francisco para discutir o assunto, e este foi bastante sincero:

       - Sabe, padre, eu acho a queda na frequência se deve ao seu exagero nos sermões. O senhor tem sido muito prolixo! Vamos fazer o seguinte: na missa de amanhã amarraremos uma cordinha no seu saco e...

       - No meu saco???!!! – interrompeu o reverendo.

       - Sim, senhor. Ela entrará pelo bolso, descerá pela batina e irá até atrás do altar, de onde ficarei controlando o senhor. Quando eu notar qualquer exagero, dou uma puxadinha, certo?

        O sacerdote acatou a ideia. Dia seguinte, na hora do sermão, ele lascou lá:

       - Pois como dizem as Sagradas Escrituras, caros irmãos, naquele tempo, a Arca de Noé tinha mais de 100 mil animais!

        O sacristão puxou a cordinha.

        - Desculpe, caros irmãos. Tinha 70 mil...

        Outra puxadinha:

        - Na verdade, 50 mil...

        Nesse momento um garotinho viu a cordinha no chão e ficou puxando. O sacristão reparou no detalhe e  tentou segurar a criança. Cadê que ele queria largar a cordinha! E os dois embolando no chão. Com muito custo José Francisco conseguiu retomar o controle da corda. Quando olhou para o padre, ele estava encolhido no canto do altar, segurando o saco e dizendo:

         - Eu quero ser um filho da puta se encontraram um animal naquela arca da porra!

 

Ela era surda!

      Paróquia do interior. Padre Agildo, recém-empossado pároco, fez rigoroso sermão sobre o adultério. Ao final, apelou:

      - Gostaria de, sob segredo de confissão, conversar com cada uma das mulheres que praticaram ou ainda praticam adultério nesta paróquia.

      Disfarçadamente, a mulherada toda se levantou e saiu de fininho, menos uma. Diante do olhar espantado do reverendo, o sacristão explicou:

       - Essa aí é a Mouquinha, padre. Não escuta nada!

 

 

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