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Blog | Juliete Laura

07/02/2015 23:29

SOBRE RELACIONAMENTOS...

Já que esse espaço aqui é meu e eu escrevo o que bem entender, o texto de hoje tem um viés diferente dos outros até então publicados aqui. Essa semana publiquei um comentário (cheio de ironia, para não perder o hábito) em determinada rede social falando sobre indiretas bem humoradas que recebo de amigos sobre a minha vida amorosa, ou, quem sabe, ausência dela.

 Uma amiga escritora quente (também no sentido que você pensou), não perdeu tempo e fez uma brilhante crônica a respeito da mulher moderna e dos relacionamentos. O texto ficou um espetáculo, e, até aqui, nenhuma novidade (o link está ao final desse texto, para que você possa desfrutá-lo na íntegra). Reflexivo. Provocativo. Resolvi então expressar a minha opinião a respeito de relacionamentos e (suposta) solidão.

 Não é segredo que eu já estou encalhada estou solteira e maravilhosa há um bom tempo. Mas calma. Eu ainda tenho jeito. Ainda estou na “flor da idade” (por pouquíssimo tempo), então talvez eu ainda ache um cara legal para chamar de meu antes que o meu prazo expire, já que nós, mulheres, temos prazo de validade. Pelo menos é o que nos disseram a vida toda. Confesso que por muito tempo eu acreditei nisso. Colocam na nossa cabeça que a gente, para ser feliz, precisa casar, e, como diz Luan Santana, ter dois filhos e um cachorro. Necessariamente. E pior: isso tem um limite temporal para acontecer.

 Já ouvi de um homem (na verdade, mais de um) que, nós, mulheres, quando passamos dos 25 anos, ficamos desesperadas para casar e ter filhos. Na ocasião, o rapaz (com alguns anos a mais de experiência - e muitos de malandragem – à minha frente), tentava me passar a mensagem de que ele poderia ser o salvador da minha pátria (e de quantas mais caíssem na lábia dele). Não colou.

 Quase que diariamente alguém me pergunta o porquê de eu estar solteira, normalmente acrescentando “é por opção, não é?”. Sou muito exigente? Intimido os caras? Sou assexuada (sim, já me perguntaram isso)? Apesar de corriqueira, a pergunta sempre me surpreende. E surpreende porque eu não acho que alguém precise de um motivo para estar solteiro. É justamente o contrário: nós precisamos de um motivo para estarmos com alguém. Ou deveria ser assim.

Acredito que após ficar um tempo razoável sozinha, você amadurece e passa a ver os relacionamentos de forma diferente. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. Aprendi mais sobre relacionamentos com a “solidão” do que nos longos anos em que passei namorando.

Quando você descobre quem é verdadeiramente e sabe o seu valor, é inevitável se tornar mais “exigente”, porque você descobre que é infinitamente melhor estar só do que ostentar um relacionamento que já faliu. Falo com a experiência de quem viveu um relacionamento fracassado por anos a fio. Tentei levar adiante a ferro e fogo. Até hoje, nem eu sei o motivo de tanta insistência. Não era excesso de amor. Mas sei que era ausência de amor próprio. Costumo dizer que esse relacionamento me proporcionou duas grandes alegrias: uma no dia em que começou, e outra no dia em que finalmente acabou.

 Relacionamentos nocivos são uma espécie de droga: você sabe que não te faz bem,  vê a sua autoestima, a sua saúde e o seu brilho sendo destruídos dia após dia... e continua... se perguntando todos os dias se ainda vale a pena. E, meu amigo, quando você chega ao ponto de duvidar se vale a pena ou não, é porque não vale mais. Quando o relacionamento se torna um fardo, na grande maioria das vezes, o melhor a fazer é se libertar e libertar o outro.

E o que dizer das mulheres independentes e bem resolvidas que, supostamente, tanto intimidam alguns homens? Será que isso é verdade? Ouço direto que eu sou muito extrovertida (e eu sou mesmo. MUITO) e que isso não é bem visto pelos homens. Dizem que os homens preferem as mulheres mais discretas, de preferência, que fiquem à sombra deles. Pra mim, só macho beta tem medo de mulher alfa. Sou espontânea mesmo e não pretendo deixar de sê-lo para fisgar um marido. Se o cara não é inteligente o suficiente para perceber que espontaneidade e bom humor são qualidades raras, não serve para mim.

E já que estamos falando sobre mulheres intimidadoras que devoram homens frouxos vou contar um erro que alguns homens cometem ao tentar se aproximar de mulheres que eles consideram desafiadoras. Se você é uma dessas mulheres, provavelmente já vivenciou isso. Se você é um homem, espero que não faça isso, ou, se faz, PARE IMEDIATAMENTE.

Uma vez eu conheci um cara que me chamou a atenção de primeira: para começar, era lindo. Não tinha como não olhar. Mas não só. O deus grego também era inteligente e cheio de outros atrativos. Me interessei, mas eu não ataco (quer dizer, “ataquei” uma vez até hoje. E foi a melhor, se querem saber), então fiquei esperando para saber se era recíproco. O pior é que era. E foi pior mesmo. O garanhão, apesar de ter uma vasta coleção de ex (namoradas, ficantes, paqueras, peguetes, affairs e afins), não soube lidar comigo. Resolveu então me “cortejar” me desafiando. O cara tentava me provar a todo custo que ele era o bãm bãm bãm das galáxias, o macho alfa da ilha deserta. Tentava me provar que eu precisava dele. Insinuava que ele era a minha “grande chance”... é claro que ele foi para a “idiotizone”.

Não sou um exemplo de mulher moderna. Na verdade, sou uma mulher moderna à moda antiga: trabalho, estudo, tenho muitos hobbies e amigos, sou independente emocionalmente (financeiramente, tô quase lá), corro atrás dos meus objetivos e luto pelos meus ideais... ao mesmo tempo em que dou o maior valor em caras que puxam a cadeira, dão flores, fazem elogios e me oferecem chocolate quando estou de TPM (na verdade, se me der qualquer coisa de comer já ganha ponto).

Nunca casei. Nunca pari. E, a despeito disso, sou feliz como poucas pessoas que conheço. Já me apaixonei perdidamente. Já me decepcionei até doer a alma e já chorei por amor (ou pela ideia de amar) até não ter mais lágrimas. Apesar das decepções e de todo o sofrimento ao longo de meus vinte e poucos (nem tão poucos assim) anos, eu ainda acredito no amor. Não acredito mais é naquela necessidade de ter alguém a qualquer custo, seja por carência, por autoafirmação ou só por algum tipo de necessidade mesmo. Hoje eu não entro em um relacionamento apenas para não estar sozinha. Um relacionamento só vale a pena quando a sua vida com ele é melhor do que sem. Parece óbvio, mas a grande maioria das pessoas não enxerga isso. Costumo dizer que homem (e mulher também) tem que ser igual a topada: lhe jogar pra frente. É a velha história do “ou soma, ou some”. Sem mais.

 

Texto da minha amiga linda e loira, Madalena Costa: http://www.kbrdigital.com.br/blog/por-um-mundo-com-menos-cinderelas-e-mais-mulheres-resolvidas/

 

 

Juliete Laura é solteira, sorridente e sincera. Não guarda rancor e nem dinheiro. É amante assumida da boa culinária, mas tem um amor reprimido por tudo o que engorda. Acredita no amor e acha que o homem perfeito é aquele que manda flores, tem bom-humor, sabe cozinhar e principalmente comer.

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