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Ailton Villanova

5 de junho de 2018

A OITAVA DO MATUTO

O causo presente tem um tempinho. É do século passado, época em que o radialista Valter de Alencar possuía uma loja de discos na rua Boa Vista, centro comercial de Maceió, bem em frente ao finado Jornal de Alagoas.

Bom.

Certo final de tarde, o homenzinho simples, aspecto de matuto, parou na porta da loja e ficou assuntando. Não demorou muito, entrou lá, mexeu nuns discos, pigarreou e se dirigiu ao Alencar, que já estava de olho nele.

– O que o amigo deseja? – perguntou o dono da loja.

O matuto tirou o chapeu da cabeça, fez uma reverência e perguntou:

– O dotô puracauso tem aí o disco da Oitava?

Valter de Alencar quase caiu pra trás:

– A Oitava?

– Sim sinhô.

– Tem certeza?

– Craro. Num tô falando?

Mais que depressa, Valter de Alencar colocou o disco na vitrola, que liberou acordes maravilhosos a cargo da Orquestra Sinfônica de Milão.

Alencar fitou o matuto, ele estava concentrado, os olhos  fechados, atento, enlevado, quase regendo a orquestra com a mão, meio em transe.

Enquanto o disco girava no prato da vitrola, emitindo aqueles sons maviosos, belíssimos, o camarada permanecia quieto e o Valter de Alencar de queixo caído, completamente atônito.

Acabada a peça, vinte minutos depois, o lojista tirou o disco do prato e perguntou:

– Posso mandar embrulhar?

– Pode não! – respondeu o matuto – Num era essa musga quiêu quiria iscutá, não.

– E então, por que foi que o senhor ouviu a peça inteira?

O matuto explicou:

– Eu tava pensando quiéra a introdução.

– E qual era a Oitava que o senhor estava querendo ouvir? Não era a Oitava Sinfonia de Bethoven?

E o matuto regendo:

– Era essa, ó… “Ôi tava na penêra/ ôi tava penerano”/ ôi tava no namôro…”

 

 

Tremenda sacanagem

 

Um grupo de pessoas com algum tipo de problema resolveu se juntar numa festinha, para espantar o baixo astral. Por intermédio de um sorteio, os carecas ganharam o direito de entrar no local pagando metade do ingresso. Por sorteio, também, foi indicado um ceguinho invocado chamado Zé Gaspar para ficar na portaria. Para saber se o sujeito era careca, bastava ele passar a mão na  cabeça do referido.

Tudo estava indo às mil maravilhas, até que pintou um gaiato na parada. Aproveitando a situação, o tal comprou meia entrada, tirou as calças, plantou bananeira e foi entrando de bunda pra cima, equilibrado nos braços, com as mãos apoiadas no chão. Ceguinho Zé Gaspar passou a mão na bunda do malandro e bradou:

– Êpa! Peraí, meus chapas! Entrar dois com meio ingresso é sacanagem!

 

 

O queixo duplicou!

 

Mais de trinta anos de casados, Austerclínio e Oscália Rozendo tomavam sopa sentados à mesa de refeições. O marido – slurp, slurp –  chupando sua sopa, desagradavelmente. A mulher, com o olhar triste, acompanhava o marido, naquele silêncio melancólico, cheio de tédio, consequência de uma vida insossa de três décadas.

E o marido – slurp, slurp – danado na sopa. Nem aí para mulher. Em dado momento, ela quebrou o silêncio:

– Austerclínio…

– O que é?

– Você já não liga mais pra mim, como antigamente…

– Não enche, mulher!

– Antigamente, toda vez que a gente se sentava à mesa, você passava a mão no meu queixinho…

Retrucou o marido:

– É, mas, naquele tempo, você só tinha um!

 

 

Circo, nunca mais!

 

Um sujeito muito esquisito procurou o empresário de espetáculos circenses Jota Nicolino, que também atuava como palhaço nas horas vagas.

– Bom dia, seu Nicolino! Eu sou um artista atrás de uma oportunidade…

– O que você sabe fazer no picadeiro?

– Bom… eu mergulho de cabeça num barril de água, saltando de vinte metros de altura.

– Essa eu quero ver!

Imediatamente o sujeito subiu até o ponto mais alto do circo, justo de onde se projetam os trapezitas e deu um salto incrível, mergulhando num barril cheio d’água que haviam colocado lá, especialmente para a ocasião.

O empresário vibrou:

– Tá contratado! O cachê é de quinhentos reais por semana.

E o sujeito:

– Não vai dar, meu chefe…

– Mil por semana!

– Não!

– Tá bom. Mil e quinhentos e nem um centavo a mais.

– Dá não.

– Mas por que não dá?

– É que essa foi a primeira vez que eu fiz isso, e não gostei nem um pouquinho!

 

 

Um “algo” a mais

 

Num certo asilo de anciãos, seu Joventino Toledo, o mais assanhado dos homens, chegou para dona Cotinha, uma velhinha de  olhinhos vivinhos, e propôs:

– Está claro que não podemos fazer sexo, mas ter alguém para seguraro o meu biláu, não creio que isso faça mal.

A velinha aquiesceu e durante 4 meses os dois se encontravam para tomar sol no terraço. Ele tirava o biláu e ela pegava. Um certo dia, o ancião desapareceu. Dona Cotinha procurou por toda parte do asilo, e foi finalmente encontrá-lo ao lado de outra velhinha, que segurava o seu membro incrivelmente ereto. A antiga companheira reagiu cheia de indignação:

– Não acredito no que estou vendo, Tininho! Durante meses eu segurei esse seu troço aí, e agora você me deixaz por essa outra. O que ela tem que eu não tenho?

O velhusco retrucou sorrindo:

– Mal de Parkinson!