Ailton Villanova

10 de Maio de 2018

O xixi tinha que ser espalhado

Colecionador de causos protagonizados pelo paranaense de nascença e alagoano de coração Álvaro Cleto, o amigo Denisson Petronilho aproveitou a oportunidade da chegada dos jogos futebolísticos da Copa do Mundo de Moscou, para me contar umas das aventuras do sobredito galego na penúltima copa. O Álvaro, que sempre teve o espírito aventureiro, pegou uma graninha com dona Alzira, sua finada, generosa e saudosa mãe, e se mandou para Belfast. Naquela época, a segregação racial estava no auge por aquelas bandas.

À época solteiro e todo pintoso, o galego sempre foi caidaço por um rabo de saia. Fêmea pra ele tinha que ser morena irresistivelmente gostosa e bonita. Se puxasse um pouco mais para a cor escurinha, tanto melhor. De modo que, assim que assentou o solado dos pés na terra sulafricana, ele correu para o ponto onde imaginou concentraria o maior numero de mulheres: o teatro. Parou na porta e ficou conferindo a tabela de preços: platéia 5 dólares; balcão 10 dólares. Acostumado a assistir grandes espetáculos teatrais, Álvaro achou estranho aquele negócio.

Aproximou-se da bilheteria e sapecou um inglês terrível pra cima do rapazinho que vendia as entradas:

– Plise… me dá um tíquete pra platéia, ô guri!

O bilheteiro olhou pro olho azul do galego indagou, num português claríssimo:

– O senhor não é daqui, não é?

– Sou não. Por quê?

– Porque tudo quanto é branco vai pro balcão.

– Ah, é? Então, me dá um balcão.

O bilheteiro deu o bilhete pro balcão e o Álvaro meteu os peitos lá dentro. No intervalo do primeiro para o segundo ato, bateu nele aquela vontade de despejar um xixizão espumoso. Aí, ele se virou pro espectador ao lado e perguntou:

– Por favor, meu amigo, onde é que fica o WC?

O indagado, que era um branquela, olhou pro Álvaro e comentou:

– Já se vê que o senhor não é daqui. Deve ser um turista, hein?

– Exato. Sou turista brasileiro. Algum problema?

– Problema nenhum. É que aqui no teatro não tem essa de banheiro. A gente aqui de cima, na hora do aperto, chega na beirada e faz xixi na cabeça da crioulada lá embaixo, na platéia.

O galego indignou-se. Qual era? Fazer uma sacanagem daquelas com os “brothers coloreds”! Essa não! E ficou por alí, segurando a barra. Começou e terminou o segundo ato, e ele com a bexiga prestes a estourar. Até que, não suportando mais, desabotoou a braguilha e, muito acanhadamente, escolheu um negão na platéia. Aí, chamou na grande: chuáááááááá…

Terminado o serviço, ia se retirando quando viu o negão lá embaixo virar pra ele e gritar:

– O senhor não e daqui, não é?

– Sou não. E daí?

– Porque o pessoal daqui faz é espalhado pela platéia.

 

 

Prova mais convincente

 

Velcípedes Bomsucesso chegou em casa putíssimo, depois de perder uma dia inteiro na fila do INSS.

– Pois não é que perderam todos os meus documentos, Eucalína! – desabafou com a mulher – Foi uma luta convencê-los de que tenho idade pra me aposentar. Tive de mostrar os meus cabelos brancos…

E a mulher:

– Se você tivesse abaixado as calças, meu filho, teria sido mais fácil. Eles imediatamente lhe teriam dado aposentadoria por invalidez.

 

 

Tudo bem, mas…

 

De volta de uma viagem a São Paulo, o gráfico Sicatênio Gualhurfo, mal pisou em terra maceioense, correu para contar uma grande novidade ao amigo Luzimaldo Pinto, portador de uma guagueira filha da mãe:

– Bicho! Descobrí, lá em São Paulo um fonoaudiólogo que é craque na cura desse problema de gagueira. Eu trouxe até o endereço dele, para o caso de você se interessar…

Claro que o Luzimaldo se interessou. Dois dias depois, ele estava a bordo de um avião com destino a capital paulista, todo feliz e contente. Seis meses depois, estava de volta, quando foi procurado pelo amigo:

– E aí, Luzimaldo? Como é que foi? Ficou bom da gagueira?

Em resposta, ele abriu a boca e disparou:

– Toco preto, porco crespo. O rato roeu a roupa do rei de Roma. Caraguatatuba, Pindamonhagaba, Inconstitucionalíssimamente…

– Maravilha! Mas isso é um verdadeiro milagre! – exultou o amigo Sicatênio.

– Tá-tá-tá-tá ce-ce-ce-certo. Ma-ma-mas on-onde é que-que eu vo-vou u-usar uma imbe-imbecilidade dessas?

 

 

É sofrimento demais, meu!

 

Aglimaldo pegou o sábado dando sopa, isto é, livre para a biritagem, e se mandou para o Clima Bom, onde tem um compadre que, como ele, é chegado a uns grogues.

Os dois pararam no barzinho do Maninho da Goma e lascaram o pau a beber. Lá pelas oito da noite, o amigo pediu arrego:

– Guento mais não, parêia. Se eu botar mais uma gota pra dentro, eu emborco!

– Nesse caso, vamos embora!

Dividiram a conta, o compadre ficou em casa e o Botinaldo rumou para a sua. No meio do caminho, topou com uma igreja evangélica, de onde saía uma gritaria danada. Aí, ele parou e perguntou ao cara que se achava postado na porta:

– Ô bacano, quê que tá acontecendo ai dentro?

O cara respondeu:

– Jesus está operando!

E o Botinaldo:

– E não tem jeito de dar anestesia, não?

 

Com Diego Villanova