Ailton Villanova

8 de Maio de 2018

UM TORCEDOR PRA LÁ DE PREVENIDO

Apaixonado pela arte futebolística, o aposentado Aristides Pereira (Seu Titide) só tem uma frustração na vida, que é a de não ter sido um atleta do bate-bola. E ele bem que tentou, nas históricas e saudosas peladas dos campos da Vila Operária, do Aterro e da Barreira, situados no Bom Parto dos áureos tempos. Antigo torcedor do Centro Sportivo Alagoano, o CSA, ele hoje é um homem cardíaco, cheio de pontes de safena, proibido pelo doutor Roberto Nolasco de enfrentar grandes emoções.

 

Madame Percilina Pereira – dona Nina -, esposa do ilustre Titide, responsabiliza o CSA pela doença coronariana do marido:

 

– Antigamente, todas as vezes que o CSA jogava o Titide tinha um infarto. O infeliz do time nunca vencia uma partida! Há coração que aguente? A culpa do meu marido se achar nessa situação é do CSA.

 

Previdente, dona Nina já comprou, muito na baixa, um caríssimo caixão de mógno e reservou um bom lugar pro maridão sofredor no cemitérioParque das Flores.

 

– Vou querer pro meu velho um enterro muito bonito e decente! – promete a madame.

 

Deixando o CSA de lado, a maior preocupação da ilustre senhora, hoje em dia, é com a Seleção Brasileira. Ultimamente, seu Aristides só tem vivido para a “canarinha”.

 

– Vou botar mais uma estrela no peito! – antecipa ele, com indisfarçável orgulho.

 

Pensa, o caro leitor, que o velho Aristides não tomou as suas precauções para não ser surpreendido por um novo resultado adverso de 7×1 da seleção brasileira? Ele tomou, sim!

 

Quando a folhinha assinalou o primeiro dia de maio, um mês antes da Copa de Moscou, ele correu até a farmácia perto de casa, encostou no balcão, puxou do bolso uma quilométrica lista de remédios pro coração e entregou ao balconista. Este, recuou, espantado:

 

– Mas o que é isso, seu Aristides?! Por acaso o senhor está querendo abrir uma loja de medicamentos pra concorrer com a nossa?

E ele, com um riso maroto no canto da boca:

 

– Nada disso, meu rapaz. Estou é me precavendo. A Copa do Mundo não vem aí? Basta o que eu já sofri torcendo pelo CSA. Quero fortalecer o meu coração para poder assistir aos jogos da seleção do grande Tite pela televisão…

 

 

Recomendação médica

 

Metódio Teixeira chegou ao trabalho completamente bêbado. O chefe chamou-o num canto e sapecou a bronca:

– Ô cara, assim não dá! Você vir trabalhar nesse estado!

– O senhor está me mandando embora do estado de Alagoas?

– Não, não é nada disso! É que você está caindo de bêbado!

– Ah, mas foi o oculista que mandou!

– O oculista mandou? Que oculista irresponsável é esse? Não acredito!

Aí, o bebão meteu a mão no bolso, arrastou um papel todo amarrotado e exibiu pro chefe:

– Olhaí, o que está escrito debaixo desses garranchos: “pinga três vezes ao dia”!

 

 

Grandes invenções

 

Um brasileiro e um americano conversam no convés de um navio de turismo.

– No meu país – começa o americano – existe uma máquina tão perfeita que, introduzindo farinha de trigo e água de um lado, saem pães quentinhos do outro, em poucos segundos!

Não querendo ficar por baixo, o brasileiro conta a sua vantagem:

– Isso não é nada!  No meu país inventaram uma máquina de fabricar bebida que é incrivelmente sensacional: você coloca a cana de um lado e, do outro, sai um bêbado, segurado por dois policiais!

 

 

Santo delator

 

O bêbado entrou na igreja e surrupiou uma nota de cinco reais de uma bandeja de coleta de óbulos, que se achava ao lado da imagem de São Benedito.

– Espresta aí, seu santo! Depois te pago, certo?

E saiu em direção ao boteco quando um guarda, que tinha visto o episódio, bateu-lhe nas costas:

– Escuta meu chapa, vá devolver o dinheiro do santo senão te boto em cana.

O bêbado entrou de novo na igreja, depositou o dinheiro no lugar onde estava e desabafou:

– Pô, santo, qualé a tua? Eu falei que ia devolver, não falei? Precisava dar queixa na polícia, seu fiadaputa?

 

 

Um negócio lucrativo demais

 

Dois irmãos – João e José -, começam um negócio, mas um deles, o José, bebe demais. João, trabalhador à beça, paga a parte do José e os dois se separam. Passado um ano, João volta para mostrar que comprou um carro novo. Toca a campanhia, sai o José biritadíssimo, que indaga:

– Mano, você veio me visitar?

João começa a dar uma lição de moral no irmão e fala que, tudo o que conquistou foi com muito trabalho e suor e tenta convencer o José a parar de beber.

Passado mais um ano, João compra um carro importado e volta pra visitar o José. Quando chega lá, dá de cara com uma placa “aluga-se” e vai logo pensando que o irmão foi despejado. Ele acaba pedindo informações ao vizinho, que lhe dá o novo endereço do José.

Chegando na casa nova do irmão, João surpreende-se com o tamanho e o luxo dela. Verdadeira mansão. Na garagem, cinco Mercedes novíssimas, último modelo. Toca a campanhia e sai o José , cheio de cachaça na cuca, perguntando:

– Mano, você comprou mais um carro novo?

E o João:

– Comprei. E você, ganhou na loteria, hein?

– Não, mano, só vendi os vasilhames.

 

Com Diego Villanova