Ailton Villanova

28 de Abril de 2018

Cachaça é melhor que remédio!

Adepto contumaz do copo, o Oristeu Perácio começou a padecer, certo dia, de um incômodo filho da mãe: diarréia e tonturas. Isso, todo santo dia, depois de uma sexta-feira inteirinha de farra no da Barra. Aí, dona Bertulina, a sogra, que nunca morreu de amores por ele, comentou, com certo ar de satisfação:

– Só pode ser excesso de álcool no rabo. Se esse irresponsável não parar de beber, com certeza eu vou ter uma filha viúva, ligeirinho, ligeirinho!

O comentário feito pela velha Bertulina foi alojado imediatamente no ouvido do Oristeu, por uma vizinha chamada Ergastula. Então, ele se mancou. Esticar as canelas e deixar Maria Núbia, a querida esposa, dando sopa, nem pensar. De modo que tomou a iniciativa de marcar uma consulta com o médico José Dias, que aconteceu na mesma hora.

– Qual o seu problema, meu amigo? – perguntou Zé Dias com aquela sua voz de antigo locutor da Rádio Palmares de Alagoas.

– O problema, doutor, é que estou quase batendo na porta da morte.

– É mesmo? Conte o seu drama para eu me situar direitinho.

Oristeu contou. Ao final de sua fala, doutor José Dias já estava prescrevendo o remédio e recomendando:

– Siga direitinho o que está escrito aí na receita, ouviu bem? Semana que vem, retorne aqui, para reavaliarmos a sua situação.

Oristeu girou nos calcanhares e se mandou. Ao cabo de uma semana olha ele lá no doutor, novamente! Zé Dias o examinou mais uma vez e soltou aquele riso de satisfação:

– Olha, você está bem melhor, mas vamos repetir a medicação, certo?

O paciente impacientou-se:

– Peraí, doutor! Esse remédio é ruim pra cacete!

E o médico:

– Então, faça o seguinte… tome ele imaginando que está tomando birita.

Oristeu contra-argumentou:

– Nesse caso, doutor, não é melhor eu tomar a minha cachacinha pensando que estou tomando o remédio?

 

 

Balança confusa

 

Alcoolizadíssimo, o Percilino “Boca de Ponche” encontrava-se escorado no pé do antigo Relógio Oficial da Rua do Comércio. De vez em quando, ele olhava pra cima e socava o pedestal, reclamando:

– Eita ponteiro fuleirozinho da bubônica! Nem na porrada ele se mexe!

Nisso, vai passando um transeunte, que acha de intervir:

– Mas o que é que tem o ponteiro do relógio, meu amigo?

– Relógio? Qualé o relógio? Eu apenas estou querendo que o ponteiro dessa porcaria de balança funcione!

– Mas isso daí não é nenhuma balança, meu amigo. Você tá maluco ou tá bêbado? Isso aí é um relógio!

– É mesmo? Putaquipariu! E eu aqui há mais de 2 horas tentando me pesar!

 

 

Sonho frustrado

 

Bebedor incorrigível, Dogbaldo França estava sonhando que havia entrado num bar onde a bebida era servida gratuitamente. Aí, chegou pro cara do balcão e pediu:

– Ô amizade, me vê aí uma dose de uísque.

O balconista levou pra ele o uísque solicitado, mas o Dogbaldo, muito do abusado, entendeu de pedir um adicional:

– Agora, pinga aí um golezinho de água tônica, e completa com uma dose de Cinzano bem caprichada, certo?

O balconista subiu numa escadinha para pegar o Cinzano, mas escorregou e caiu. Nesse momento, o Dogbaldo acordou, puto da vida:

– Que droga! Eu devia ter tomado o uísque puro!

 

 

Banho doce e pegajoso

 

O médico das estrelas e astros da Globo, doutor Arthur Gomes Neto, encontrou na rua um dos seus pacientes, e foi logo perguntando:

– E aí, seu Oldoceu, como se tem dado com os banhos que lhe receitei?

– Ah, muito bem, doutor! Mas tenho sentido o corpo todo pegajoso!

– Pegajoso, como assim?

– Sabe, doutor, eu tenho a impressão que é por causa do açucar…

– Que açucar?

– Ora, doutor, o senhor não se lembra que me receitou só tomar banho de água doce?

 

 

Mais pirado que os outros

 

O hospício estava superlotado. Então, os médicos bolaram uma estratégia para ver quem, entre os internos, poderia ter alta imediatamente. De modo que saíram em grupo gritando que o hospital estava inundando e todos os pacientes começaram a nadar no chão, menos o louco chamado Antiógenes, que se achava sentado num banco, sorrindo adoidado. Reparando no comportamento do pirado, o médico-chefe pensou: “Esse cara já deve estar bom!”.

O doutor chegou pro doido Antiógenes e perguntou:

– Ô rapaz, por que você não está, também, nadando com os outros?

O louco não teve dúvidas:

– Vou esperar a lancha, que é mais rápida!

 

Com Diego Villanova