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Ailton Villanova

14 de Abril de 2018

Arma finalmente reconhecida!

No boteco intitulado Bar do Bode, inserido nas lonjuras do Tabuleiro do Martins, parte altíssima de Maceió,raro era o dia que não se registrava um conflito. A pinguçada do pedaço se reunia no local para biritar e bagunçar, não necessariamente nessa ordem. Quando o camburão da PM baixava no pedaço era nego (e branco também) espirrando por tudo quanto era buraco, que nem rato. Um dia, o entrevero descambou para a base do tiro: no meio de uma acalorada discussão, um tal de Lula Pezão tirou da cintura um “cospe fogo” e começou a distribuir tiros adoidado. Entre os presentes, se achava o baixinho Adunaldo Coelho, vulgo “Náu Dentinho”. Quando as balas começaram a voar de um lado a outro, ele se escondeu debaixo de uma mesa e ficou ali quietinho, esperando o “cessar fogo”, fato que somente aconteceu com a chegada da Rádio Patrulha.

Dia seguinte, todos estavam diante do delegado Mário Pedro dos Santos, titular do 4° Distrito de Polícia da Capital (naquela época não existiam nem o 5° e nem o 8° DPs), que chamou o baixinho Adunaldo ao cartório e lhe mostrou um revólver.

– Reconhece esta arma? – inquiriu Mário Pedro.

– Não senhor, doutor. Eu nunca vi essa arma na minha vida!

– Mas você estava presente no momento do tiroteio, não estava?

– Tava sim, senhor. Mas, naquilo que eu vi o atirador se coçar, advinhei que ia haver bala e aí me escondí.

– Escondeu-se aonde?

– Debaixo de uma mesa.

O delegado concluiu a primeira parte das oitivas e na semana seguinte, em razão da colheita de novas provas, mandou chamar de volta o Náu Dentinho. Mais uma vez, fez a mesma pergunta:

– Reconhece esta arma?

– Reconheço sim, senhor.

O delegado ficou na dúvida com a resposta do baixinho. De modo que pegou os autos do inquérito e começou a folheá-lo. Ao reparar direitinho no escritado, ele retirou os olhos da leitura dos autos e encarou o amarelinho:

– Acho que você está querendo brincar com a policia, seu cabra!

– Eeeeuuu, doutor?

– Você mesmo. No depoimento anterior, você disse que não reconhecia arma… Agora, está confessando que a reconhece. Qual é a sua, rapaz?

E o baixinho:

– Mas doutor, o senhor não me apresentou esse revólver na segunda-feira passada? Tá lembrado não?

 

 

A grande diferença

 

Na primeira vez que o galego Tiberíades Fragoso viajou de avião, ele chamou a comissária de bordo mais pra perto e perguntou ao seu ouvido:

– Escuta, minha filha, nós não temos direito a um paraquedas?

– Não é preciso, senhor. Não se faz isso nas viagens de aeronaves comerciais.

– Mas quando a gente atravessa o rio de balsa, dão pra gente   colete salvavidas…

– É diferente, senhor.

– Como diferente? Tem mais gente que sabe nadar do que gente que sabe voar!

 

 

ara se anular um casamento?

– Bom, depende do grau da doença. Por exemplo: sua esposa estava doida quando se casou com você?

 

 

Respeito superior

 

Num dia de semana santa, dois velhos amigos chupavam picolé e trocavam idéias, bem acomodados num dos bancos da praça Marques da Silva, logradouro principal do centro comercial de Arapiraca. De repente, surgiu na rua um carro de som, convocando fiéis para uma cerimônia religiosa na Igreja Matriz. Nesse momento, um dos amigos aproveitou para perguntar ao outro:

– Ô cumpade Genoíno, me arresponda uma coisa, se vosmicê pudé…

– Possa fazê a pregunta, cumpade Jacinto! Tô de uvido aberto!

– Me diga, cumpade, Bispo é mais importante do que páde?

– Ora se é, cumpade!

– Entonce, de hoje em diante, em sinar de arrespeito, sô chamá vosmicê de cumbispo!

 

 

A maior prova da certeza

 

O delegado Amarílio Amaral Guedes, hoje gozando de justa e merecida aposentadoria, tomava o depoimento de um certo Inácio num caso de cartas anônimas, que haviam sido mandadas para algumas madames do bairro do Tabuleiro do Martins.

– Reconhece esta caligrafia? – indagou, exibindo uma das apócrifas missivas, a uns quatro metros de distância do interrogado.

– Reconheço não, doutor. – respondeu o cara, sem pestanejar.

– Pode jurar?

– Juro por tudo quanto é mais sagrado, doutor.

O delegado, então chegou mais pra perto do cara, quase esfregando o papel na sua venta:

– Como é que daquela distância o senhor pôde afirmar que não reconhecia a caligrafia? Não dava pra ver direito!

– É que eu num sei nem ler e nem escrever!

 

 

O emissário de Deus

 

Nos idos de 1910, viveu no interior de Alagoas, um sacerdote que tinha a fama de valente. Era o padre Argemiro, que não largava um “pau-de-fogo”. Até missa ele celebrava armado, com o revólver debaixo da batina.

Um dia, o sargento PM Coriolano, delegado de polícia da cidade onde ele era pároco, resolveu matar sua curiosidade, no respeitante ao comportamento belicoso do sacerdote:

– Seu vigário, se o senhor me permite…

– Pois não.

– Se é como o senhor diz, que nós só morremos quando Deus chamar, por que o senhor anda armado?

E ele, bem tranquilo:

– É que de repente, meu filho, posso topar pela frente com um safado que Deus está chamando com urgência para céu… Aí, eu despacho!