Ailton Villanova

10 de Abril de 2018

O erro sempre foi dela!

      Vigfreudo Timóteo nunca foi essas inteligências todas, mas é um sujeito legal pra carmba. Dia desses, ele pegou uma gripe filha da mãe e não parava de tossir. Preocupado com ele, o colega de trabalho Jorge Clécio aconselhou:

– Você tem que procurar um médico, rapaz. É bom cuidar dessa gripe pra ela não virar pneumonia!

E o Vigfreudo:

– E eu lá quero saber de bubônica de médico, rapaz! Sou bronqueado com essa turma!

– Mas por quê?!

– Porque eles são uns incompetentes! Antes de me casar com a Ildete um desses caras teve a coragem de me dizer que eu era estéril. E aí está, ó, dois anos depois, já tenho dois filhos!

– E o que foi que você fez com esse médico mentiroso?

– Ah, nem queira saber. Quando nasceu o meu segundo filho, aquele que parece um japonesinho…

– Sei, sei…

– Eu voltei lá e exigi que ele me fizesse novos exames…

– É isso aí, bicho! E o que aconteceu?

– Ora, o sacana reconheceu o erro.

– Reconheceu o erro?!

– Claro, porra! Veio todo sem jeito me dizer que eu não tinha mesmo merda nenhuma. Sabe em quem ele jogou a culpa?

– Nem imagino!

– Na coitada da Ildete! Disse que quem estava toda errada era ela, já pensou?

 

Tarado precipitado

A gostosona entrou no consultório daquele médico que tem a fama de tarado, fez uma carinha de dengo e disse:

– Eu gostaria que o senhor me examinasse todinha, doutor…

O cara se babou todo, quando bateu o olho na criatura. Cheio de más intenções, ele atacou:

– Entre nessa sala ao lado, tire a roupa, deite na maca e me aguarde.

A boazuda ficou peladona, exibindo um corpo sensacional. Naquilo que reparou novamente na peça, o médico não se conteve: pulou em cima dela e chamou na grande.

Duas horas depois de uma transa alopradíssima, o doutor safadão falou para a garota, ainda ofegante:

– Puxa! Você é mesmo demais! Por que não volta aqui mais vezes para ser examinada?

E ela, com a carinha de inocente:

– Mas eu vou voltar, doutor!

– Meeesssmo? Você vai voltar mesmo?

– Claro! Até o senhor curar a minha aids…

 

Um assaltante muito burro!

O baiano Avelino da Anunciação deve ser o único da raça cuja massa cinzenta não funciona legal. Desde que veio trabalhar em Maceió, não para de ser engraçado. E está sempre levando a pior.

Num dia igual a este, lá estava ele escondido num escurinho de Cruz das Almas, de arma na mão. Nesse momento, vai passando o serralheiro Eurípedes, também conhecido como “Roberto Carlos”. Aí, Avelino pulou na sua frente, apontou-lhe o “pau-de-fogo” e ordenou:

– Caga, alagoano burro!

Sem entender bulhufas, Roberto Carlos tratou de arriar as calças e, num esforço tremendo, mandou ver um cocozão adubado. E o baiano rindo adoidado. Entretanto, distraiu-se um momento e o Roberto Carlos aproveitou a ocasião para tomar-lhe a arma. Em seguida, revidou:

– Agora, coma o meu cocô, seu assaltante safado!

E o baiano, sem parar de rir, agachou-se e começou a comer a merda do RC.

E tome gargalhada!

Sem entender o comportamento do Avelino, o serralheiro perguntou:

– Ô cara, você é doido? Comendo a minha merda e ainda fica gargalhando!!!

E o baiano, sem parar de rir:

– É porque tu é burro mesmo! O revólver está sem bala!

 

O vivaldino entrou pelo cano!

Desde criança o galego Valdecânio quis ser mais sabido que os outros. De certo modo, conseguiu relativo sucesso em algumas das suas armações. Só não conseguiu driblar o serviço militar, pelo qual tinha uma cisma danada.

No dia em que foi chamado para apresentar-se no quartel do finado 20° Batalhão de Caçadores, no Farol, ele começou a ensaiar a maior cara de doente. Baixou lá puxando o ar, feito pinto com gogo. Ao chamado do oficial-médico, foi logo declarando:

– Sou doente!

E o oficial, botando aquele olho clínico pra cima dele:

– Tá doente de quê?

– Eu sofro de bronquite asmática crônica!

O oficial soltou um risinho chato e sapecou:

– Apto!

– Apto, doutor?!

– Claro! Pra curar bronquite e falta de ar, nada melhor do que sentinela noturna!

 

E o matuto ganhou!   

O sertanejo Elesbão Abreu, pequeno plantador de feijão na região de Dois Riachos, tangia um burro velho, manco, zambeta, trôpego e meio cego, pela beira da estrada. Em sentido contrário, todo empolgado, trafegava o fazendeiro Gastão Monteiro, montado num belo cavalo quarto de milha. Quando se cruzaram na ponte sobre o rio Ipanema, o matuto especulou o fazendeiro:

– Munto bunito o seu cavalo! É puro sangue?

– Puríssimo! E o seu?

– Ah, coroné, é um burrinho véio, lascado… mái de munta coráge!

O fazendeiro riu zombeteiro:

– O coitadinho aí é corajoso?

– Se é? Eu aposto qui vosmicê num é capáis de fazê cum o seu cavalo, uqui eu faço cum o meu corajoso burrinho!

– O que foi que o senhor disse?

– Qui vosmicê num fáis cum o seu cavalo o qui eu faço cum o meu corajoso burrinho…

O fazendeiro quase cai do cavalo, de tanto rir. Refeito do riso, propôs:

– Quanto quer apostsr, caboco? Dez, vinte, trinta mil contos de réis…?

Seu Elesbão relaxou. Sabia que ganharia a aposta.

– Trinta mí conto de réis e a aposta tá feita!

– Concordo! E como é que vamos fazer? Ou melhor, o que é que você vai fazer com o seu burro?

O matuto reuniu todas as suas forças, ergueu o quadrúpede e o atirou lá em baixo. Em seguida, sorriu o disse:

– Vosmicê agora faça o mermo cum o seu puro sangue, coroné!

O fazendeiro pagou a aposta.

 

Com Diego Villanova