Ailton Villanova

4 de Abril de 2018

Prontamente rápido

José Jerônimo Vasco Cardoso nasceu em Portugal, criou-se em Aracaju e veio morar em Maceió já rapagão, depois que seus pais – seu Manuel e dona Maria – faleceram. Aqui, arrumou um emprego de propagandista/vendedor/ambulante. A firma para a qual trabalhava representava aparelhos eletrodomésticos. Galego, olhos verdes, boa pinta, em que pese um bocado tapado, Zé Jerônimo fez um tremendo sucesso com mulherio.

O gajo batia numa porta, saía a patroa, ele abria uma pasta enorme cheia de prospectos e outros impressos de propaganda e deitava falação. Acabava, era tiro e queda: o produto propagandeado era logo encomendado. Muitas das vezes, até a freguesa ele traçava numa boa.

Foi o caso de uma madame curvilínea que morava no bairro chique do Farol, situado na parte alta de Maceió. O marido da sobredita era um caminhoneiro invocadão, que não parava de viajar. Pois bem, essa mulher caiu de amores pelo José Jerônimo e lhe abriu todas as portas de sua casa, principalmente a do quarto de dormir.

Era o caminhoneiro dar as costas e o propagandista corria dentro, sem dó e nem piedade. Traçava a mulher do caminhoneiro na maior.

Certa madrugada, eles já haviam transado meia dúzia de vezes e estavam partindo para a sétima quando, repentinamente, a mulher falou de olho arregalado:

– Ele chegou! Escutou o barulho do caminhão?

E o português metendo bronca na melhor das horizontais:

– Não escutei nada!

Nesse momento, estrondou na madrugada o barulho do freio a ar do caminhão do chifrudo – tchiiiiiiimmmm… pfsssssss…

Madame apavorou-se:

– Vamos, Jerônimo! Goza rápido porque o meu marido está parando na porta!

Prontamente, o propagandista pulou da cama, abriu a janela e gritou:

– Coorrrnooo… Coorrnooo! Quá, quá, quá!

 

Além de corno… rá, rá!

Muito do safado, o papagaio do Perácio Cardoso adorava tirar uma onda com a mulher do dono. Todas as noites, quando ela se dirigia ao quarto de dormir, o louro soltava uma pilhéria:

– Já vai, né gostosa? Vai dar essa bucéfala, hein?

Um dia, madame não suportou mais a esculhambação do louro e o dedurou pro marido, que disse não acreditar na história.

– Acredita não? – reagiu a mulher – Pois então se disfarce de mulher,

Perácio resolveu tirar a prova: vestiu um penhoar da mulher, passou batom nos beiços e, em seguida, desfilou perante o louro, que não se conteve:

– Ah, é você Peracinho? Quem diria, hein? Além de corno é viado!

 

A prova cabal

Praia da Avenida, final de noite.

Lá ia a dupla de PMs cumprindo o seu dever, naquele passo de tartaruga, mãos para trás e olhar atento. De repente, um deles para, aponta para adiante e diz:

– Olha só que sacanagem!

Por detrás de uma barraca, aproveitando o escurinho da noite, dois sujeitos estavam mandando ver. Transavam numa boa. Os praças chegaram junto e o que primeiro dera fé na sacanagem, deu a bronca:

– Bonito, né seus dois safados? Têm vergonha não?

Os amantes tomaram o maior susto. Refeito, o passivo levantou a cabeça, marcou carreira e disparou praia afora. Seu companheiro ficou sozinho, tentando se recompor.

E o militar:

– Tá preso! Atentado ao pudor!

E o flagrado, no maior cinismo:

– Qualé, seu praça? Eu só estava fazendo um xixizinho. E tem mais: desafio a você provar que eu pratiquei esse delito.

O PM então rebateu:

– Bom, pra começar, eu quero que você me explique a origem dessas duas orelhas que você está segurando!

 

Que venha o chope!

Perdido numa ilha deserta, o português Manuel avistou uma moça agarrada num barril, a uns duzentos metros da praia. Imediatamente, ele pulou na água para ajudá-la. Assim que chegaram à praia da ilha a moça recuperou a consciência e disse emocionada:

– Agora, para mostrar a minha gratidão, eu vou lhe dar uma coisa que acho você não vê há muito tempo!

E o português, cheio de alegria:

– Não venhas me dizer que tem chope dentro do barril…!

 

Noites terríveis

O amigão Sidney Ribeiro da Paz é um porreta psicólogo. Sua clientela é numerosa, mas sempre tem lugar para mais um. Manhã dessas, sua curvilínea secretária Katinha introduziu em seu consultório o agoniado Celino Bonfim. No divã do especialista ele desabafou:

– Me ajude, doutor! Estou um verdadeiro trapo humano. Tive mais uma noite terrível!

– Mas por quê?

– É que não estou conseguindo pregar os olhos à noite!

E o psicólogo, tentando tranquilizá-lo:

– Não se preocupe que isso passa. É tudo uma questão de força de pensamento. É só você ter pensamento positivo e dizer para si mesmo “eu vou melhorar, eu vou me sentir melhor dia após dia”. Faça isso todos os dias durante duas semanas e depois volte aqui, para me dizer o resultado.

Dali a exatos 15 dias Celino retornou ao consultório do doutor Sidney, que foi logo perguntando:

– E então, meu amigo, seguiu a minha recomendação?

– Segui!

– E como se sente?

– Doutor, dia após dia, passei a me sentir melhor. Só que continuo sem conseguir dormir à noite!

Com Diego Villanova