Ailton Villanova

17 de Março de 2018

Campo encharcado

Quase da mesma idade, os primos Natanael e Leonel Francisco Botelho – o primeiro um ano mais velho que o outro –, nasceram em Bebedouro. Foram cuidados pela avó, dona Delzuíta e eram muito unidos. Muitos anos mais tarde, o primeiro morreu atropelado por um trem, na finada Feira do Passarinho, na Levada, onde possuía uma loja de eletrodomésticos. O segundo ainda vive e está aposentado da Petrobras.

Natanael era bom no bate-bola, o mesmo acontecendo com o Leonel. Ambos calçaram chuteiras pela primeira vez defendendo as cores do Bebedourense Futebol Clube, onde pontificaram craques como Zadir Moreira, Jorge Nunes, Paulo Picolé (que era tio do Nunes), os saudosos manos Ary e Zé Alves, Geoberto do Espírito Santo, Petrúcio Sedon, minha pessoa e outros mais que, se fôssemos enumerá-los todos gastaríamos todo o espaço reservado a esta coluna e mais a página inteira.

Pois bem, os primos Natan e Léo, conforme eram tratados na intimidade, optaram pela mesma posição no campo de jogo: centro avante e nenhum queria ser reserva do outro, porque se consideravam iguais na competência futebolística. Houve uma ocasião em que com o Geoberto e o Jorge Nunes constituíram um ataque imbatível no juvenil do Centro Sportivo Alagoano, o hoje manquitolante CSA. Quase foram bater no flamengo do Rio de Janeiro.

Além de craques no bate-bola, os primos bebedourenses eram boêmios e gozadores ao extremo. De tudo faziam algazarra. Um dia, cada um deles arrumou uma namorada, apaixonaram-se e tomaram o rumo do altar da igreja de Santo Antônio, paróquia de Bebedouro, na mesma data e hora. Coincidentemente, as noivas também eram primas e lindas, maravilhosas. Para a lua-de-mel eles escolheram a cidade histórica de Olinda, em Pernambuco e, logicamente, ficaram hospedados no mesmo hotel, em quartos vizinhos.

Os dois centroavantes combinaram, então, que cada vez que um deles consumasse o ato sexual com a esposa, gritaria bem alto “gol”, para o outro escutar.

O casais entraram nos seus respectivos aposentos e daí a instantes o Léo abriu o bocão:

– Goooollll!

Mais meia hora e ele novamente:

– Goooollll!

Depois de uns 40 minutos:

– Goooollll!

Achando estranha a não marcação de “gols’ por parte do primo, Leonel bateu na porta do quarto deste e procurou saber o que estava acontecendo:

– O que foi que houve rapaz?! Pifou?!

E o Natan:

– Jogo adiado. Estou batendo bola atrás do gol.

– Por quê?

– O campo está encharcado!

 

Ele era o juiz!

O jogo terminara mais cedo de futebol da periferia do Tabuleiro do Martins. É que tinha havido um conflito danado entre jogadores e torcedores. A polícia entrou em campo baixando o cacete.

Ao lado do campo um policial avistou um camarada trepado numa árvore e estranhou o fato:

– Desce daí, rapaz! Se você está querendo assistir ao jogo devo lhe dizer que já acabou. Vamos descendo!

– Eu sei que o jogo acabou!

– E então o que está fazendo aí em cima?

– Eu era o juiz do jogo!

 

Quase mortos

O presidente da Confederação Portuguesa de Futebol determinou, em um jogo decisivo do campeonato luso, que se houvesse empate entre Benfica x Clube do Porto, este só terminaria com “morte súbita”

Depois de 18 horas jogadas, o técnico do clube do Porto ligou para o presidente da CPF, pedindo que ele autorizasse o fim do jogo, pois até aquele momento nenhum jogador havia morrido e todos já estavam exaustos.

 

 Jogo de louco

Em determinado hospital psiquiátrico, os internos resolveram jogar uma partida de futebol.

Detalhe: sem bola.

Os loucos ficaram correndo pra lá e pra cá, pra cima e pra baixo, chutando e comemorando gols durante horas. Um deles, entretanto, havia se recusado a participar desse jogo, fato que chamou a atenção do doutor Humberto, diretor do hospício:

– Ei, rapaz! Por que você não está jogando com os seus colegas?

– Eu não! – respondeu ele – Sou doido não, doutor!

Sensibilizado com a resposta do paciente, o diretor resolveu lhe conceder alta. Com certeza ele não estava louco.

Depois que o cara foi pra casa, o diretor voltou ao pátio para conversar com os internos:

– E aí, quando está o jogo?

– Dez a zero pra gente! – respondeu um pirado.

– E o Antiógenes, aquele amigo de vocês, não quis participar do jogo por quê?

– Ah, doutor, ele é bobo! – disse o doido. – Falou que não joga com bola murcha!

 

Com Diego Villanova