Ailton Villanova

13 de Março de 2018

Intelectual de circunstância

Quando serviu no Exército Brasileiro, mais precisamente no 20° Batalhão de Caçadores, o José Seraphim Bispo ganhou o apelido de Bazuca. Por isso não demorou muito na armada verde-oliva. Seraphim não gostava que o chamassem de Bazuca e quanto mais ele reagia, mais a turma o apoquentava. Até que pediu baixa.

Mal retornou à vida de cidadão comum, eis que Bazuca, digo, Seraphim, ganhou o emprego de motorista do professor e doutor Aristarco Antípodas Abreu Raposo Tavares, cientista do ramo da biologia e conferencista famosíssimo. Esse emprego Bazuca, digo, Seraphim, ganhou depois de uma apresentação por escrito feita pelo seu ex-comandante, coronel Oldoceu Almeida. O cientista era sogro do oficial.

Professor-doutor não parava quieto neste Brasil, principalmente no seu estado natal, Pernambuco. Sua vida era no oco do mundo pronunciando conferências. O velho detestava viajar de avião. Só andava de carro, pilotado pelo nosso Seraphim. Nessa convivência pra cima e pra baixo no confortável automóvel do insigne cientista, a dupla firmou uma amizade de irmãos. E bote anos nisso.

Um dia, eles estavam a caminho de uma conferência em João Pessoa, na Paraíba, quando o motorista tomou a liberdade de emitir o seguinte comentário:

– Sabe, doutor Aristarco, nesses anos todos que trabalho pro senhor, já escutei tanto as suas palestras e conferências que seria capaz de falar igualzinho, no seu lugar, caso o senhor ficasse doente algum dia.

– Não é possível, Seraphim!

– Pode crer, doutor!

– Duvido!

– Quer apostar?

– Quero!

E casaram a aposta. Trocaram de roupa e quando chegaram no local da conferência o motorista foi para a tribuna, enquanto o cientista se instalou na última fila do auditório superlotado.

E Seraphim deitou falação. Depois da palestra, ele foi aplaudido de pé e colocou-se à disposição da plateia para responder perguntas pertinentes ao tema enfocado por ele. No entanto, num certo momento, levantou-se um sujeito que apresentou uma questão dificílima. E Seraphim, muito do malandro, não teve dúvida em se sair com esta:

– Meu caro, essa sua pergunta é tão fácil, tão elementar, que vou pedir ao meu motorista, que se encontra sentado ali atrás, para respondê-la.

E saiu da sala, deixando o abacaxi pro doutor Aristarco.

 

Feijoada suspeita

O sujeito entrou no restaurante do Bozuga, bairro Coréia, e pediu:

– Garçom, me traz uma feijoada completa!

– Pois não, senhor. São 15 reais adiantados!

– Opa! Mas o que é isso, rapaz?! Vou ter que pagar antes de comer?

E o garçom:

– Olha, é que essa feijoada de hoje… sei não viu?

 

Picada selvagem

Depois de ter ganhado uma boa nota da loteria, o camelô pernambucano Osmélio Xavier resolveu realizar um velho sonho: montou num navio com a mulher, filhos – e até a sogra -, e foi baixar na África. Assim que chegaram lá, pegaram um safári esperto. No final da primeira tarde, a mulher do Osmélio entrou na barraca onde se achavam acampados, no maior desespero:

– Osmélio! Osmélio! Uma hiena picou a mamãe!

– O que é isso, mulher? Hiena não pica. Quem pica é a cobra. Hiena morde!

– Mas essa picou. Picou a mamãe em pedacinhos!

 

Muito bem informada

Marido e mulher estavam dividindo uma garrafa de finíssimo vinho, momento em que ele se saiu com esta:

– Amor, aposto que você não é capaz de dizer alguma coisa que me deixe alegre e triste ao mesmo tempo:

A mulher respondeu na bucha:

– O seu pau é o maior de toda a vizinhança!

 

O problema da Moniquinha

      Finíssima criatura, excepcional caráter, jornalista inteligente, Mônica Cavalcante inventou de comprar um carro zero, para cumprir suas atividades midiáticas. Aquirido o carro, ela foi ao Detran e habilitou-se como motorista. Passo seguinte foi sair rua a fora dirigindo a pecinha, toda vaidosa. Nesse mesmo dia, ela notou que o carro esta esquentando e, toda metida e entendida, parou num posto de gasolina, abriu o capô e começou a verificar o nível do óleo, barato que aprendeu com o tio Renan Lourenço. Minutos depois, com a vareta na mão, ela foi até o frentista:

– Moço, você tem aí uma vareta mais comprida?

– Não, senhora… por quê?

– Porque esta aqui não alcança o óleo!

 

O leitão e o cabrito

Ex-gordo e gozador, Miguel Pierri, empresário importante indústria gráfica de Maceió, resolveu fazer uma média com a família: pegou a mulher e os filhos e foram fazer turismo em Lisboa. Depois de instalados no hotel, saíram para curtir a noite lisboeta. Pegaram um restaurante finório e o então gordinho logo se apressou em chamar o garçom:

– Ô gajo, me traz o cardápio, por favor.

O garçom levou o cardápio, onde se destacava os seguintes pratos: “Leitão à moda do Porto” e Cabrito idem idem”. Miguel chamou novamente o garçom:

– Meu caro, por favor, como é esse leitão?

O garçom assumiu ar professoral e mandou:

– Bain, o leitão é um bichinho gordinho, baixinho, mais ou menos deste tamanhito, tem quatro perninhas, duas orelhas e um rabinho torcidinho…

Aí, o Juninho, o filho do Miguel interferiu:

– E o cabrito:

– Bain, mô gajinho, o cabrito é a mesma coisa. Só que um bocadinho maior e tem dois chifrinhos em cada lado da testa.

 

Com Diego Villanova