Ailton Villanova

3 de Março de 2018

Uma complicada tentativa de cura

Até completar 15 anos de matrimônio, o casal Ederlindo/Versícula Madureira vivia uma vida sexual absolutamente tranquila. Quatro, cinco vezes por semana na horizontal entremeada de beijos, abraços, carinhos mil e… etc e tal. Versícula não era, e nem nunca foi, de se jogar fora, enquanto o marido Ederlindo esforçava-se ao máximo para “corresponder à expectativa.

Quando completou 47 anos de idade, esse distinto cidadão começou a ter problemas no relacionamento íntimo com a mulher, que nunca “negou fogo”. É que lhe acometera o incômodo intitulado “ejaculação precoce”. Mal iniciava a função e já estava atingindo o orgasmo.

Um dia, por insistência da preocupada esposa, Ederlindo procurou um médico amigo e abriu o coração. Contou todo o seu drama.

E o doutor:

– Bom, o remédio para esse seu problema é um ansiolítico…

– Que diabo é isso, doutor?

– É um medicamento que elimina a ansiedade. Esse problema  que está lhe acometendo sentindo se chama ansiedade. Depois que você tomar o remédio que vou lhe prescrever, volte aqui para me dizer o resultado.

Ederlindo pegou a receita, correu até a primeira farmácia, aviou-a e ao cabo de 50 comprimidos engolidos, dia e noite, voltou ao consultório do facultativo:

– Não melhorei nadinha, doutor!

– Não melhorou???!!! Então vamos partir para uma providência mais radical, topa?

– Topo!

– Então você vai fazer o seguinte: quando sentir que está atingindo o orgasmo. Arranje qualquer coisa que lhe provoque um susto… algo explosivo, ou coisa que o valha, entendeu?

Ederlindo, então, resolveu radicalizar: comprou uma pistola .380 e foi pra casa todo contente. Ao chegar, encontrou a mulher na cama, nua, ardente, sôfrega, saracoteando que nem uma cadela no cio. Aí, pensou: “É hoje que vou usar esta arma!”

Montado nesse pensamento, ele partiu pra cima da mulher, abufelou-se com ela e avisou:

– Hoje vamos fazer um amor diferente, meu amor.

– E é? Como assim? – indagou a mulher, ansiosa.

– Vamos mudar de posição. A gente vai transar assim: um com a   cabeça para os pés do outro.

A mulher vibrou:

– Que bárbaro, meu amor! Vamos lá!

O casal começou a transar na base do 69 e, quando sentiu que o orgasmo estava chegando, Ederlindo sacou a arma e disparou: tebei!

Dia seguinte ele estava voltando ao médico, que perguntou curioso:

– E aí, meu amigo, como é que foi?

– Não foi nada bem, doutor…

– Nããão??? O susto não o impediu de gozar?

– Impediu, sim. Mas aconteceu um negócio muito chato. Na hora que disparei o tiro, minha mulher cagou na minha cara, arrancou metade dos meus testículos com os dentes e o meu vizinho pulou de dentro do meu guardarroupa, nu como nasceu, e saiu correndo com as mãos pro alto, pedindo socorro!

 

Divórcio acelerado

Nos tempos de namoro e noivado, José Divino e Maria Arcósia viveram praticamente no céu. Um só enxergava terra onde o outro pisava. Amor de causar inveja.

O casal se conheceu numa festa de Natal na praça Lucena Maranhão, bairro Bebedouro, e a paixão bateu firme no coração de ambos. Arcósia era estudante do tradicional Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho e o Divino aluno do Colégio Estadual de Alagoas. Apaixonados, os dois serviam de exemplo para os demais casais de jovens enamorados.

Quando Divino concluiu o curso colegial, foi trabalhar na Petrobras, em Sergipe. Arcósia ficou em Maceió lecionando para a garotada na Escola Alberto Torres.

Alguns anos mais tarde, o casal não era mais o mesmo. Um dia, marido e mulher viajavam de Aracaju à Maceió, num carrão dirigido por Divino a 120 por hora. Depois de passarem quase todo o trajeto sem dizer palavra alguma, em dado momento Arcósia resolveu quebrar o silêncio:

– Didi, estamos casados há mais de 30 anos, já vivemos muitas alegrias juntos, já compartilhamos tantas coisas boas… mas, agora, não dá mais! Eu quero o divórcio!

Divino permaneceu calado e pisou fundo no acelerador. O ponteiro do velocímetro saltou para os 130 quilômetros por hora.

E ela:

– Eu não quero que você me peça para mudar de ideia… Estou saindo com o Miltão, seu melhor amigo. Eu estou convencida de que ele é o homem certo pra mim… É o homem da minha vida!

Divino continuou calado e aumentou ainda mais a velocidade do carrão: 140 quilômetros por hora.

E a mulher danada falando:

– Eu vou ficar com a casa…

Mais uma acelerada e a velocidade subiu para 150…

– Quero também ficar com os meninos!

Cento e sessenta quilômetros.

– Quero o carro, a conta corrente, todos os cartões de crédito…

Cento e setenta quilômetros…

– E você não vai dizer nada, Didi? Não vai dizer o que quer?

– Não! Eu tenho a coisa mais importante do mundo aqui comigo. – disse ele começando a emocionar-se.

Arcósia não entendeu o que o marido quis dizer:

– Ah, é? Posso saber que coisa é essa?

Divino aumentou a velocidade para 220 quilômetros e completou com um riso sádico:

– Rê,rê,rê,rêêê… Eu tenho o airbag no meu lado!

 

Com Diego Villanova