Ailton Villanova

27 de Fevereiro de 2018

Felicidade infernal

O bompartense Esmeraldo de Jesus, que era mais conhecido pelo apelido de “Filé de Gafanhoto”, ou simplesmente “Filé”, foi um sujeito de muito caráter. Antigo tecelão da fábrica de tecidos Alexandria, localizada na principal artéria do bairro do Bom Parto, ele trabalhava dia e noite para sustentar a vaidade da mulher Eucalina, que jamais deu um dia de serviço em toda a sua existência. Sorte é que desse consórcio não nasceu filho algum. Eucalina era uma verdadeira megera. Apesar disso, e dado o seu bom caráter, o Esmeraldo viveu com ela 40 malditos anos, sempre no Alto da Conceição, faixa de terra que separa o sobredito Bom Parto do elítico Farol.

Um dia, Esmeraldo de Jesus morreu de ataque cardíaco. Segundo as más línguas da época, seu coração pifara porque não suportara as maldades da mulher, que, além das canelas finas e cabeludas, possuía bigode e cavanhaque, que ela desbastava a cada 24 horas.

Sempre que podia, ela humilhava o marido:

– Homem que nem o meu, tem que ser levado debaixo do solado dos pés.

Pensa que ela chorou quando o Esmeraldo morreu? Não verteu uma mísera lágrima!

Eucalina foi ao enterro do marido vestida de vermelho e de batom encarnadão nos beiços.

Mês e meio depois do óbito, começou a circular no Alto da Conceição o boato de o Filé estava baixando num centro espírita da Pitanguinha, presidido por um certo Joãozinho Bozó. Curiosa e muito arrogante, a viúva foi lá conferir a conversa. Entrou no centro pisando firme, sem pedir licença e ao menos cumprimentar as pessoas alí presentes. Nessa hora, os médios estavam se concentrando. Não demorou muito, Esmeraldo de Jesus baixou na sessão:

– E você mesmo, Esmeraldo? – perguntou a viúva,

desconfiada.

– Sou eu mesmo. Como vai você?

– Eu vou muito bem. Tá vendo, não? E você?

– Felicíssimo! Se eu soubesse que aqui era tão bom, teria morrido há mais tempo!

– E como é aí no céu?

– Céu? E quem foi que falou que eu estou no céu?

 

 

Tremenda sacanagem

 

Na época em que existia zona de meretrício em Maceió e que funcionava no Jaraguá, a dona de um dos bordéis entendeu de bolar uma promoção, para provocar a concorrência e, ao mesmo tempo, assanhar ainda mais a freguesia. Mandou fazer um cartaz e pregou na porta do lupanar:

“Cem cruzeiros para quem conseguir emplacar dez vezes seguidas”.

Um marinheiro de dois andares que tinha passado seis meses no mar, topou o desafio:

– Essa eu tiro de letra!

O grandão catou uma mulata chamada Terta, a mais famosa puta do meretrício, e a levou pro quarto. Depois da nona vez, o cara já estava com a língua de fora, quase entregando os pontos. Bufando e suando, perguntou pra dona:

– Quantas eu já dei?

– Seis. – mentiu a rapariga.

– Quêisso? Tá me sacaneando, mulher? Exijo honestidade! Quero que me conte direitinho!

E a prostituta:

– Tá bem. Só tem um jeito de resolver essa parada. Vamos organizar uma comissão julgadora, e aí  a gente começa tudo novamente!

 

 

Coisa muito pior!

 

Era grande pra mais da conta, o movimento de pessoas e veículos na frente e ao lado da igreja de São Pedro, em Ponta Verde. Trânsito engarrafado, aquele auê!

Nisso, vai passando o pinguço conhecido na área como Catrevagem, que para espantado e fica balançando que nem pêndulo de relógio de parede. Impacientou-se, e dirigiu-se a uma madame finória, que formava na fila de convidados para entrar no templo católico:

– Ô dona, que confusão é essa que tá havendo aí na igreja? Será que é alguma briga?

E a mulher, entronchando a cara:

– Não está havendo briga nenhuma, rapaz! Tá bêbado, é? O que está havendo aí é um casamento!

– Caramba! É muito pior do que eu pensava!

 

 

Uma sogra complicada

 

 

Bandidos terríveis invadiram a mansão de um empresário chamado Bedeslaldo Matoso, localizada num dos locais mais ermos e distantes: o loteamento Guaraciaba, situado na parte alta da cidade.

O ataque se deu de madrugada. Em casa encontravam-se apenas dona Canolina, a sogra do empresário, e duas empregadas – Quitéria e Genésia. Bedeslaldo e a esposa Licordina, havia saído para uma festa.

Lá pelas 5 da matina os donos da casa voltaram e encontraram tudo revirado e as domesticas na maior choradeira:

– O que foi que houve por aqui? Parece que passou um furacão!

Aí, as criadas contaram aos patrões tudo o que acontecera.

Não demorou muito, o telefone tocou na mansão do Bedeslaldo. Ele atendeu:

– Alô!

Do outro lado da linha, um sujeito berrou:

– Olha! Aqui quem fala é um dos sequestradores…

– E daí, porra?

E o bandido:

– E daí, que a gente quer saber onde é que pode deixar a sua sogra….

– Mas vocês nem exigiram o valor do resgate!

Apavorado, tentou continuar a conversa:

– Pelamor de Deus, meu amigo… Onde o senhor quer que a gente deixe a sua sogra… Alô? Alô?

 

 

Camisinha não é touca!

 

O negrão Altrifício Jacaíba arrumou um emprego de vigia noturno numa construção. Mas, para ter a sua documentação legalizada perante a empresa contratante, não houve como escapar do médico.

Sabe como é clínico. Pergunta tudo ao paciente. E saiu interrogando o negão:

– O senhor transa com tudo o que é de mulher? Qualquer uma?

– Bem, dotô… quando as nega tão afim de dá, né?, eu chego junto e… chamo na culé. É fatáu!

– Fatal é a Aids! Cuidado com ela!

– Tô ligado, dotô.

– Preste atenção: de agora em diante o senhor só vai ter relações sexuais usando camisinha. É pro seu bem!

– Falô!

Uma semana depois o Altrifício estava de volta ao consultório do médico:

– Olhaquí, dotô! Trepá cum camisinha num tá cum nada, tá sabendo?

– Mas, por quê?

– É qui toda vêis qui coloco ela na “peça”, a “peça” pensa quié tôca e só qué sabê de durmí!

 

 

Excelente método anticonceptivo

 

Pra lá de biritados, os pinguços Tonho da Zezéu e Miltão Pé-de-Chulé papeavam numa birosca daquelas que ficam na favela do Jaraguá, bem na beirinha da praia. Sem quê e nem pra quê, o segundo ficou de pé e apontou o dedão pro companheiro:

– Ô Zezéu, como é que tu faz pra num engravidar a tua mulé?

E o indagado:

– Fácil! Eu como a mulé do vizinho!