Ailton Villanova

16 de Fevereiro de 2018

Que mosca mais inconveniente!

Nascido e criado no Mutange, antigo distrito emprensado entre Bom Parto e Bebedouro, com fundos para o bairro do Pinheiro, o Apucanásio Tavares era um caboco viciado em apostas.

Apucanásio apostava em tudo. Qualquer palavra ou opinião em contrário ao que pensava, ele já saltava com o costumeiro “quer apostar?”

Frequentemente era visto nas casas de apostas, fazendo a sua “fezinha”. Apostava na loteria federal, apostava nas cartas, apostava no futebol. E por falar nisso, um dia, ele se achava no campo de futebol da antiga Vila Operária, no Bom Parto, assistindo a um treino de operários da Fábrica Alexandria para a tradicional corrida de pedestres do 1° de Maio, quando lhe bateu na cachola a ideia de mais um desafio:

 

– Aposto que corro mais do que todo mundo aí!

 

Ao seu lado encontrava-se o mecânico José Diomedes, que não deixou o desafio passar em branco:

 

– E o que é que você quer apostar?

 

Aí, Apucanásio quis desmoralizar:

– Pra ganhar essa corridazinha de merda, dou uma vantagem de duzentos metros, e de barriga cheia!

– Como assim, de barriga cheia? – quis saber Diomedes.

– Vou alí no restaurante do seu Torres, como cinco pratos de comida e bebo cinco garrafas de cerveja. Depois, sapeco as canelas pra frente…!

– Não tem medo de ficar cansado?

– Que cansado que nada, rapaz! Essa parada pra mim é besteira!

– Tá apostado! – confirmou Diomedes  – Dispenso a corrida, se você comer qualquer tipo de comida, topa?

– Ora se topo! Eu como tudo. Até merda, se tiver!

Diomedes pegou o cara na palavra:

– Tá legal! Você vai comer cinco pratos de cocô!

– Essa eu tiro de letra . Aposto mil pratas!

– Feito!

Pegaram uma mesa, levaram para o ar livre e lá colocaram os cinco pratos cheinhos de cocô. E o Apucanásio começou, pensando nas mil “pilas” que ganharia dali pouco. Na última colherada, ele fez uma careta e parou:

– O que foi? – perguntou Diomedes – Por que parou?

– Quero comer mais não!

– Quer dizer que você vai abrir mão dos mil cruzeiros por causa de uma colherada só? Eu não acredito!

– Ninguém me faz continuar!

– Mas por que, rapaz?

– Não gosto de nojeira! Tá vendo não, o que está no meu prato de cocô?

– Tô não!

– Tem uma mosca em cima!

 

“Minutinho só!”

O freguês de sempre Edulcorado Azevêdo ligou para o Restaurante do Duda, na Mangabeiras, o gerente Júnior atendeu e ele lascou lá:

– Olha, rapaz, eu quero uma reserva para às 7 horas da noite, tá combinado?

E o Júnior:

– Sinto muito. Só temos para às 06:45. Pode ser?

– Está ótimo!

– Certo, senhor. – confirmou o Júnior – Mas talvez o senhor tenha que esperar uns 15 minutos, tá ok?

 

Sem problema

Na delegacia de polícia, a autoridade respectiva dizia a um certo Percúcio, perfilado em sua frente:

– O senhor está sendo acusado de ter quebrado uma cadeira na cabeça do seu vizinho…!

E o cara:

– É verdade, seu delegado. A minha intenção era só partir a cabeça daquele safado. Se o problema é só a cadeira, eu pago outra!

 

Avó “rodovieira”

Mal entrou na sala de aula, Helbinho foi abordado pela professora Valdetrudes:

– Foi a sua avó quem lhe trouxe para a escola, hoje?

– Foi sim, tia. Ela veio visitar a gente nesses dias…

– Ah, que bom. E onde é que ela mora quando não está na suja casa?

– É na rodoviária. É ali que o papai sempre vai busca-la!

 

Amante folgado

Correínha, aquelre nosso amigo corno, chegou em casa de madrugada e flagrou a mulher, na cama, abufelada com sujeito muito folgado. Os dois, cansadões depois do baculejo, dormiam tranquilos. Aí, Correínha teve uma reação violenta: acordou o “pé-de-pano” aos berros:

 

– Ei, cara! Que negócio é esse? Além de transar com minha mulher, você ainda usa o meu pijama!

 

Deputado brasileiro

Num vôo internacional promovido pela ONU, viajavam, entre outros convidados especiais, o papa, o presidente Bill Clinton e um deputado brasileiro, cujo nome, por motivos óbvios, deixamos aqui de citar. Em dado momento, o motor da aeronave começou a falhar e só havia um paraquedas a bordo. Os três resolveram fazer uma eleição para saber quem ficaria com o paraquedas. Contaram os votos e o deputado brasileiro ganhou. Ele vestiu o paraquedas e se jogou do avião. O papa então comentou:

– Vamos agradecer a Deus por um de nós ter se salvado.

E Bill Clinton:

– É verdade, santidade. Mas eu ainda não entendi como ele conseguiu os 2.345 votos!

 

Com Diego Villanova