Gerônimo Vicente

14 de fevereiro de 2018

Redes sociais revelam  no carnaval  o “jornalismo pastelão” da grande mídia

tuitu 300x300 - Redes sociais revelam  no carnaval  o “jornalismo pastelão” da grande mídia

Longe do estado de exceção, a que vivemos e aproveitando a arte e a cultura tão predominante no coração e mente do  brasileiro, a sociedade, especialmente aquela que é objeto de repressão de ordem política e econômica,  aproveitou os dias de folia para  responder às provocações e ataques desferidos pela elite, desde o momento em que foi entronizado o processo de impeachment.A reação das redes sociais ao silêncio das principais emissoras de Televisão, grandes jornais e portais eletrônicos de notícias, durante a passagem da escola de samba Paraíso do Tuiuti,  deu uma evidente demonstração do “jornalismo pastelão” a que foram submetidos, durante anos e acentuadamente a partir de 2015, os telespectadores, leitores e internautas.

A palavra pastelão, utilizada nos anos de 1970 e 1980 como sinônimo de  má qualidade, risível, discutível e sempre atribuída à época pelos intelectuais e cronistas   aos filmes de pornochanchadas, eróticos e novelas mexicanas, cabe, perfeitamente, para designar a saia justa, proporcionada a esses veículos pela escola de samba Paraíso de Tuiuti. A censura imposta pela Rede Globo e pelo site Uol foram os casos mais emblemáticos e  incendiaram, ainda mais a revolta  na web.

Sabe-se desde dezembro do ano passado que a escola-revelação do samba carioca  traria à avenida o tema político que representava a revolta popular, reprimida nas vezes que manifestantes saíram às ruas para protestar contra o fim de seus direitos civis, trabalhistas e econômicos. O jornal O Dia, do Rio de Janeiro expôs, na ocasião estampou  uma imagem que simbolizava o pato da Fiesp e nele montado um boneco manifestante com panelas às mãos,, hoje chamado de  “manifestoche”. Todos os veículos da grande mídia ignoram o fato, talvez com a intenção de esconder aquela que seria “a coqueluche” do carnaval do Brasil em 2018.

Mas, a Rede Globo, foi mais além e  resolveu  ficar em silêncio na passagem dos carros-alegóricos da escola Paraíso do Tuiuti, com Temer-vampirizado e manifestantes batedores de panelas manipulados pelos poderosos, entre eles, a própria Organização Roberto Marinho. Afinal quem não se lembra da expressão “famílias inteiras reunidas no domingo”, durante os protestos contra a presidente Dilma Rousseff enquanto os contrários eram considerados um amontado de “vândalos”. Já o site UOL resolveu suspender uma enquete  quando  o resultado apontava que 94% dos internautas consideraram a escola, símbolo dos protestos como a melhor do Sambódromo. Foi a senha para a revolta eletrônica e que fez a Globo se redimir sobre sua própria censura já tão conhecida, desde 1969, quando Geraldo Vandré teve a música “Prá Não Dizer que não Falei das Flores” tirada do primeiro lugar de um festival da MPB, promovido pela emissora. Na edição do Jornal Nacional de terça-feira (13), a emissora resolveu revelar o que ocultou durante esses três anos (assista), inclusive referiu-se aos manifestantes como personagens-manipulados pelos poderosos, ou seja, quem foi foi às ruas bater panelas, hoje se transformou em piada de carnaval. Os protestos das redes sociais que responderam com  vídeos da escola, inclusive uma delas representando um tucano preso a uma gaiola, fizeram ainda com que colunistas dos grandes jornais opinassem sobre o ato censurado  diante  do mico carnavalesco que ficará para a história.

As redes sociais, com certeza, darão o tom das eleições 2018 e, por isso, o maior jornais do país, Folha de São Paulo começa a fugir desse meio, não só temendo a  credibilidade, que já anda tão baixa, como para  evitar que  os fatos manipuladores tenham atravessadores que possam desmentí-los. Não é à toa que a justiça brasileira, o  Congresso Nacional por meio da bancada conservadores querem regras para a chamada “Fake News” (notícias falsas), normas essas que ainda não foram consolidadas em país algum do mundo. Na realidade o que se prevê é que o cidadão conteste uma informação manipulada ou apresente provas incontestes contra  “sebosos políticos” que baterão à sua porta.

Fake News já é a própria história do Brasil.