Ailton Villanova

9 de fevereiro de 2018

O campeão de sinuca

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      O tal de Cordígero Francisco, nascido no bairro portuário do Jaraguá, nunca deixou de ser chato. Chato e boçal. Só ele sabia das coisas. Só ele era o bacana. Quando começava a contar vantagens, era pra matar qualquer um de raiva. As mulheres mais lindas do mundo estavam caídas por ele, alardeava sem o menor acanhamento. Mas, apesar dessa gomeirice toda, jamais alguém o viu com uma namorada. Aos 50 anos, bem pertinho de esticar as canelas continuava só.

       Num fim de tarde, Cordígero entrou no bar do Béo Bicudo, localizado na Ponta da Terra, gritando que nem bezerro desmamado e cuspindo pra todo lado:

       – Eu quero uma garrafa de cachaça! Uma não, duas! Duas garrafas de cachaça, pelo amor de Deus!

       Diante de tanto desespero do cara, Béo Bicudo foi rápido. Colocou sobre o balcão as duas garrafas de aguardente e um copo duplo vazio.

      Cordígero bebeu o primeiro gole, gargarejou e cuspiu. Bebeu outro gole, lavou a boca e cuspiu. Mais um gole e mais outro, até que consumiu o conteúdo das duas garrafas.

       – Mais outra! – determinou.

       Bicudo despachou a terceira, o sujeito tornou a sacolejar a boca e a cuspir toda a cachaça.

       – Traga a quarta!

       Aí, o dono do bar não se conteve:

       – Qual é a sua, meu? Por que é que você está lavando a boca, gargarejando e jogando toda a cachaça fora?

       O boçal explicou:

      – É que eu desafiei um cara para jogar uma partida de sinuca e quando dei uma tacada errada, ele falou que se eu continuasse jogando daquele jeito, eu ia me ferrar. Foi aí que eu fiz a grande besteira da minha vida: respondi pro cara que se eu perdesse a partida eu comeria um prato de merda!

       Cordígero botou na boca mais um gole, cuspiu fora e concluiu:

       – O cara joga pra cacete!

Porre para comemorar

      Biriteiro contumaz, o galego Rodibaldo há muito tempo vinha tentando parar de beber. Sua mulher, dona Cleobalda, por sinal muito religiosa, já havia feito mil promessas pra tudo quanto foi santo. Entre essas, aquela de prometer a São Anacleto que faria sua mãe, dona Estrevaliana (que adorava o genro), caminhar de joelhos um quilômetro, ida e volta, caso ele deixasse de embriagar-se.

      O Rodibaldo era fogo! Só chegava em casa de madrugada, bêbado que nem um gambá. Comia tudo o que havia na geladeira, mijava no tapete e ainda vomitava no sofá.

       Certa noite, chegou ao bar de costume bastante acabrunhado. É que fora assaltado no caminho, quando se dirigia pra lá. Entre lágrimas, pegou um copo vazio e desabafou:

      – No dia em que eu deixar de beber, eu tomo o maior porre!

A solução para o (ex) glorioso

      Agremiação futebolística outrora aguerrida, detentora de grandes e memoráveis títulos, time do coração da esmagadora maioria dos alagoanos, o Centro Sportivo Alagoano (CSA) de tantas tradições, hoje em dia não é nem a sombra do que foi, para desencanto, desgosto e decepção da galera alvi-celeste. Segundo o babalorixá conhecido como Pai Dedé, numa entrevista exclusiva ao radialista Costa Cabral, na Rádio Difusora, o motivo dessa debacle é o seguinte: plantaram uma cabeça de burro preto bem no meio do campo do time. É preciso que o Raniel, diretor de patrimônio azulino, veja isso.

      – Armada do cão, meu nego! – afirmou Pai Dedé, nessa entrevista.

      Costa Cabral, que é azulino doente, apavorou-se:

      – Valei-me meu São Jorge!

      – Tira São Jorge da jogada, que ele é corintiano, menino! – advertiu o macumbeiro.

      – E o que e que a gente faz, meu pai?

      – Só vai dirmanchando tudo pra mode fazê de novo!

      – Radical demais, pai Dedé!

      – Entonce, num me peça solução!

      Rezas, promessas, missas, procissões… Nada do time do CSA melhorar. Os técnicos se sucedem e zero no cociente. No desespero, o torcedor mais fanático do “azulão da lagoa”, meu compadre  Ademir Baratinha, técnico da Difusora e unha e carne com Cabral, resolveu apelar :

      – A solução é Jesus Cristo!

      Cabral não gostou da ideia:

      – Quêisso, Baratinha?! Que blasfêmia é essa? Olha o respeito!

      – Tô falando sério, cara! Pra botar o time do CSA de volta na linha só mesmo apelando para o maior milagreiro de todos os mundos, inclusive do próprio céu, fora Deus, é claro!

       A esta altura da discussão, entra na conversa o ouvinte chamado Rolimânio, através do telefone:

       – Precisa apelar pra Jesus Cristo não, porque que tenho a solução pra esse problema!

       – Nesse caso, apresente-a! – Cabral caprichou na gramática:

       – Bom… primeiro tem que mudar o time todo!

       – Como assim?

       – É só pegar os jogadores e botar pra correr 10 quilômetros por dia.

       – E você acha que isso resolve mesmo?

       – Claro! Correndo 10 quilômetros por dia, com uma semana eles estarão na fronteira do Mato Grosso com o Paraguai!

Com Diego Villanova