Ailton Villanova

1 de Fevereiro de 2018

Pelas barbas do “Cacau”!

Uma das coisas de que mais o Calcíflides Delúrbio – o pularíssimo “Cacau” – se orgulhava, era a espessa barba que enfeitava sua cara. Alinhavada de fios brancos, só um barbeiro era autorizado a tocá-la. Justamente o Cícero “Merdinha”, que também possuía uma pelagem facial quase igual.

A barba do Cacau era cuidada à base de produtos importados e penteada com instrumento especial, adquirido em São Paulo pelo indigitado.  Depois de penteada, escovada e lustrada à base de “permaglifima benzóica”, a sobredita recebia perfume especial, porque não era um monte de pelos qualquer. Era um conjunto de fios capilares tão especial que a mulher do Cacau era caidona por ele. Ela adorava ficar passando os dedos pelas bochechas peludas do marido.

Atleta frustrado de futebol, Cacau  era doido por um bate bola. Torcedor do Centro Sportivo Alagoano, não perdia uma partida do seu time do coração. Pra onde o CSA ia, o Cacau ia atrás, exibindo aquela barba pintosa.

Bela noite de quarta-feira, Cacau o atleta frustrado, saiu com os amigos Galeano, Muraquitan e Escaleno para assistirem, no Trapichão, a um jogo do CSA contra o ASA de Arapiraca, válido pelo campeonato alagoano. O cara estava tão seguro que o seu time venceria o alvi-negro interiorano, que fez uma promessa que jamais deveria ter feito:

– Se o meu glorioso azulão perder pra esse timinho, eu raspo a barba!

Um dos amigos replicou:

– Você endoideceu, Cacau?

– Doido o quê, meu irmão! Tô é lúcido! Meu time vai vencer de 11×0!  – definiu – Até o goleiro vai fazer o dele!

Acontece que nessa quarta-feira nebulosa, o ASA estava com o cão no couro. Deu um baile filho da mãe no CSA e, de quebra, aplicou-lhe uma sonora goleada de 6×0. E a turma acompanhou o perdedor até a barbearia do Ciço Merdinha, onde a sua barba foi raspada sem dó e nem piedade. Cacau ficou com a cara mais lisa do que bunda de santo.

Enquanto os vitoriosos festejavam ruidosamente o feito, Cacau voltava cabisbaixo pra casa, onde só chegou depois de meia-noite, em alta concentração alcoólica.

Cacau tomou um banho demorado, deitou-se na cama ao lado da  mulher e apagou a luz. Madame passou a mão pelo rosto dele e falou assustada:

– O que você ainda está fazendo aqui, Alfredão? Daqui a pouco o Cacau chega e se encontra você aqui, vai dar aquela merda!

 

Muy amigo!

O popular Manderbaldo entrou no Bar do Duda e deu de cara com o amigo Obtúzio Borborema derrubadão, numa mesa de canto. Aí, não se conteve:

– Ei, cara! Quê que hai? Tu ainda tá pensando naquela mulher filha da puta, que fugiu com o seu amigo Laudelino?

Entre lágrimas, o Obtúzio só fez balbuciar:

– Eu não me conformo…

– Como não se conforma, porra?

– É que nunca mais vou arrumar um amigo como o Láu!

 

Ostras complicadas

Segurando a barriga e fazendo tremendas caretas, o popular Bajojo entrou na emergência do Pronto Socorro:

– Cadê o médico? Cadê o médico, meu Deus?!

O esculápio pintou na sua frente:

– Pronto! Eu sou o médico! Qual é o seu problema?

– Estou sentindo dores terríveis, doutor! Acho que foram as ostras que comi…

– Elas estavam frescas? – quis saber o médico.

– Bem… eu não tenho certeza.

– Mas quando abriu as conchas, que cor tinham?

– Ai, doutor, tinha que abrir as conchas?

 

Funeral marítimo

Em seu leito de morte, seu Manuel Prata, um velho português, pedia aos seus três filhos que o sepultassem o mar, conforme se fazia com os velhos marinheiros como ele.

Depois que ele esticou as canelas, os três filhos, muito obedientes, colocaram o corpo num barco e seguiram para o alto-mar. Morreram os três, enquanto tentavam cavar a sepultura.

 

Conselho sacerdotal

Aos 33 anos de idade, o bonconselhense Asdubaldo Soares ainda era donzelo. Mas estava noivo e ia se casar com a igualmente virgem Carolina, linda que nem uma flor. Preocupado com o desempenho nupcial, ele procurou o padre Nildo, que não era fraco no vbarato do aconselhamento matrimonial:

– Padre, eu estou com um problema sério. Eu vou me casar amanhã, conforme o senhor sabe, mas… mas…

– Mas o quê, meu filho?

– … mas não sei como proceder na lua-de-mel, entende? Como é que eu devo fazer na hora… na hora do…

– Aaahh, entendi, meu filho! Bom, faça o seguinte: abra a janela, olhe para o céu e diga: “Mas que céu lindo! As estrelas também são lindas, todas juntas! E que lua majestosa! Essa harmonia celestial é perfeita, meu amor”… e quando sua mulherzinha estiver caidinha, você vai e… zapt! Não tem erro!

– Muito obrigado padre.

Adubaldo casou. À noite, ele abriu a janela do quarto e se deparou com o maior temporal. Imediatamente, pensou: “Porcaria, vou ter que improvisar”. Então, lascou lá:

– Amor, tá chovendo pra cacete! E por falar em cacete… vamos lá! Abra as pernas!

 

 Com Diego Villanova