Ailton Villanova

31 de Janeiro de 2018

Seria mesmo um matuto de sorte?

     O sertanejo José Florêncio vivia se gabando que era um sujeito de muita sorte. Em que pese analfabeto, entendia mais de matemática e aritmética do que certos engenheiros e outros profissionais da área de ciências exatas. Suas contas só somavam. Não dividiam, não multiplicavam e nem subtraíam. Quando o abordavam sobre esse particular, ele se saía com esta:

– A matemática muderna, sigundo os hôme cientista, não tem mais esse negóço de dividí, diminuí e murtipricá. Já caiu da moda fáis tempo!

Zé Florêncio começou a vida profissional com poucas posses, plantando e colhendo hortifrutigranjeiros. Não demorou muito, estava se dando bem na vida. Antes, não tinha nem onde cair morto. De repente, passou a possuir um patrimônio invejável – uma dúzia de fazendas, carrões, caminhões potentíssimos para carregar suas riquezas extraídas da terra, e pelo menos duas mansões. Até uma aeronave o caboco possuía. Além disso, muito dinheiro no banco. Sua fama de milionário extrapolou os limites de Alagoas e foi esbarrar lá pelas bandas da Amazônia, fato que chamou a atenção das autoridades e órgãos do governo federal, incluindo-se aí a PF.

Num dos seus raros dias de descanso, encontrava-se Zé Florêncio espichado numa rede armada no alpendre do seu casarão construído em plena floresta amazônica, quando, de repente, esbarraram no portão três viaturas pretas das quais desembarcaram uns sujeitos igualmente vestidos de preto, com escudo dourado no peito, onde se lia “Polícia Federal”. O que parecia o chefe deles antecipou-se:

– Boa tarde, senhor…! Tudo bem?

E ele:

– Hôme, num tenho do qui me quexá, não! Pra lhe dizê a verdade, o “crima” aqui é bem razuáve, num sabe? Eu tava precisando cortá uma arvezinha, mas veio uma ventania da disgrota e derrubô um montão delas. Inté qui incolomizô um trabalhinho.

– Muito bem. E depois?

– Bom, adispôis, mandei arrumá elas nuns caminhãozinho qui pissuo, e “vendí-las”. Num ía dexá elas abandonadas, purquê seria um disperdiço… Era ô num era?

– Depois desse seu gesto altruístico, o que o senhor está pretendo fazer agora? – ironizou o federal.

– Agora, seu dotô, tô isperando um terremoto desses bem brabo, pra mode tirá as batata, os inhame, as macaxêra, qui ‘tão dibacho da terra! São mais de milhão de hectare, num sabe?

– E os impostos? O senhor não paga impostos pelo uso da terra do governo?

– Qui imposto, moço? E o gunverno carece desse taquinho de terra? Carece não! Já basta os agrado qui eu venho dando todo mêis a um magote de deputado e senadô…

O papo do Zé Florêncio foi dado por encerrado na delegacia da PF, onde ficou preso. Os políticos que dele se aproveitaram se declararam todos inocentes.

 

Bebeu errado

Madame Eutália saiu do banheiro toda cheirosa, depilada, nua zerada e excitada. Entrou no quarto e encontrou o marido Paleólogo nuzão, com a língua de fora, todo roxo, esparramado na cama. Tremia o corpo e parecia estar agonizando. Aí, a mulher, apavorada, começou a balança-lo, tentando reanimá-lo:

– O que está acontecendo com você, amor? Está tendo um infarto? Vou chamar o médico!

E o marido, mal podendo falar:

– Acho que foi aquele litro de vinagre que eu tomei!

– Vinagre???!!!

– Claro. Você não me mandou  tomar vinagre, para a gente transar adoidado, não foi?

– Ô seu burrão, eu lhe mandei tomar Viagra! Vi-a-gra, entendeu?

 

Remédio eficiente

Num dos seus raros dias de folga, o distinto Anilino Camarão resolveu visitar o velho pai, seu Agatenor, de 90 anos, que se achava hospitalizado:

– E aí, pai, como está o senhor?

E o velho Agatenor:

– Eu vou bem, meu filho. Aqui sou bem tratado…

– E a comida?

– Muito boa. – garantiu o velhusco.

– As enfermeiras estão lhe tratando direitinho?

– Não podia ser melhor. Além do jantar, às dez horas me trazem um prato de sopa e um comprimido de viagra. Durmo feito uma pedra!

Preocupado, Anilino foi ver a enfermeira para saber se ouviu bem aquele papo de viagra:

– É verdade que estão dando viagra pro meu pai?

– É sim, senhor. – confirmou a enfermeira – Todas as noites damos pra ele um  prato de sopa e um comprimido de viagra. Funciona muito bem: a sopa o faz dormir e o viagra impede que ele role da cama para o chão.

 

Engano de audição

No quarto dia de lua-de-mel, a noiva Maribalda, 20 aninhos de idade, já não aguentava mais a performance do marido Arnil Versário, de 82 anos. Para dar um tempo, ela aproveitou que o velhusco foi ao banheiro e desceu para o bar do hotel. A garçonete que atendia a casa, ficou assustada com a aparência da moça:

– Puxa! A senhora está com um aspecto horrível! Está bem diferente de quando chegou aqui! Afinal, o que está acontecendo?

– Apenas um mal entendido. Quando o meu marido me disse que há cinquenta anos vinha economizando, eu pensei que ele estava falando de grana!

 

Acordo com ladrão

Derrubada demais e feia pra cacete, a balzaca chamada Artrósia foi abordada na rua por um ladrão desalmado:

– Passe para cá a grana, velhota! Vamos, vamos!

E Artrósia, tremendo dos pés a cabeça:

– Eu não tenho dinheiro não, seu ladrão. Eu juro que não tenho nada!

O bandido não acreditou no papo da balzaca e passou a revistá-la. Ele passou a mão no corpo todo dela, alisando-a para ver se encontrava alguma grana escondida debaixo da roupa. Depois de muito esfregar, inclusive nos seios da mulher, o marginal finalmente concordou:

– É verdade, você não tem dinheiro!

O bandido estava indo embora, quando Artrósia chamou:

– Ei, seu ladrão, espere! Se você fizer outra busca dessa, eu assino um cheque…

 

Com Diego Villanova