Ailton Villanova

27 de Janeiro de 2018

Maridos de bolas frias

Ingênua ao extremo, madame Norma Aflaudízia encontrava-se no salão de cabeleireiros a fim de dar um trato no telhado. Na sua companhia encontravam-se as amigas Episcênia e Percilina, que não paravam de tagarelar.

As mulheres falavam de tudo: das panelas de casa, das aventuras no supermercado e dos malabarismos que têm de fazer para manter em dia as contas de suas respectivas casas. Em dado momento, uma delas passou a falar do marido:

– O meu Ezequias é fogo, na cama! Me deixa louca, sabem? Só tem uma coisa nele que eu não gosto…

– E o que é? – perguntou Episcênia.

– As bolas.

– Que bolas, mulher?

– O saco!

– O que tem as bolas do saco do seu marido?

– São frias!

– Ah, é isso? Mas que coincidência, Percilina! As bolas do meu Danúbio também são frias! Quer dizer, ficaram frias ultimamente. Que terá sido? Será que é por causa da idade?

Nesse momento  Episcênia olhou de lado e encarou a tímida Aflaudízia, que se mantinha calada:

– E teu marido, Flau? Ele também tem as bolas frias?

– Não percebi. Mas vou prestar atenção nesse detalhe.

– Está bem. Amanhã você nos conta.

Dia seguinte, Epscênia e Percilina esperavam por Aflaudízia no cabeleireiro. Ela chegou atrasada e as duas correram ao seu encontro, ansiosas:

– E aí, Flau?

E Aflaudízia com um olho roxo e a cara inchada:

– Estão vendo o que vocês me fizeram?

– Nóóósss?

– Vocês, sim. Por culpa de vocês levei o maior pau do meu marido!

– Como assim?

– Ontem a noite toquei nas bolas do Bartolomeu e ele espantou-se. “O que é isso, mulher?” Então, eu respondi pra ele: “Você também tem as bolas frias…! Iguaizinhas as do Danúbio e do Ezequias!” Além de me bater, ele abandonou a casa!

 

Anciã desmemoriada

A velhusca Claudomira foi ao médico por insistência de familiares. Quando se apresentou ao facultativo já foi apelando:

– O senhor precisa me ajudar doutor Osmário!

– Qual o seu problema, dona Claudomira?

– Estou perdendo a memória. Meu filho me pede uma coisa e com pouco tempo esqueço. Boto a chaleira para passar o café e deixo lá secando; ligo o fogão e deixo aceso o tempo todo. É uma coisa horrível esse meu esquecimento. Por favor, me ajude, doutor…!

– Quando foi que a senhora começou a sentir isso?

– Isso o quê, doutor?

 

Apenas para saber

O sujeito procurou o delegado Valdir Carvalho, em seu gabinete de trabalho, na especializada de Roubos e Furtos:

– Doutor, eu gostaria de falar com o ladrão que roubou a minha casa na noite passada…

E o Valdir:

– De maneira nenhuma! De repente, o senhor pode perder o controle e aí a tragédia está feita. Deixo não!

– Mas eu não pretendo matar o cara, doutor. Eu apenas vou querer saber como foi que ele entrou lá em casa de madrugada e não acordou a minha mulher!

 

A fã do baixinho Luilton

Estava o colega Luílton Roosevelt saindo da emissora onde trabalhava, aqui em Maceió, quando foi abordado por uma gatinha sensacional:

– Você é o Luilton?

E ele, todo saliente:

– Sou, sim. O que deseja minha querida?

– Eu mesmo não desejo nada. Vovó é que é doida por você!

 

O último sorriso

Tomador de todas, o popular Géo Madureira morreu de cirrose. Ao seu velório compareceram os maiores boêmios da cidade, além de parentes e amigos, não especificamente biriteiros, e vizinhos.

Havia algumas horas que o finado se achava de canelas esticadas dentro do esquife lotado de flores, quando finalmente apareceu para “encomendar o corpo”, o padre Agrício, um tanto biritado.

O reverendo, que era amigão do peito (e de copo) do Madureira,  encostou-se no caixão e se preparou para puxar as rezas. Nesse momento, bateu-lhe  uma crise danada de espirro.  No meio desta, sua prótese dentária escapou-lhe da boca e caiu em cima do defunto. Dono de boa presença de espírito, o reverendo  aproveitou a ocasião e discursou, com a boca murcha:

– Amigo Madureira, só lhe direi uma coisa nesta hora de muita tristesa: leve consigo, o meu último sorriso!

 

Com Diego Villanova