Ailton Villanova

19 de Janeiro de 2018

Problema era o médico!

Nascido e criado no Mutange, contemporâneo de Paranhos, Jorginho Siri, Mané Carangueijo (irmão de Mané), Neu, Gernand e outros craques azulinos do passado, o popular Alcidônio não passou do time reserva do CSA. Atuava na posição de zagueiro direito, substituindo o titular da posição, um “caboco” parrudo intitulado Tonhão, que morava no Bom Parto.

Enquanto os atletas acima citados eram glorificados, o Alcidônio cumpria horários no Mercado Público da Levada, na função de auxiliar de escritório, com direito apenas a uma folga quinzenal, porque seu chefe, Antônio Pedrosa, era “caxias” demais, só lhe permitindo duas horas por semana para correr atrás de uma bola, no campo do CSA.

Alcidônio aposentou-se anos mais tarde como apontador, sem direito a adicionais. Com a graninha que economizou, instalou uma banca de verduras no mercado e viveu tranquilo até que começou a sentir umas dores estranhas no estomago e nas costas. Ele fez tudo para não cair nas mãos do médico, mas caiu. O facultativo pediu uns exames em “edição extraordinária” e quando os teve nas mãos, encaminhou o paciente ao hospital com a recomendação de “cirurgia urgente”. Alcidônio ainda passou por uns exames complementares e, no fim destes, olha ele estirado num leito hospitalar!

Alcidônio aguardava a hora de entrar na sala de cirurgia quando sua mulher chegou para lhe dar uma força. Observando que ele estava muito tenso, madame indagou:

– O que está acontecendo com você, meu velho? Está preocupado?

– Demais, minha nega! Demais!

– Tudo vai dar certo. Mas por que tanta preocupação, meu Deus?

– É que o médico que vai me operar e a enfermeira estiveram aqui há pouco. Durante todo o tempo a enfermeira dizia coisas como “Não fique assim”, “O que aconteceu de ruim das outras vezes não vai se repetir hoje”, “Foi o destino que quis assim”, “Essa cirurgia vai ser diferente”, “Dessa vez tudo vai dar certo”, “Pensamento positivo’, etc, etc…

E a mulher:

– Ora meu velho, você devia agradecer à enfermeira por ter lhe dado tanto incentivo!

– É, mas ela estava falando essas coisas era para o médico, não pra mim!

 

Nova opção  

Naquele dia 12 de setembro, Vildomar e Astralina estavam completando 15 anos de casados. Acabaram de deitar e ela, toda esperançosa, segurava o sono, aguardando alguma iniciativa do marido. Ele, indiferente, lia um livro.

De repente, a mão do Vildomar – a que estava livre, naturalmente –, começou a deslizar pelo corpo da esposa até chegar a sua parte íntima, quer dizer, a genitália dela. O marido acariciou a região por alguns segundos e finalmente parou.

Astralina se virou para o Vildonar e perguntou:

– Só isso, amor?!

– “Só isso” o quê?

E ela:

– Você me acaricia por 5 segundos e depois para! Não acha isso muito pouco?

O cara se justificou:

– Não acho. Eu só queria molhar a ponta do dedo para virar a página do livro.

 

Carreteiro, nunca!

Para motoristas de carretas, caminhões e afins, que cruzam este Brasilzão de Norte a Sul e de Leste a Oeste, transportando o progresso, não tem prato melhor, além de prático, que o “carreteiro”, mistura de arroz temperado, com linguiça picada, tomate, coentro, farofa, ovo cozido… e algo mais a gosto do freguês. É uma delícia! O cara come até cair deitado!

Caminhoneiro que se preza nunca deixa de ter na sua bagagem ingredientes para um bom “arroz carreteiro”. Pois um dia, o profissional do volante Aristarco Olintho, motorista de carreta e exímio preparador da sobredita iguaria, viajava de volta a Maceió ao volante do seu possante Mercedes-Benz quando no meio do caminho, ali pelas imediações de Propriá, bateu-lhe uma fome danada. O que fez, então? Ao invés de procurar uma churrascaria, ele encostou o autocarga na sombra de uma árvore frondosa a beira da rodovia, desceu do sobredito e preparou um “carreteiro” no capricho. Comeu demais e ainda sobrou um bocadão. “Mas jogar esse resto de comida fora, não está direito!” – pensou Aristarco com seus botões. Então, decidiu que ofereceria a gostosura ao primeiro necessitado que encontrasse na estrada. E mandou o pé no acelerador.

Em território alagoano, já próximo de São Miguel dos Campos, Aristarco avistou à beira da estrada um matuto com cara de faminto, encostado numa porteira. Parou a carreta, pegou a panela com a comida, desceu da boléia e falou para o pobre coitado:

– Boa tarde, amigo…

– Bá tarde, sinhô…

– Tudo bom com o senhor?

– Tudo bom, grazadeus!

Aí, o caminhoneiro exibiu a panela com o arroz e perguntou:

– O amigo tá a fim de comer um “carreteiro”?

O matuto olhou para o caminhoneiro com desdém e respondeu:

– Quero não. Brigadinho. Cu de carretêro num tá cum nada. Só tem morróida!

 

Com Diego Villanova