Ailton Villanova

5 de Janeiro de 2018

O bom ladrão

     Gente boa, o apresentador e repórter de rádio, além de músico, Odivar Santos (Didi para os amigos) um dia botou na cachola a ideia de ser candidato a vereador. Infelizmente não logrou êxito nessa empreitada, mas conseguiu somar quantos são os seus verdadeiros amigos e admiradores. Fraco de grana, esse ilustre colega concebera uma boa estratégia, segundo admitiu, para amealhar aqueles simpáticos votinhos que lhe consagraram como suplente, não importando a classificação. Importante é que Didi foi suplente de vereador da Capital das Alagoas e fim de papo!

      Bom, a estratégia que ele bolou foi a seguinte: todas as noites (e dias também) ele visitava uma comunidade, reunia um considerável número de pessoas e deitava falação. Sua fama de comunicador de rádio ajudou bastante. A velha e maltratada Kombi de que se valeu para fazer a sua propaganda motorizada, mandava para os ares, através de um par de alto-falantes, o som de sua voz.

       Numa de suas andanças noturnas à cata de votos na periferia, Didi discursava no Alto do Céu (distrito do Pinheiro) para uma plateia muito atenta de eleitores e curiosos, quando do meio do povo surgiu uma mulher desesperada, que gritava:

        – Socorro! Socorro, seu Odivar!

        Didi parou o discurso e dirigiu-se unicamente àquela senhora aflita:

        – O que houve minha amiga?

        – Acabei de ser assaltada! – ela respondeu em prantos.

        – Onde?

        – Aqui, no meio da multidão! Um cara chegou perto de mim, me espetou um revólver nas costelas e disse: “Passe a bolsa. O dinheiro ou a vida”… Aí, eu passei a bolsa! Snif… buááá…

       – Fique fria, minha querida! – tranquilizou Odivar – Se esse ladrão tiver      um pouco de consideração à minha pessoa, ele vai lhe devolver a bolsa.

       A assaltada enxugou as lágrimas e completou:

       – Olha, seu Odivar, se ele me devolver as chaves da minha casa e do carro, que eu ainda estou pagando, eu já me dou por satisfeita.

       – Deixe comigo!

       Dito isto, Odivar Santos retomou microfone e apelou:

       – Meu caro ladrão, por favor, devolva as chaves do carro e da casa desta amiga eleitora. Se você fizer isso lhe serei muito grato e dispenso     até o seu voto!

       Mal Odivar acabou de fazer o apelo, escutou um “psiu” ao lado. Olhou e viu um caboco baixinho exibindo um molho de chaves. Eram as chaves daquela senhora. Odivar vibrou! Emocionado, deu sequência à sua falação:

        – Gente! O amigo ladrão devolver as chaves da moça! Graande ladrão! Ele atendeu ao meu pedido! Uma salva de palmas pra ele!

        A plateia prorrompeu em aplausos.

        – Viva o ladrão ! – insistiu Odivar.

        – Vivaaa! – respondeu a galera.

        Aí, aconteceu o que ninguém jamais ousou prever. Mais emocionado do que todos os presentes, o ladrão completou o “ato de bondade”: devolveu a bolsa da vítima e ainda fez um discurso em favor do candidato, em meio a estrepitosos aplausos.

      Ao final, candidato, vítima e ladrão desfilaram pelas redondezas nos braços do povo.

Medrosa demais!

     Jornalista competente, produtora de rádio e assessora de comunicação da SEDS, Mônica Cavalcante entendeu de comprar um carro zero, mesmo sem saber dirigir. Pegou o veículo, que é um KA, e guardou na garagem de casa durante oito meses, tempo que gastou aprendendo a pilotá-lo.

      No dia em que ela compareceu ao Detran para submeter-se ao exame de motorista, chegou lá de nariz empinado:

      – Cadê o examinador? Por favor, gente, me digam onde posso encontra-lo, porque tenho compromissos importantes daqui a pouco!

      Introduziram Moniquinha na sala de exames e um gordinho simpático arguiu:

      – O que a senhora faz num cruzamento, quando está ao volante…?

      Aí, a jornalista baixou a bola:

      – Ah, moço! Eu morro de medo de passar num cruzamento. Eu chego a fechar os olhos e acelero para passar bem depressa!

O novo olhar do Luilton

      Submetido pela segunda vez a uma cirurgia nos olhos, minha visão melhorou 200%. Pelo mesmo processo passou o radialista Luilton Roosevelt, antigo noticiarista da Rádio Gazeta, hoje gozando de merecida aposentadoria do rádio. Diz ele que depois da operação nos olhos está enxergando até o cavalo de São Jorge, comendo grama nas alturas da Lua.

       Em razão do conserto nas suas vistas, o colega ganhou um emprego em determinado observatório espacial. Luilton teve uma melhora de 1.000% na visão, fato inédito registrado pela literatura mundial respectiva.

      Mas que tipo de trabalho o baixinho Luilton Roosevelt estaria prestando aos Estados Unidos. Segundo o colega Gilvan Nunes, ele pega uma cadeira de balanço, coloca na varanda de casa, senta nela e fica observando a evolução dos planetas do sistema solar e a movimentação dos satélites mandados para os ares pelo governo estadunidense. Esse planeta Jacto, cuja descoberta recente foi anunciada com tanta pompa em Cape Kennedy, é resultado das observações do amigo Luilton.

        Mas como foi que o Roosevelt foi descoberto pelos EUA? Explica ainda o Gilvan Nunes, que um casal de cientistas da Nasa, em Passadena (Califórnia) que passava as férias de verão em Maceió, na maior moita, observou o Luilton Roosevelt discutindo com um vendedor de pitombas na praia de Ponta Verde.

        – Isto não é um cacho de cocos, meu amigo. É um um cacho de pitombas! – dizia o vendedor ao Luilton.

       – São cocos! – insistiu o baixinho.

       – O senhor está enxergando demais!

       – É que eu acabo de operar os olhos! – desculpou-se o radialista.

       Foi nesse ponto da discussão que o cientista americano aproximou-se do Luilton e perguntou:

       – Quer trabalhar para o governo dos Estados Unidos?

       O baixinho topou na hora.

 

Com Diego Villanova