Ailton Villanova

30 de dezembro de 2017

O problema era o marido!

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Aquele que viveu no Bom Parto dos ainda tempos áureos, entre os anos 50 e 60, principalmente os mais jovens, se lembra muito bem da singular figura do “Lindo”, cujo nome de batismo e nos assentamentos do Registro Civil é Linduarte Alcides Sobrinho.

Lindo era operário da Fábrica Alexandria. Gomeirão, sorriso largo, apesar da ausência de um dos dentes frontais (isso pra ele era bronca safada), possuía uma cabeleira tipo Elvis Presley e o único barbeiro que ele permitia tocá-la era seu Manuel Pereira, o saudoso Seu Manu. Lindo apreciava andar elegante. Suas roupas de passeio, sempre de linho, eram confeccionadas pelo mestre Olivério Villanova. Bom dançante, esse mancebo costumava exibir-se nos bailes promovidos pelo sindicado dos trabalhadores da Alexandria e quando cismava de traçar um bolero do Bienvenido Granda ou da Núbia Laffayete com sua parceira preferida, Maria Cícera, filha do marceneiro Anísio Gaguinho, era bastante aplaudido, principalmente pelo garoto Milton, filho de seu Manu.

Apenas dois dançarinos o superavam nos bailes do sindicato: o Dérlis Correia e o Benedito Vieira, o Caçota. Essa dupla era insuperável, e para eles o nosso “galã” tirava o chapéu.

Nos dias de baile, que eram sempre os sábados, os habituês costumavam frequentar o bar administrado por seu Jason Ferreira e que funcionava na parte de trás da sede do sindicato. Num desses sábados, depois de ter gasto um bocado do solado dos sapatos, Lindo correu até o bar para tomar um refrigerante e lá se deparou com uma morena muito bonita, com a qual entrosou um papo. No meio da conversa, ele deixou explícita a sua má intenção:

– Com esse barulho de música nos nossos ouvidos, a gente não ouve nada do que falamos, não é mesmo? Quem tal a gente dar uma esticadinha até um lugarzinho mais discreto?

– Por exemplo? – indagou ela.

– O escurinho do sapotizeiro que fica em frente à casa do seu Natalício dentista, pai do Zé Roberto…

A moça descartou a ideia:

– Olha, posso lhe parecer um pouco antiquada, mas não sou mulher de andar pelos lugares escuros.

– Mas no escuro a gente fica bem à vontade!

– Pra mim, não dá e não insista! Meu marido, que e reformado da Polícia Militar é meio louco e muito ciumento. Ele pode ficar mais louco ainda e pretender matar você. Não olhe, mas ele vem vindo aí!

Depois desse susto Lindo nunca mais foi visto no Bom Parto. Dizem que ele se mudou, às pressas, para São Paulo e ainda hoje permanece por lá.

 

Desvairada sexual??? Essa não!

Estudioso do comportamento humano, doutor Lunário Mastrúcio não tinha motivos para reclamar da vida até que resolveu se pós-graduar, nos Estados Unidos, em Psicoparasimpatologia Ampliada das Variações Humanas. Seu consultório, então, transformou-se num verdadeiro manicômio.

Bem que o doutor Lunário tentou mudar de especialidade, mas estava deveras comprometido com a clientela e tão maluco quanto a própria.

O caro leitor sabe muito bem que o comportamento humano é um bocado complexo. Se o cara é doido, não admite que o tratem como tal e, quando é bom do juízo, acha que o consideram pirado. Destrinchar o juízo de um psicopata era tudo que Sintonildo queria. Quando, enfim, descobriu que esse tipo de indivíduo vive no limite porque precisa de excitação, era tarde demais: estava envolvido com uma doida que adorava levar porrada no pau da venta e, como consequência disso, as economias da infeliz eram consumidas em sucessivas cirurgias reparadoras. Mas a venta continuou torta. O leitor já viu história mais sem pé e nem cabeça? Pois é, história de psicopata é assim, complicada.

Bela tarde, Sintonildo acordou de uma soneca com a massa cinzenta emborcada, para atender a um telefonema:

– Alôôô? Quem porra está querendo falar comigo?

Uma voz feminina respondeu do outro lado da linha:

– Sou eu, doutor… a Creolínea. Olha, estou telefonando para lhe dizer que estou apaixonadérrima pelo meu cachorro!

E ele, fazendo a maior força para manter-se calmo:

– Ora, minha querida, isso não constitui problema nenhum. É muito comum as pessoas se afeiçoarem a animais, principalmente cachorros. Eu e minha mãe, por exemplo, adoramos nossa cadelinha poodle…

– O senhor não entendeu, doutor. Eu me sinto atraída fisicamente por ele!

– Hmmmm, vejamos… – refletiu o doutor – E se você o trocasse por uma cadela?

– O quêêê? Tá pensando que sou sapatão ou uma dessas desvairadas sexuais? Me respeite!

 

Com Diego Villanova