Ailton Villanova

29 de dezembro de 2017

– Mai uquié pinião, moço?

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      Fora a esculhambação generalizada de tudo quanto é comunidade se achar no direito de fechar ruas, tocar fogo em pneus nessas vias públicas para impedir o direito de ir e vir das pessoas, de uns tempos para cá as passeatas e concentrações dos grupos dos chamados “sem terra” cresceram assustadoramente. Isso, na maior impunidade. O poder público acovardou-se diante desses absurdos.

       Volta e meia tem um monte de sem-terra acampando nas praças públicas ou invadindo repartições do governo, para fazer valer as suas vontades, que nem sempre são legítimas. Aliás, invasões jamais foram práticas legítimas. São práticas criminosas, todo mundo sabe disso e muito mais o governo e a própria justiça.

        Bom, discurso fica para outra ocasião. Vamos ao que interessa.

        Dezenas de miseráveis sem-terra encontravam-se acampadas na Praça do Centenário, no Farol, quando baixou no pedaço o saudoso repórter Álvaro Tojal, gravador em punho, pretendendo fazer uma entrevista com um dos chefes do movimento. Aproximou-se daquele que lhe pareceu ser o líder deles, identificou-se e disse:

        – Amigo, sabemos que, além do problema da falta de terra para vocês trabalharem, existe outro ainda mais sério e grave: a escassez de alimentos. O que me diz acerca do fato?

        O indagado respondeu:

        – Num seio uqui qué dizê “iscassêis”, meu sinhô!

        Álvaro Tojal apontou o gravador para outro sem-terra:

        – E o senhor, o que tem a falar sobre os alimentos?

        – Uquié “alimentos”, hôme?

        Alvinho não se deu por vencido e partiu para o terceiro:

        – Qual a sua opinião a respeito…

         Ele nem terminou de formular a pergunta. O sem-terra cortou o barato:

          – Sei não uquié “pinião”, moço!

Mas que curiosidade!

      O apresentador de programas de rádio e TV, Emanuel Pedrosa, o indefectível Canetinha e sua caríssima consorte professora Geny, dupla incrível, não paravam de falar em plena sessão do cinema – tererê, tererê…

      Sentada a frente deles e se sentido incomodada, uma madame não se conteve. Virou-se para os dois e deu a bronca:

       – Por favor, gente! Não estou conseguindo escutar uma só palavra…

       Professora Geny, que é muito malcriada, não deixou a mulher terminar de falar:

       – E eu posso saber por que a senhora quer escutar o que eu e o meu marido estamos discutindo?

Testemunha, nem ver!

      Praça Deodoro, domingo de tarde.

      Um sujeito trepado num dos bancos do logradouro discursava, esgoelando-se todo. Em redor dele, uns quatro gatos pingados, escutavam o que ele dizia. Aí, vai passando o pinguço conhecido por Mortadela, pra lá de biritado que, ao ver aquela reunião, parou para ver do que se tratava.

       Mal se encostou num poste, Mortadela sentiu que alguém lhe cutucava. Virou-se e viu um sujeito engravatado, com uma bíblia debaixo do braço, que perguntou todo cerimonioso:

        – O irmão pretende ser Testemunha de Jeová?

        E o Mortadela, algo espantado:

        – Quero nada! Eu nem vi a briga!

O “petardo” mortal do Gonça

      Tremendo mala sem alça, Benedito Manuel Gonçalves, o proverbial Gonça Gonçalves, dublê de policial e radialista, era, além de destemido na primeira função, um gozador ao extremo, na segunda.

       Mas o Gonça tinha um negócio com ele que era verdadeira “arma mortal”. Era o persistente acúmulo de gases no tubo digestivo. Essa sua flatulosidade quando emitida depois de um rango gorduroso, ou quando o próprio Gonça desejava, era terrível. Além fedorenta por demais era escandalosamente estrondosa.

        Um “pum” do Gonça era um desmantelo!

        No exercício da função policial, o saudoso companheiro costumava arrancar confissões de bandidos, simplesmente acionando esse terrível e devastador recurso, bastando para isso relaxar o tubo anal, numa sala fechada, onde só ele e o bandido estivessem.

         Certa vez, ele acabou com o expediente em determinada agência bancária, na Rua do Sol, apenas com um leve “punzinho”. É que ele estava com uma pressa danada para fazer um depósito e havia um monte de gente nas filas, impossibilitando sua aproximação do caixa.

          Pouco antes de morrer, Gonça Gonçalves procurou o seu médico, se queixando de dores abdominais e com o ânus descontrolado. O doutor o examinou e concluiu liminarmente que o seu problema era vesículite.

           – Se o espírito não me engana, vou ter que operá-lo! – disse o esculápio.

           Resistência à parte, Gonça convenceu o facultativo a apenas lhe receitar “uns remédios” para impedir suas então incontroláveis descargas anais e, em seguida, foi à emissora onde trabalhava para pedir uma ‘licença para tratamento de saúde”. Chegou lá procurou o diretor da rádio, conhecido apresentador de programas, e o encontrou no estúdio, todo animado, falando para os ouvintes. Ao entrar no estúdio, não conseguiu se segurar e…

           “… Prorrrroooot… Cabruuummm…”

           O diretor saiu do estúdio às carreiras, prometendo aos seus ouvintes que voltaria ao ar, dali a instantes, depois dos comerciais. Não voltou mais.

           E o Gonça, com a cara mais inocente do mundo, indagando aos seus botões:

           – O que foi que houve com esse cara, meu Deus? Será que ele enlouqueceu?

Com Diego Villanova