Ailton Villanova

19 de dezembro de 2017

Limonada na genitália?! Que onda é essa?!

Quando veio estudar em Maceió, na década de 50, o Abelardo Aquino era um garoto de 15 anos. Palmeirense da melhor cepa, hospedou-se na residência de uma tia, dona Geni, que ficava no bairro do Prado, e habilitou-se ao primeiro ano ginasial num dos melhores colégios da capital, o Lyceu. Foi então que nele despertou a curiosidade pelo sexo. Ele era um donzelão.

Nas rodinhas que se formavam nos intervalos das aulas, no pátio do colégio, o papo da turma invariavelmente versava sobre dois temas: futebol e sexo. Certa feita – Abelardo se lembra muito bem –, um colega de nome Ary lhe propôs:

– Vamos pegar mulher na zona?

Abelardo se atrapalhou todo. Como dizer ao colega que nunca tinha estado com uma fêmea? Tentou sair de fininho, mas o Ary, escoladíssimo no barato mulherífico, apesar de muito jovem, insistiu:

– Qual é o problema, rapaz? A gente chega lá, pega uma quenga, tira um ‘piço’ com ela e pronto!

Nesse ponto, o mancebo confessou, cheio de acanhamento:

– Eu nunca peguei mulher!

O colega foi compreensivo:

– Tudo tem que ter a primeira vez, não é? Eu lhe oriento como é que se faz.

Em assim sendo o palmeirense se animou todo. Então, Ary lhe ensinou como era o riscado:

– Olha, primeiro você tem que escolher bem a dona. Puxa conversa com ela, faz uma verdadeira entrevista e a leva pro quarto, compreendeu?

– Compreendi.

– Agora, vem a parte mais importante: todo cuidado é pouco pra não pegar doença venérea. Puta de zona é danada pra botar esse tipo de doença na gente!

– E é?

– Ora se é. Então, pra saber se a mulher está com alguma dessa moléstia, você tem que pingar na xoxota dela umas gotinhas de limão. Esse limão você leva bem escondidinho. Na hora, você tira do bolso e pinga lá dentro. Se ela tiver infecção, certamente vai chiar. Aí, já sabe, tá, no mínimo, com gonorreia…

E eis que chegou o grande momento para o neófito Abelardo. Ele, Ary e outros colegas baixaram na zona do meretrício do Jaraguá, todos muito ansiosos. O mais sôfrego de todos era, justo, o Abelardo, que agiu na conformidade das recomendações do Ary.

Depois de observar atentamente as mulheres, ele se engraçou de uma gordinha, porque esta lhe pareceu a mais saudável de todas as outras quengas.

De posse dela, Abelardo levou-a pra cama e, sem cerimônia alguma, espremeu o limão na sua genitália.

A gordinha pulou da cama, caiu no meio do quarto e deu a bronca:

– Êpa! O que é isso, macho filha da puta? Você veio aqui pra foder ou pra fazer limonada?

 

Virou antropófaga! 

      Tem ocasiões que o Agazinho está impossível. Terça-feira passada, por exemplo.

Todo rebolativo ele entrou numa lanchonete do centro da cidade e solicitou ao balconista em alto e bom tom:

– Meu lindo, um bife com fritas, por f-favorrr! Caprichado, hein?

Muito espirituoso, o rapaz do balcão foi até a cozinha, demorou um  pouco e, em seguida, levou, ele mesmo, o prato pedido pela bicha:

– Olhaí, pô! No capricho!

Agazinho pegou o garfo e a faca, cortou o bife, provou e…

– Afi! Que delícia! É carne de quê, hein, meu lindo?

E o atendente, só para tirar uma onda com a boneca:

– É carne de veado!

Agazinho botou a mão na boca e retrucou, batendo as pestanas:

– Cruzes!!! Virei antropófaga!

 

O termômetro foi fundo!

Torcedor “doente” do CSA, Josecler Custódio, antigo operário da finada fábrica de tecidos Alexandria (que ficava no bairro Bom Parto), nunca foi português, conforme apregoavam as línguas de trapo do pedaço. Ele era alagoano de Maceió, nascido e criado no distrito do Mutange. Seu único defeito, era, justo, a pouca inteligência que possuía.

Rapagão, ainda, casou-se com a jovem também mutangense Maria da Conceição. Um dia, muitos anos depois do casório, madame começou a sofrer de uns incômodos invocados que a levaram ao leito. Custódio apavorou-se e, com a devida urgência, procurou o posto médico mantido pelo então vereador Cleto Marques Luz, de saudosa memória. Chegando lá, foi recepcionado pelo administrador José Lima:

      – Seu Lima, preciso falar com o médico…

– Tá doente Josecler? – preocupou-se o administrador.

– Tô não, seu Lima. Quem tá doente é a Ceição. Cadê o médico?

Levado à presença do doutor João Vasconcellos, clínico do posto, Josecler explicou que a sua digna consorte encontrava-se tão doente que nem podia se deslocar até o posto. Compreensivo, o facultativo o orientou:

– Escute, rapaz, como não estou podendo sair daqui agora, você vai me fazer o seguinte… Volte pra casa e tire a temperatura anal dela. Feito isto, me telefone imediatamente, entendeu?

Josecler ficou vacilante. O médico achou que ele não havia compreendido a orientação:

– Você sabe tirar temperatura anal?

– Bem, doutor…

– É melhor eu explicar. É só você pegar o termômetro, introduzi-lo no ânus de dona Conceição e aguardar um pouco. Entendeu agora?

– Ah, agora, sim!

Josecler girou nos calcanhares e se mandou pra casa. Cerca de duas horas depois, o telefone tocou no posto médico.

– Alô, é o doutor Vasconcellos? – indagou uma voz masculina ansiosa.

– Sim, é o próprio. – confirmou o esculápio.

– Doutor, aqui é o Jôse… o Josecler, tá lembrado? Olhe, eu enfiei o termômetro no fiofó da patroa e agora gostaria que o senhor me ensinasse como é que eu faço para tirá-lo de dentro…!

– Ora, Josecler, é só puxá-lo.

– O problema, doutor, é que eu não tenho pinça comprida. Será que arame serve?

 

Com Diego Villanova