Ailton Villanova

13 de dezembro de 2017

Errou por pouco no cálculo!

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Vaidoso ao extremo, o tal de Apolinésio dos Passos inventou de fazer um regime radical. Eliminou da alimentação um monte de comidas consideradas gordurosas e foi mais além na sua loucura regimentalística: cortou até a água. Como consequência disso, arrumou uma prisão de ventre de lascar, além de uma desidratação filha da mãe. Seu ânus fechou de tal maneira que ele teve de recorrer ao farmacêutico Paulo Nascimento, na Jangadeiros Alagoanos, bairro da Pajuçara. Isso, em pleno carnaval.

– Paulão, me arrume aí um remédio que seja tiro e queda pra desanuviar o meu furico. Faz um tempão que não cago!

E Paulo Nascimento, já com a solução na ponta da língua:

– Tenho um remédio aqui que é tiro e queda! Posso preparar uma dose pra você, mas vou logo avisando: ele é eficaz pra mais da conta!
– Pois é esse mesmo que eu quero!
– Qual a distância daqui até sua casa? – quis saber o farmacêutico.
– Eu moro aqui bem pertinho… na rua Quintino Bocaiúva.
– Dá quantos metros até lá?
– Acho que uns 200 metros, mais ou menos…
– “Mais ou menos” não é base de cálculo. Eu tenho que saber a distância exata, porque se a dosagem for maior que o necessário, já sabe o que acontece, né?
– Bom… daqui até a calçada são 10 metros, a rua tem 15 de largura certo? Somando, 22 metros. Mais…

Apolinésio fez as contas e finalizou:

– São 250 metros até o banheiro da minha casa!

E Paulão, com ar professoral:

– Muito bem, são 55 gotas!

Dito isto, preparou a dose, Apolinésio bebeu ali mesmo e se mandou pra casa no maior pique. Dois dias depois, ele voltou à farmácia.

– E aí, como é que foi…? – perguntou o farmacêutico.

– Errei por 42 metros e meio! – respondeu o freguês.

Pô! E eram as amígdalas?!
De vez em quando o doutor Douglas Matoso se esquece das coisas e, aí, complica um bocado.

Outro dia, no plantão do hospital-geral, ele foi procurado por um tal Juribaldo Carneiro:

– Bom dia, doutor… Como foi a cirurgia de amígdalas da minha sogra?

– Amígdalas?! Não era uma autópsia?

Riso contido na marra
Asdrúbal Pinto voltou ao trabalho na segunda-feira de manhã com um lenço amarrado no rosto, passando por baixo do queixo. Ao entrar na repartição, esbarrou no chefe, que perguntou espantado:

– O que foi isso, rapaz?! Dor de dente?
– Não, doutor Perácio. É que estou de luto por minha sogra desde o último sábado. Só que, de vez em quando, não sei por quê, me dá uma vontade incontrolável de rir!

Sogra dividida
Ao receber a notícia que sua sogra havia sido atropelada por um trem, dona Lindolfa se mandou pro Hospital de Pronto Socorro. Entrou lá aos berros:

– Minha sogra! Minha sogra! Cadê a minha sogrinha?!

Logo, o médico de plantão se aproximou dela:
– Não se preocupe, madame. Da cintura para baixo sua sogra não sofreu nenhum arranhão.

– Que ótimo, doutor! E da cintura pra cima?
– Bom, madame, essa parte ainda não chegou!

Era apenas o marceneiro
Indivíduo exigente e chato pra cacete, o empresário Manuel Creonte Paulino tinha um negócio bom com ele: gostava de ver tudo arrumadinho, nos seus devidos lugares. Morreu não faz muito tempo e todos os seus funcionários respiraram aliviados. Não comemoraram porque era dar bandeira demais.
Mas que ficaram felizes, ah, isso ficaram.
Pouco antes de esticar as canelas, ele convocou todos os seus colaboradores mais próximos para saber das últimas novidades na firma, e ditar novas ordens. Suas reuniões sempre começavam com cobranças de providências que frequentemente determinava.
Encontravam-se todos na expectativa de mais uma reunião, quando entre na sala o doutor Creonte Paulino. Mal cumprimentou as pessoas, que permaneceram todas caladas, em profundo silêncio, e só um camarada não parava de mexer na janela.
– Ô meu filho… – chamou o chefão – quando é que você vai parar de bulir nessa janela? Não está me vendo aqui, não?
– Tá falando comigo?
– Sim, é com você mesmo, seu idiota! E vou começar por sua pessoa, que demonstra ser folgada demais. Quero a prestação de contas do que você tem feito. Diga-me, entrou em contato com os fornecedores?
– Que fornecedores, meu?
– Não se faça de engraçado, rapaz! Como é, fez ou não fez contato com eles?
– Não fiz contato com fornecedor nenhum!
– Não? Por acaso você esteve no almoxarifado?
– Não senhor. Acabei de chegar agora e…
– E as planilhas? Não me diga que não preparou as planilhas de gastos da empresa.
– Não senhor.
– E que diabos você andou fazendo que não preparou a porra da planilha?
– Ah, eu andava por aí. Joguei uma pelada na praia com a galera e tomei umas cervejas geladinhas… Por quê?
– Você não quer ser promovido, rapaz?
– Eeeu? Promovido a quê?
– Ora, você não quer subir de cargo?
– Que cargo é esse, coroa?
Nesse ponto Creonte Paulino explodiu:
– Então, seu malandro, o que foi que você veio fazer aqui?
– Vim consertar essa janela. Sou o marceneiro que o gerente contratou!

Com Diego Villanova