Ailton Villanova

12 de dezembro de 2017

REMÉDIO MILAGROSO “POR DEMAIS”!

      Nos tempos de moço, lá pelas bandas de Águas Belas, estado de Pernambuco, seu Raimundo Tenório era um touro. Traçava, num boa, tudo quanto era mulher disponível que pintasse no seu pedaço. Fortão, bonitão, Raimundo estraçalhou corações femininos aos montes, conforme costuma lembrar.

       Hoje com 97 anos de idade, seu Raimundo reside em Maceió com sua dileta esposa Secundina, a única mulher que conseguiu amolecer o seu coração. Diz ele que na época em que furdunçava no interior pernambucano, fez mais de trinta filhos com mulheres diferentes. Com dona Secundina só teve mesmo o Acebílio, que hoje é médico em Brasília.

       Quando perguntam a seu Raimundo quantos netos coleciona, ele responde com uma ponta de orgulho:

      – Homem, eu tenho pra mais de duzentos netos e uma base de cento e  vinte bisnetos. Dizem que tataranetos eu tenho quarenta. Desses, eu só conheci dezesseis.

      Bom, com 97 anos na corcunda, como se diz na gíria, seu Raimundo ainda insiste em fornicar. Dona Secundina, 89 primaveras, também não está de todo aposentada, garante o marido. Dia desses, ele recebeu dos Correios um pacote despachado de Brasília. O remetente era o filho Acebílio, aquele que é doutor.

       Seu Raimundo abriu a caixa e deparou-se com uns comprimidos rosa. Junto, um bilhete do filho:

       “Pai, esse é um medicamento revolucionário. Dedica-se à disfunção erétil, ou melhor à impotência sexual. É tiro e queda, meu velho! Esse levanta até pau de múmia. Experimente, mas com bastante cautela. A mãe é quem vai adorar. Beijos, seu filho Cecé”.

      O velho não esperou para mais tarde. Tomou ali mesmo um comprimido. Menos de meia hora depois, olhe ele animadão!

      Seu Raimundo chegou para a mulher e contou a novidade, inclusive lhe mostrando o resultado:

      – Espia só p’ra isso, minha velha! Olha como ela tá durinha!

      – Mas o que é isso, meu velho?! Por que você está de bilunga dura, desse jeito? Ah, meu Pai, o que foi que aconteceu? – indagou a mulher, espantada.

      – Acabei de tomar um remédio que o nosso filho mandou de Brasília. Tá vendo só?

      – Se tô? Vamos logo aproveitar!

      – Peraí, minha velha. Tenha paciência! Primeiro, vou mostrar pros meus amigos.

Nunca perdeu!

      Antigamente, o único jeito de atravessar Alagoas à Sergipe, pelo Penedo, era através de balsa, singrando o rio São Francisco. Precisando estar em Propriá com certa urgência, o vendedor de livros Equitibaldo Agrião teve que se utilizar de um barquinho derrubadinho, cheio de remendos, capitaneado pelo velho Tibúrcio Teixeira, que era meio cego e meio aleijado. O barquinho balançava pra lá e pra cá, deixando Equitibaldo morrendo de medo.

      No meio do rio, o viajante não se segurou e perguntou ao velho:

      – Escute, o senhor nunca perdeu um passageiro?

      – Inté agora  não, seu moço! Sempre acabo achando os côipo inroscado lá im baixo, bem adonde o rio fáis a cúiva!

Corno gêmeo

      O Procópio Ventura tinha um irmão gêmeo idêntico. Certo dia, ao voltar da roça flagrou a mulher na cama com o Juvenal, seu irmão gêmeo. Aí, virou fera:

      – Como é?! Mulher safada, sem-vergonha! Me chifrando com o meu próprio irmão! Você estava tão distraída que nem se lembrou da hora que eu ia voltar!

      E a mulher:

      – Esqueci não, Procópio. Mas vocês dois são tão iguais, que achei que você não ia perceber!

Ligeirinha  

        A velhinha pro velhinho:

       – Vamos dar uma, Ataulpho?

       E o ancião:

       – Só se for uma mijada!

Chegou atrasado!

      Com o juízo cheio de vapor de álcool, o indivíduo foi alcançado por um carro ao tentar atravessar uma rua. Da porrada que levou, foi cair a quatro metros de distância, bem nos pés de um transeunte, que assustou-se:

      – Epa! O que aconteceu, meu amigo?!

      E o bêbado:

      – Sei não, meu chapa. Tô chegando aqui agora!

Grande mestre

      Garoto esperto, Guguinha, filho amado do galego Dionásio Carmoso chegou da escola, atirou a bolsa no sofá e partiu firme pro paizão:

      – Pai, o que é eletricidade?

      E o Dionásio, cheio de pernas:

      – Bem… Hmmm… Eerr… Eletricidade? Eletricidade é um negócio que dá cada choque…!

      – Legal, pai! E como é que a gasolina faz para os motores dos carros funcionarem?

      Dionásio atrapalhou-se todo:

      – Sei não, filho. Eu não entendo der motores.

      O garotinho baixou a cabeça, pensou um pouco e não se deu por vencido:

       – Ô painho, por que o asfalto brilha como se estivesse molhado, nos dias de calor?

        – Sei lá! Também não entendo de pavimentação.

        Guguinha estava com a corda toda: Abriu a boca para sapecar uma nova pergunta quando sua mãe interferiu:

        – Chega, filhinho! Deixe o seu pai em paz. Desse modo você vai terminar matando o coitado com tantas perguntas…

        E o Dionásio:

        – Não, não e não! Deixe o menino perguntar à vontade, Eugênia. Se assim não for, de que outra forma ele aprenderá alguma coisa?

Com Diego Villanova