Ailton Villanova

8 de dezembro de 2017

Acertou na vesícula!

Delzuíta Maria, pedação de morena sertaneja, já passava das 30 primaveras e nada de arrumar um casamento. Mas isso por culpa dela mesma. Descoladíssima e bastante exigente, não lhe agradavam os rapazes disponíveis na cidade onde morava, que era a histórica Delmiro Gouveia. Dizia que eles eram “fracos” para o seu gosto. Sua intenção era entregar-se a um sujeito abonado, de preferência um fazendeiro.

A curvilínea Dezu adorava vestir saias curtas, as quais lhe possibilitava mostrar os rolos de coxas e as lindas pernas que possuía. Problema para a morena era achar um ricaço que não ligasse para o fato de que ela não era mais virgem, condição que perdera ainda mocinha, numa brincadeira de “papai e mamãe” com o primo Zezinho.

Um dia, numa excursão a Paulo Afonso, Dezu caiu nas graças de um veterano fazendeiro baiano, que era viúvo e bastante conservador. Seu Jesuíno Paixão, o tal fazendeiro, ficou tão apaixonado por ela que queria casar no dia seguinte.

E Dezu, botando charme pra cima do coroa:

– Sem pressa! Eu não estou tão carecida assim. Mas…

– “Mas” o quê? – indagou o fazendeiro, ansioso.

– … posso considerar o seu pedido. Sou uma moça de família e só caso na igreja, de véu e grinalda, com papel passado e tudo o mais!

E o apaixonado Jesuíno:

– Tudo o que você quiser, minha rainha!

Delzuíta voltou pra casa preocupada, depois de um papo prolongado com o pretendente. Mais que depressa procurou a tia Maria Cordulina e desabafou:

– Não sou mais virgem, tia, e o homem é conservador ao extremo…! Já pensou se ele descobrir?

– Mas ele vai ter que descobrir, minha filha! Deixe esse cara e parta pra outro!

– Deixo nada, tia! O homem é milionário! Tem cinco fazendas de cacau imensas, vários imóveis espalhados pela Bahia inteira. Lojas…

– Afe! Então, você vai ter que dar um jeito.

– Mas que jeito, tia?

– Peraí! Acho que tenho uma solução! É só pegar um vidro de catchupe e jogar no lençol, depois que ele sair de cima de você, na noite de núpcias. Mas você tem que fazer aquele drama…

– Será que vai dar certo, tia?

– Tem que dar!

Depois de ensaiar bastante o drama para exibí-lo na noite fatal, Delzuíta marcou a data do casório. A festa foi de lascar! Na metade do furdunço, o ricão pegou a amada e se mandou com ela para a lua-de-mel, em Paulo Afonso. Grossão e apressado, o cara jogou Delzuíta na cama e mandou a chavasca pra frente. Num instantinho se deu por satisfeito.

De sua parte Dezu representou bem o papel de desvirginada: gritou esperneou e despejou o conteúdo do recipiente no lençol. Só que, na pressa, a morena pegou o vidro errado: ao invés daquele que continha o catchupe, ela pegou o da mostarda.

Depois da transa, luzes do quarto acesas, a noiva correu para banhar-se no toalete. Nesse momento, o noivo reparou no panavueiro em cima da cama e tomou o maior susto:

– Valei-me meu padrinho Cícero! Fui tão fundo que varei a vesícula da coitadinha!

 

Uma fêmea só, não dá!

De uma hora para outra, Bernardo Barbosa, o Barbosão, largou o ramo de auto-peças e passou a se dedicar inteiramente à pecuária. Toda grana que conseguiu reunir com a venda da loja, ele investiu na aquisição de cavalos de montaria, bois reprodutores e vacas leiteiras. Em assim sendo, montou uma fazenda de dar gosto.

Um dia, ele resolveu melhorar o plantel e planejou viajar à Minas Gerais, um dos centos mais evoluídos na produção de gado vacum. Ideia amadurecida, ele pegou dona Algarina, sua esposa, e se mandou com ela para aquele estado. Desembarcaram do avião em Belo Horizonte e, de lá, foram de carro até Dourados, onde estava se realizando um dos maiofes leilões de gado do país.

Barbosão e Algarina ocuparam lugar privilegiado na arquibancada e prestaram atenção no leiloeiro:

– Este é Veloso, quinze coberturas diárias!

A mulher cutucou o Barbosão:

– Tá vendo?

O leiloeiro continuou:

– Agora, apresentamos outro touro de respeito: Jataúba, vinte coberturas diárias!

Novamente, dona Algarina:

– Tá vendo?

O leiloeiro apresentou mais outro touro:

– Este aqui é um dos campeões: Tubarão, quarenta coberturas diárias!

Algarina empolgou-se e apertou o braço do marido:

– Tá veeennndo?

Barbosão encheu as medidas. Levantou o braço, o leiloeiro cedeu-lhe o aparte:

– Pois não, me caro. Algum lance?

– Não. Por enquanto, não. É que eu gostaria de saber se todas as coberturas são na mesma vaca…

– Mas é claro que não!

Dessa vez foi Barbosão quem cutucou a mulher:

– Tá veenndo?

 

  Com Diego Villanova