Ailton Villanova

6 de dezembro de 2017

E o cavalo pagou o pato!

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       A época era aquela em que imperava o cangaço nas regiões sertanejas  e agrestinas de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. Lampião e seu bando agitavam adoidado e as volantes das polícias militares dessas unidades federativas permaneciam nos seus calcanhares. Os milicos enfrentavam grandes dificuldades para executarem a missão de capturar o famigerado cangaceiro e seus sequazes, mas não arrefeciam.

      As refregas se sucediam nas caatingas, as balas zuniam nas croas da milicada, arrancavam lascas das pedras e pinicavam as peles dos foras-da-lei.

      Frequentemente, levas de militares eram despejadas naquelas regiões.

       Num dos contingentes enviados a um daqueles pontos de pelejas, encontrava-se o tenente PM Agripino, cuja fama de brabo se espalhava pelo Nordeste afora. Tenente Agripa, conforme era chamado, escolheu Santana do Ipanema para assentar sua base. É que lá tinha um quartel. Ao pintar no pedaço, Agripa observou um cavalo amarrado numa árvore plantada em frente a unidade militar.

        Dia seguinte, o animal encontrava-se no mesmo lugar.

        O Oficial chamou o sargento Rosalvo e perguntou a ele porque aquele cavalo continuava ali, de plantão. O graduado respondeu todo cheio de dedos:

      – Sabe o que e, meu tenente? É que neste Sertão deserto e distante, o cavalo é um grande quebra-galho…

      Compreensivo, o tenente permitiu que o animal permanecesse onde estava.

      Semanas mais tarde, o tenente acordou agitado no meio da madrugada. Gritou pelo sargento e mandou que ele conduzisse o cavalo à sua presença. Ordem dada, ordem executada. Sem subterfúgios e sem mais delongas, o oficial comeu o rabo do quadrúpede.

       Minutos depois, já calmo, tenente Agripino reparou que o  subordinado permanecia no local e presenciara tudo de olhos arregalados.

        Agripino suspendeu as calças, fechou a braguilha e, todo sem jeito, perguntou ao sargento:

        – Então, não é assim que o pessoal faz?

        – Não exatamente, senhor. – respondeu perfilado o sargento. – Em geral, a tropa usa o cavalo para ir até a zona, que fica a 3 quilômetros daqui.

Recorde sexual

      A turma de sempre farreava no bar de sempre, localizado na praia de sempre e o papo que travava nem sempre é o mesmo. Dessa vez tratavam de desempenho sexual. Um dos caras, de nome Tiberíades, esnobou:

      – Olha pessoal, outro dia em Aracaju peguei uma nega muito da gostosa e quase a matei a pau! Consegui dar dez com ela. Só não fui mais adiante porque ela pediu arrego…!

      – Só essa besteirinha? – indagou o baixinho chamado Zezito. – Vou contar pra vocês… semana passada fui a Salvador e consegui quinze, ligeirinho.

       Um terceiro da patota, o baixinho Biu Cabecinha, entrou na conversa:

        – E eu consegui duas!

        – Duas???!!! E você acha isso vantagem, Cabecinha?  – indagou o tal de Antípodas.

         Biu Cabecinha esclareceu:

         – Acontece que foi com minha mulher, lá em casa!

Macaco esperto

      Vovô coruja, seu Jarbas Olintho pegou o netinho Cacá e foi com ele ao circo (aquele último que aqui se instalou). Aí, lhe deu na telha visitar os animais antes de entrarem para o espetáculo da matinê, que começaria dali a uma hora. O garotinho ficou intrigado com um dos bichos:

      – Vô, olha que coisa mais nojenta! Aquele macaco ali, ó, pega o amendoim e enfia na bunda antes de comer! Por que ele faz isso, hein?

      Sem ter como responder, seu Jarbas sugeriu:

      – Vamos perguntar ao zelador!

      Foram. Avô e neto chegaram junto do tratador de animais e o Cacá repetiu pra ele a pergunta que havia feito ao avô. O cara esclareceu:

      – Experiênca, meu filho… Isso se chama experiência. É que outro dia ele engoliu um caroço de manga e sofreu muito para expelí-lo. Agora, ele testa tudo antes de engolir!

Cocô misterioso

      Bons amigos desde os tempos de colégio, Peritônio e Coristino se encontraram depois de vinte anos, em plena capital paulista. Coristino havia vencido na vida, possuía uma grana preta no banco, era dono de uma rede de padarias em São Paulo e morava numa das mais belas mansões do bairro finório do Morumbi. Quanto ao Peritônio – que se achava a passeio em São Paulo -, não passava de um sacrificado vendedor de bilhetes de Loteria Federal. Mal ganhava para viver. Por causa disso, a mulher o havia abandonado para viver como amante do patrão. Ainda bem eu não tiveram filhos.

      – Você vai ficar hospedado na minha casa, rapaz! – determinou o amigo rico.

      E o amigo pobre:

      – S’imcomode não, meu irmão. Tô hospedado num hotelzinho que fica perto da Estação da Luz…

      – Você vai pra minha casa e pronto!

      Diante de tanta insistência, Peritônio foi para a casa do Coristino.

      O amigo pobre ficou embasbacado quando entrou na mansão do amigo rico:

      – Pô, meu! Tu tá bem pra caramba, hein?

      – Dá pro gasto!

      Os amigos botaram o papo em dia até alta hora da noite, comendo e bebendo do bom e do melhor. Finalmente, foram dormir. De madrugada, Peritônio acordou com calafrios e uma tremenda dor na barriga. Tinha exagerado nos comes e bebes. Seu humilde estômago não estava acostumado com aquelas iguarias que consumira.

       Mas, cadê o banheiro?! Peritônio ficou atrapalhado no meio de tantos e quartos e portas. No aperto, sem saber o que fazer, ele teve uma bela ideia: desatarrachou o lustre de cristal da sala principal e fez o maior cocozão lá dentro. Depois, botou a peça de volta no teto.

      De manhã, bem cedinho, Peritônio se mandou da casa do amigão, que mais cedo ainda havia saído para o trabalho.

       Semana depois, Peritônio ligou para o amigo:

      – Cori, meu irmão, brigadão por tudo, ouviu?

      E Coristino:

      – Que “brigadão” que nada, seu safado! Diz logo onde você cagou! Ninguém aqui está suportando o mau cheiro!

Com Diego Villanova